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Jovem mostra pai agredindo irmã após menina dizer que 'gostava da amiga'

De Universa, em São Paulo

08/12/2020 08h49Atualizada em 08/12/2020 17h41

O fotógrafo I.V [a Universa decidiu omitir a identidade completa do jovem para evitar maior exposição da vítima, que é menor de idade], de 23 anos, publicou ontem um vídeo nas redes sociais para denunciar a agressão do pai contra a irmã dele, que tem apenas oito anos, no bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com ele, tudo começou porque a menina disse que estava "gostando da amiga". O jovem contou que já foi agredido pelo próprio pai em caso de homofobia, por ser gay, e que procurou a polícia e o Conselho Tutelar para denunciar o caso.

Ele contou à Universa que estava em casa ontem, por volta das 11h da manhã, quando começou a ouvir uma gritaria vindo do quarto da irmã dele. Ao chegar no local, viu que o pai estava empurrando e agredindo a menina. Ao implorar para que a criança não apanhasse, o suposto agressor começou a falar que era culpa do fotógrafo que a irmã estivesse "gostando da amiga". A reportagem fez contato com o pai, que não se pronunciou sobre o caso.

I.V então saiu do quarto e foi pedir ajuda para a mãe que teria afirmado: "se você não quer ver [o que o pai estaria fazendo], vai para a rua". Em seguida, o fotógrafo decidiu começar a gravar o que estava acontecendo e relata que recebeu ameaças de morte do pai por estar registrando a agressão.

No vídeo publicado nas redes sociais é possível ver o irmão mais velho ouvindo os gritos da menina e entrando em um quarto com o celular. "Mais uma. Vai tomar", diz o pai para a menina que grita e chora ao mesmo tempo.

Depois a câmera treme e ouvimos a mãe dele afirmando "para com isso" e o pai do jovem grita "se filmar, é pior". O fotógrafo que faz as filmagens implora: "não bate nela, por favor", enquanto é possível ver um cinto na mão do suposto agressor.

Em seguida, ouvem-se gritos de "vamos embora" e "faltam mais duas" ditos pelo pai da menina. A mãe da garota vê o homem ameaçar a criança e não reage a ação. No final do vídeo de 27 segundos ainda é possível ouvir a mulher afirmar: "já parou de filmar?". E, em seguida, dá um tapa no celular e a filmagem para de ser gravada.

"Bom esses são meus pais, espancando minha irmã só porque ela disse que estava 'gostando da amiga' eu passei por isso pelo fato de ser gay. Apanhei muito desse cara, até arma na minha cara ele colocou e agora ver minha irmã passar por isso eu não aceito, ele bate na minha mãe...", escreveu no Twitter.

O jovem ainda completou: "E [pai] nos ameaça falando que se denunciar ele vai matar a gente. Eu não sei o que fazer, só quero paz e a liberdade da minha irmã ser quem ela quiser, não vou mais me calar diante desse psicopata".

Conselho Tutelar

No Instagram, o fotógrafo publicou stories explicando que teve que sair de casa para se proteger e agora está na casa de uma amiga. Ele contou à Universa que foi até o 34º DP (Delegacia de Polícia) de Bangu para abrir um boletim de ocorrência para "tomar as devidas providências" em relação às agressões dos pais contra a menina de oito anos, porém, não conseguiu registrar o boletim pois teriam dito que era necessário ir até o Conselho Tutelar porque a menina é uma criança.

Após sair da delegacia, o fotógrafo se encaminhou para o Conselho Tutelar, também sediado em Bangu, onde passou todas as informações da agressão contra a irmã, recebeu orientações dos funcionários do local e foi aconselhado a fazer um boletim de ocorrência pela internet já que não foi feito na delegacia. O jovem explicou que assim que chegou na casa da amiga abriu o boletim online para registrar o caso.

'Estou arriscando a minha vida'

Ele ainda explicou que recebeu mensagens e ligações do pai ameaçando-o pela denúncia que ele fez ao publicar o vídeo na internet, mas o jovem pontua que não vai deixar a irmã passar pela mesma coisa que ele viveu e ainda contou que o pai sempre agrediu a mãe dele também.

O fotógrafo ainda disse que teme por sua vida, mas precisou expor as agressões contra a irmã e vai levar o caso até o final.

"Espero que o Conselho Tutelar e as autoridades tomem atitude. Estou arriscando aqui a minha vida para poder fazer isso. Estou expondo tudo na internet mesmo porque eu estou com medo. Se caso acontecer alguma coisa, eu tenho provas, está tudo registrado aqui. Eu estou seguro, com um pouco de medo, sim, mas eu vou levar esse caso até o final. Chega. Chega mesmo", explicou no Instagram.

Ainda para a Universa, o jovem contou que gostaria de ter a guarda da irmã, mas ele explica que não tem onde morar e nem condições financeiras estruturadas para manter a menina já que, em razão da pandemia do novo coronavírus, ele não está conseguindo trabalho na sua área, de fotografia. Ele relata que espera que os pais "aprendam alguma lição" com a divulgação do caso e pondera que "não é errado gostar de pessoas do mesmo sexo. Não é errado ser gay, bissexual, hétero, seja o que for".

O Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente informou a Universa que ainda não tem informações do caso e a denúncia não chegou ao conhecimento deles.

Por sua vez, por telefone, um funcionário do Conselho Tutelar que atende à região de Bangu disse que o órgão já estava a par do caso e tomando medidas cabíveis de proteção à criança. No entanto, como o caso ainda depende de procedimentos policiais, não disponibilizou informações mais detalhadas.

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