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2 dias, 2 meses ou 2 anos: tem prazo pra superar o fim de uma relação?

Sabrina diz que levou dois dias para esquecer o ex-namorado - Arquivo Pessoal
Sabrina diz que levou dois dias para esquecer o ex-namorado Imagem: Arquivo Pessoal

Júlia Flores

De Universa

26/03/2021 04h00

No Brasil de 2021, é raro encontrar alguém que não saiba cantar uma das letras mais famosas do grupo de forró "Os Barões da Pisadinha": "Eu já te superei, certeza eu superei, mas não manda mensagem outra vez" é o que diz o refrão da música "Recairei", que tem mais de 156 milhões de reproduções no Spotify e ficou entre as 10 canções mais tocadas do país durante boa parte de 2020.

"Superar o ex" é um assunto que sempre dá o que falar. Seja na roda de amigos, nas redes sociais ou na terapia, volta e meia esse tema vira palco de alguma discussão. Lembra quando a influenciadora Gabriela Pugliesi disse que levou apenas dois dias para superar o ex-marido Erasmo Viana, com quem foi casada por cerca de 4 anos? Polêmica, a declaração da musa fitness ganhou repercussão mídia afora.

A especialista em análise de perfil e neurociência Stella Azulay define o término como um período de luto. "Essa perda, porém, não pode ser avaliada somente pelo tempo que o casal ficou junto, mas sim pela intensidade da relação. A ciência não tem uma resposta para quanto tempo se leva para superar alguém e não dá para dizer que é impossível esquecer alguém em dois dias. Para a mente humana, nada é improvável", avalia Stella.

Mas quanto tempo é necessário para superar de verdade o término de um relacionamento? Soltamos essa pergunta no Instagram de Universa, ouvimos três leitoras de Universa com histórias e prazos diferentes de superação: Sabrina, que levou dois dias, Lígia, que levou dois meses, e Camila, que levou dois anos para esquecer a terceira integrante de um trisal. Leia os depoimentos abaixo:

"Bye bye, amor" em um final de semana

"Comecei a namorar em 2018 e passamos um ano separados. Depois ele reapareceu na minha vida e me fez até proposta de casamento. Eu aceitei. Um belo dia ele terminou e disse que não estava pronto para a reconciliação. Ao todo, ficamos juntos por três anos.

Eu sofri pelo término durante apenas um final de semana. Fiquei ao lado de amigos e senti a dor da perda. Vivi o luto sim, mas em um ambiente em que as pessoas me queriam bem.

Me senti acolhida e quando você se sente plena em algum lugar, você compreende a partida de alguém - ou porque essa pessoa abriu mão do relacionamento ou porque ela decidiu caminhar sozinha - e entende que isso não depende da sua vontade, então você precisa seguir a sua vida também.

Como todas as pessoas, eu já tive uma fase de ficar muito apaixonada por um crush que não queria nada comigo. Mas eu aprendi que a gente precisa cuidar de nós mesmas e fazer coisas pelo nosso próprio bem-estar. Quanto mais autônoma eu me tornava, menos dependente emocionalmente de alguém eu ficava. Acho que com o tempo vamos aprendendo a nos valorizar.

Eu gosto e sou aberta a viver novas aventuras. Então, se eu termino ontem, hoje eu já estou pronta para viver uma nova situação. Quanto mais eu estou resolvida financeiramente e emocionalmente, mais eu percebo que as pessoas se atraem por mim, porque eu estou feliz comigo mesma. Eu sinto a dor da partida, é claro, mas eu entendo que a minha felicidade e os meus objetivos dependem exclusivamente de mim - quem vai ou quem fica, não importa. Eu não posso me abandonar" Sabrina Cirqueira, 25 anos, advogada

Dois meses de sofrimento

Para Ligia, "às vezes o sentimento acaba antes do término em si" - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Para Ligia, "às vezes o sentimento acaba antes do término em si"
Imagem: Arquivo Pessoal

"Meu processo de 'superar o ex' começou antes do término em si. Passei cerca de 6 meses refletindo sobre a decisão antes de acabar com o relacionamento - e, inclusive, eu sofri bastante durante esse período. Depois que resolvi dar um basta no meu namoro de sete anos, levei cerca de dois meses para me desligar completamente da nossa história.

O que me ajudou a superar o fim foi redescobrir a minha essência, quem eu era e quem eu estava me tornando. Me reconectei com amigos, pratiquei esportes, voltei a pintar, foquei em coisas que tinham a ver com a minha individualidade.

Engraçado, né, acho que quando você termina, não deixa para trás só a pessoa com quem estava se relacionando, mas também uma rotina, um ciclo de amizade. O término foi doloroso, porque parecia que eu tinha terminado com alguns colegas também.

Não acho que exista um tempo determinado para 'superar' alguém. Vai muito da história de cada término; é um cenário diferente quanto os casais brigam feio ou quando há uma traição, por exemplo. Mas eu acredito que às vezes o sentimento termina antes do término em si.

Alguns assimilam o superar com o 'não estar triste'. Eu acho que o processo é diferente para cada pessoa. Para mim, tem a ver com estar seguindo com sua vida em paz, estar tranquila com a própria história e respeitar aquela pessoa que fez parte da sua vida" Ligia de Queiroz Luna, 27 anos, nutricionista

Do trisal, sobraram só dois

Camila e o namorado, Eduardo, viveram uma experiencia de trisal - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Camila e o namorado, Eduardo, viveram uma experiencia de trisal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Eu e o Eduardo estamos juntos desde 2007. Em 2015 decidimos criar um perfil no Tinder para explorar a possibilidade de um relacionamento aberto. Foi quando conhecemos a Gabi*. Tivemos uma confusão e nos afastamos durante um período. Em 2017 retomamos o contato e então voltamos a nos ver com uma frequência alta - checamos a conhecer até os pais dela.

Nós três nos dávamos muito bem. Apesar de nunca termos dado um nome para A nossa relação, era um namoro, no caso um namoro entre os três. Em momento algum ela disse ser um problema estar se relacionando com um casal - inclusive ela estava na nossa festa de casamento no final de 2018.

No começo de 2019 sentíamos que precisávamos conversar sobre algumas coisas. Mas foi no carnaval desse ano que ela e o Du resolveram conversar sobre a relação, em uma discussão regada a álcool. Eles brigaram e ela só falou para mim que precisava ir embora e que não queria que eu fosse atrás dela.

Cheguei a tentar falar com ela para tentar entender o que tinha acontecido e ela ficou brava, e pediu para eu respeita-la. Isso foi muito difícil e atrapalhou o meu processo de cura. Um dia estávamos bem e logo em seguida não tínhamos mais nada. O Du ficou bem mal logo depois da briga, e eu não. Fiquei de 'stand by' por algumas semanas, vendo o que iria acontecer. Só me dei conta do término um mês depois, quando joguei a escova de dentes dela fora.

Não sei se o fato de eu estar com o Du ajudou ou atrapalhou eu tentar superar a Gabi. Eu tive que ajuda-lo, porque ele também estava sofrendo, mas não tive tanto a sensação de perda ou de estar sozinha, afinal de contas tinha alguém para abraçar e me dar carinho.

Hoje, depois de dois anos do término, eu sinto que ela não é uma pessoa 100% superada. Eu diria que superar um ex é conseguir conviver com essa pessoa sem nenhum sentimento estranho. E isso eu não teria com ela hoje, apesar de não ama-la do mesmo jeito. Ainda tenho muitos pontos não esclarecidos, por isso digo que ela não foi superada" Camila, 31 anos, representante comercial

Viva a dor do momento

A especialista Stella Azulay alerta que, independente do tempo, é preciso viver o período de luto e não fugir da dor do momento. "Muitas vezes as pessoas fogem da dor do término. É claro que cada um elabora a perda de uma forma e é difícil julgar as pessoas - tem quem acredite que vai superar a perda encontrando um novo alguém para amar, tem gente que vai olhar para o término e dizer que não quer viver um novo relacionamento tão cedo, enfim. O importante é não atropelar o sentimento", explica.

Para acompanhar essas e outras discussões sobre relacionamentos, acesse o Instagram de Universa, interaja com as nossas publicações e compartilhe suas histórias com a gente. Estamos ouvindo vocês sempre!

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