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Mindfulness para crianças ajuda pequenos a relaxar e focar. Veja dicas

O mindfulness gera empatia, melhora a consciência corporal e a capacidade de entender pensamentos e emoções  - iStock
O mindfulness gera empatia, melhora a consciência corporal e a capacidade de entender pensamentos e emoções Imagem: iStock

Claudia Dias

Colaboração para Universa

15/02/2021 04h00

Mindfulness não é uma técnica recente e, diferente do que muita gente pensa, pode ser benéfica para qualquer pessoa, inclusive crianças. Também conhecida como atenção plena, sua ação positiva envolve até a turminha mais calminha.

"Mindfulness é um estado, não apenas a prática formal da meditação. Ao ensinarmos meditação para crianças, ensinamos uma ferramenta de autoconhecimento, de construção de autoestima, autonomia e autenticidade e gerenciamento de estresse", pontua a psicóloga clínica Daniela de Oliveira, integrante do Ambulatório de Medicina e Estilo de Vida do Hospital das Clínicas.

Carla Guth, psicóloga especializada em família e construtivismo, explica que os benefícios do mindfulness atuam em três níveis: físico, emocional e cognitivo. A prática pode ajudar a criança a ter melhor foco e atenção, sobretudo no momento presente, e ensinar a lidar de forma mais adequada com conflitos sociais.

O mindfulness também gera empatia, melhora a consciência corporal, a capacidade de entender pensamentos e emoções (tratando questões negativas de forma mais eficiente) e leva a um maior controle de impulsos.

E não é só: reflete no desempenho escolar e permite a realização de atividades de forma mais consciente, proporcionando sensações de estabilidade, segurança e realização. "A ideia central é trazer a criança a focar no seu presente, mantendo-a menos envolvida com o passado e o futuro, mas naquilo que pode produzir naquele momento", reforça a psicóloga Carla.

Toda criança pode praticar?

A resposta é sim. Apesar de, aparentemente, favorecer as crianças mais agitadas, até as mais quietinhas encontram benefícios com a prática do mindfulness. "A meditação não é apenas uma ferramenta para aprender a conter a agitação, mas também uma ferramenta que pode ensinar a criança a ter contato com suas emoções e expressá-las", lembra Daniela.

Segundo a psiquiatra Denise Gobo, a prática pode começar a ser praticada já a partir dos 2 anos, apesar dos melhores resultados aparecerem acima dos 3 anos, por já haver um maior entendimento do dia a dia.

Nessa faixa etária, a prática engloba brincadeiras, exercícios respiratórios, de atenção plena e meditação. Pode envolver recursos extras (brinquedos, pinturas etc.) ou não. "Estimulamos a criança a olhar em volta, os sons, as sensações que percebe, os movimentos... Assim, ela vai criando um novo hábito de estar atenta àquele momento", comenta Carla.

Para Daniela de Oliveira, quanto mais cedo os pequenos forem envolvidas em atividades de mindfulness, maior será a chance de desenvolverem resiliência e refinarem a prática ao longo da vida.

Como é uma sessão infantil

Em geral, o mindfulness para crianças é diferente do aplicado a adultos. A turma mais velha geralmente faz exercícios que costumam exigir maior atenção, com foco na respiração e em manter os olhos fechados ou focados em determinado ponto - o que pode ser difícil para os menores. "Já para a criança, a ideia de trazê-la à atenção plena envolve técnicas mais dinâmicas e lúdicas", diz Carla.

A psicóloga Daniela comenta que, dependendo da idade, também podem ser aplicadas as mesmas técnicas dos adultos, mas com tempos reduzidos

"Para crianças muito novas e iniciantes, a prática em si dura apenas alguns minutos. Para aquelas com mais de seis anos, a duração pode se estender para até quinze minutos, sendo que a prática pode ser feita mais de uma vez ao dia", comenta.

O mindfulness também explora os sentidos e a imaginação infantil. "Podemos pedir para a criança colocar um brinquedo pequeno em sua barriga, deitada no chão, e observá-lo subir e descer com sua respiração. Ou que ela tente fazer o brinquedo se mover o mais lentamente possível", exemplifica Daniela.

Fazer uma espécie de "preparação" também é válido, como um pequeno alongamento, prestando atenção na respiração e na sensação dos músculos. Mas não é só isso que conta: o exemplo dos adultos também é muito importante.

"Se os pais e cuidadores puderem ter a prática inserida na rotina, a criança também vai inseri-la. Se tentamos que a criança faça algo que não é feito pelos adultos, não funciona. A incoerência entre o que se fala e o que se faz fica escancarada nas atitudes de uma criança. A melhor maneira de ensinar uma criança é através do exemplo", frisa Daniela.

Três exercícios para o dia a dia

A psiquiatra Denise Gobo ensina maneiras para praticar o mindfulness com as crianças, no meio da rotina diária:

  • Numa mesa cheia de objetos, peça para a criança analisar o que vê. Tire dois ou três itens e peça que ela fale o que está faltando. Desta forma, ela se concentra na atividade do momento.
  • Peça para o pequeno colocar a mão sobre o peito e faça exercícios de respiração, estimulando a ser bem lenta. Oriente a criança a prestar atenção na respiração.
  • Leve-a para caminhar por um bosque, parque ou lugar tranquilo e solicite que vá narrando tudo aquilo que ela está vendo. Ela vai se concentrar muito mais no passeio e se manter mais calma.

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