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Para superar e fazer as pazes com 2020, o segredo é perdoar e ser positivo

Perdoar e ser positivo: como superar e fazer as pazes com 2020  - Getty Images
Perdoar e ser positivo: como superar e fazer as pazes com 2020 Imagem: Getty Images

Claudia Dias

Colaboração para Universa

08/01/2021 04h00

Nunca o final de um ciclo foi tão desejado como está acontecendo agora. Afinal, para muitas gerações, 2020 foi o pior de todos os anos vividos. O mínimo que se espera é que o próximo seja minimamente melhor. Mas entrar em 2021 com o pé direito exige um ato de remissão, ou seja, é preciso perdoar o que passou, além de ser positivo diante do quem vem por aí.

A prática consciente e, também, consistente do perdão e da positividade será o melhor remédio para curar o que enfrentamos, permitindo que possamos, de fato, criar e viver um ano (realmente) novo. É o que defende Heloísa Capelas, especialista em autoconhecimento, inteligência emocional e inovação pessoal.

"Precisamos olhar para trás e fazer as pazes com o que passou, com os planos desfeitos, com as perdas e baixas inestimáveis, com as aflições, angústias e dúvidas que vivemos. Infelizmente, tudo isso aconteceu sem que tivéssemos nenhum controle da situação", pontua.

De acordo com ela, remoer o incontrolável só deixa as pessoas ainda mais presas ao passado. Por outro lado, o perdão é capaz de libertar, permitindo que sigam em frente e em paz.

"Em 2020, vivemos uma realidade absolutamente imprevista, o que abriu um leque de infinitas possibilidades em todos os campos. O incerto causa muito medo e desconforto, mas também convida as pessoas a perderem o medo de errar e a, simplesmente, tentarem", avalia.

Na prática, segundo a especialista, significa que está nas mãos de cada pessoa "sofrer por um passado que não pode ser mais mudado ou abraçar as oportunidades que já se abriram em prol de um futuro melhor". "Temos uma chance incrível de fazer tudo diferente para dar uma grande virada", diz ela, que é autora dos best-sellers "Perdão, a Revolução que Falta" e "O Mapa da Felicidade".

Aceitar e perdoar

Para Heloísa, neste momento, é importante "perdoar o ontem, agradecer o hoje e construir o amanhã", sempre com um olhar positivo. A maior lição do ciclo que se encerra, como ela salienta, é a percepção da enorme resiliência que cada pessoa traz dentro de si e deve (ou, pelo menos, deveria) ser usada em benefício próprio. "A gratidão nos coloca em sintonia com o amor e o amor nos leva a vencer qualquer barreira ou dificuldade", defende.

Mas nem todo mundo consegue aplicar o perdão facilmente. Por trás dessa postura estão preconceitos que muitas pessoas têm em relação aos outros, muitas vezes sem nem conhecê-los. Nessas horas, a autoconsciência faz toda diferença.

"Empatia e compaixão são essenciais para lidar com isso, principalmente hoje, com tanta polarização. É importante que possamos nos rever, com abertura e honestidade, para interromper esse círculo vicioso tão prejudicial em que tantas vezes entramos sem nem perceber", debate Heloísa, para quem o perdão está relacionada à inteligência emocional.

Perdoar é um processo

Ao contrário do que muita gente pensa, não basta acordar certo dia e dizer: "Pronto, perdoei". De acordo com a especialista, o perdão é um processo. Mais que isso, é um exercício diário e consciente, um treino mental e emocional que permite às pessoas se libertarem das mágoas passadas que seguem repercutindo no presente.

"Até é possível perdoar sem esse esforço intencional, mas o rancor e a mágoa que ficam escondidos no inconsciente podem fazer com que leve muito mais tempo até a pessoa se libertar de tudo isso. Daí, claro, o prejuízo é muito maior", opina Heloísa.

Sempre que os sentimentos negativos se revelam presentes é necessário exercitar a autoconsciência a fim de identificá-los, bem como a origem deles. Para a especialista, é olhando para dentro que as pessoas percebem que o círculo vicioso da mágoa e da vingança impede o sucesso e felicidade desejados.

Pessoas religiosas perdoam mais?

Apesar de muito vinculado à religião, não é preciso ser religioso para perdoar, na opinião de Heloísa. As instituições religiosas realmente pregam bastante a importância de respeitar o outro e, por consequência, perdoar, mas isso não significa que os frequentadores cumpram essa missão com facilidade. "Por isso, se formos práticos, perceberemos que o perdão não é uma questão de fé mas, sim, de inteligência", argumenta.

Outro ponto é que perdão não significa liberar o outro a magoar novamente. Segundo Heloísa, trata-se de mais uma confusão bem comum acerca do assunto: a ideia de que, ao perdoar, a pessoa autoriza o outro a voltar a magoá-la. Isso porque cabe a cada um decidir se vale a pena dar ou não uma segunda chance a quem magoou.

"O perdão me traz liberdade emocional para olhar para um acontecimento a partir de outro ponto de vista; eu não procuro mais culpados, porque eu perdoei o que houve. Depois disso, só me resta decidir se quero ficar naquela relação/história, ou se quero ir embora; se vou conversar com o outro ou apenas aceitar o fato. Seja como for, no perdão, eu tomo essas decisões já livre da mágoa, desprezo ou qualquer sentimento negativo", frisa.

É por essas razões que a ideia de perdoar 2020 inclui se autopermitir entrar no novo ano com outra disposição emocional, intelectual, espiritual e física. Diante do incontrolável, tudo o que pode ser feito se limita à controlar o que cabe a cada pessoa.

"A pandemia veio e nos mostrou que temos controle de muito pouco. Mas podemos, sim, decidir o que fazer com o que vivemos; se vamos aprender ou remoer; se vamos seguir em frente ou ficar presos nessa triste realidade que enfrentamos", finaliza Heloísa.

6 maneiras de treinar o perdão

Pedimos à Heloísa que indicasse boas práticas para desenvolver o perdão no dia a dia.

  • Autorize sua raiva, mágoa e rancor. Como muita gente tende a jogar as emoções negativas para baixo do tapete, por medo ou vergonha, é preciso e importante reconhecê-las e aceitá-las. "Sentir ódio não torna alguém ruim; só mostra sua humanidade", afirma Heloísa.
  • Identifique de onde vem os sentimentos. O que fez disparar a raiva, a mágoa e o rancor? Por que o comportamento do outro afeta tanto? Em vez apenas apontar a culpa alheia, a recomendação é a pessoa buscar, nela mesma, a origem desta emoção.
  • Seja mais honesto e menos (auto)crítico. Quem é realmente honesto em relação ao que sente vê que todas as mágoas têm a ver com acontecimentos que o levaram a se sentir pior, não merecedor, inferior e, portanto, indigno e incapaz. "Saber disso pode fazer toda a diferença para tirar das mãos do outro o direito de fazer com que se sinta assim", pontua Heloísa.
  • Perdoe um pouquinho, todos os dias. Sim, a prática ajuda bastante. É preciso dizer para si mesmo que essa dor tem de passar porque não é bem-vinda. "Você não merece ter seu sucesso interrompido por acontecimentos do passado; não merece boicotar amor, felicidade e paz porque o outro, um dia, te fez mal. Isso já passou", recomenda. É mais importante focar no que pode ser feito de diferente a partir de agora
  • Peça perdão e se perdoe. Um exercício que ajuda é se sentar à frente de um espelho, dizendo para si mesmo: "Eu me perdoo por...", listando o que deseja libertar. É importante que seja feito com amor-próprio e intenção.
  • Diga o que você perdoa a seu respeito e perdoe. Lembre-se de que fez o melhor possível, mesmo que tenha sido pouco ou menos do que gostaria. "Você só consegue entregar ao outro aquilo que entregou a si mesmo em primeiro lugar. Então, perdoe-se para perdoar", recomenda Heloísa.

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