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Harmonização facial: o que é preciso saber sobre a técnica antes de fazer

É segura? Dá para reverter? Tire suas dúvidas sobre a harmonização - iStock
É segura? Dá para reverter? Tire suas dúvidas sobre a harmonização Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

16/10/2020 04h00

Há três semanas, Lucas Lucco contou através das redes sociais que está se submetendo a um tratamento para reverter os resultados de uma harmonização facial: segundo o que revelou, passou a desgostar da própria imagem, por identificar no espelho traços que não eram dele. "Há perda de identidade. Isso é muito ruim para a autoestima", disse o cantor. Seu caso não é isolado: a dermatologista Hellisse Bastos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirma que o número de clientes em busca da reversão da técnica vem crescendo nos últimos anos, uma vez que ela está despertando cada vez mais interesse — e com a popularização, nasce também o arrependimento de uma minoria.

Mas o que pode ser classificado como harmonização facial? E o que levar em conta antes de fazer, para não se arrepender?

Tudo nasceu com o preenchimento

Hellisse explica que, nos anos 90, chegou ao Brasil a técnica do preenchimento dos sulcos da face, também conhecidos como rugas. "Nesta época, os estudos sobre o envelhecimento da face humana ainda estavam no início e os procedimentos se limitavam às áreas em que as marcas de expressão se mostravam mais evidentes", diz. Com o passar dos anos, as pesquisas revelaram mais sobre o envelhecimento, como a maneira como ele atinge os ossos e as camadas de gordura da pele.

"Com base nessas novas informações, por volta de 2015 surgiu uma técnica chamada MD Code. Seu principal foco é atuar, através do uso de ácido hialurônico e de outras substâncias, na prevenção dos efeitos do tempo sobre a pele", explica. No entanto, outra das funções do MD Code acabou se tornando febre no mundo da estética: a proposta de "melhorar" pontos que estejam em "desarmonia". "O intuito é tornar as proporções do nariz, lábio e de outros pontos da face mais atraentes aos olhos das outras pessoas usando técnicas de luz e sombra, quase como uma maquiagem natural", diz.

Assim nasceu o que hoje é conhecido como harmonização facial, que pode ser classificado como conjunto de intervenções estéticas voltadas para o rosto. Não estão englobados nela procedimentos cirúrgicos, tais como a rinoplastia, que modifica o formato do nariz, ou as cirurgias ortognáticas, voltadas para o queixo. "Tudo pode ser feito em consultório e não há tempo de recuperação. Ou seja, a pessoa pode sair e ir direto para o trabalho ou para um compromisso", aponta a dermatologista.

Beleza com filtro

O Brasil é o país líder em cirurgias e plásticas e intervenções estéticas no público de 13 a 18 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos 10 anos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos realizados entre essa faixa etária. Para Déborah de Mari, pesquisadora sobre assuntos de gênero e liderança e fundadora do projeto Força Meninas, o uso excessivo de redes sociais, em especial as plataformas de fotos e vídeos, podem contribuir para que jovens desenvolvam distúrbios sobre a imagem corporal. "É praticamente impossível que uma adolescente, que já nasceu inserida no ambiente digital, escape da necessidade de usar filtros ou editar fotos a fim de modificar sua aparência", diz.

Logo, o seu conselho é que meninas sejam orientadas, desde cedo, a reconhecerem e valorizarem suas características, aquelas que as tornam únicas. "Também é essencial monitorar o uso que elas fazem de suas redes e ajudá-las a desenvolverem senso crítico nesses ambientes", opina.

O que é preciso saber sobre harmonização facial antes de fazer:

1. Custo e duração

Os interessados precisam preparar o bolso: de acordo com a médica, o preço varia de acordo com a quantidade de ácido hialurônico aplicado. Ou seja, quanto mais pontos do rosto sofrerem intervenções, maior fica o valor. "Cada ampola custa cerca de R$ 1500. Em procedimentos mais leves costumamos colocar de três a quatro ampolas. Mas há profissionais que chegam a utilizar 30 delas. Nesse caso, geralmente é concedido ao paciente um desconto", diz. Ou seja: o preço pode variar de 4,5 a 30 mil reais.

Muita gente se arrisca na técnica devido a sua duração: como são utilizadas apenas substâncias absorvíveis, os resultados têm data para acabar. "Ela varia de acordo com o organismo de cada paciente, mas em geral leva de um a dois anos para desaparecer", pontua a dermatologista.

2. Expectativa quanto ao resultado

A dermatologista pede cuidado com os padrões vistos nas redes sociais. "Celebridades estão o tempo todo experimentando novos procedimentos, alguns deles com resultados que beiram o artificial. Elas acabam se tornando referência, como as irmãs Kardashian, que são algumas grandes influenciadoras quando o assunto é estética", exemplifica.

Ela acredita que parte do vislumbre pela harmonização venha do medo de ser julgado. "A internet nos deixa muito expostos e, por causa disso, sentimos receio de sermos criticados. Queremos nos sentir seguros diante de uma câmera", diz. Porém, na sua visão, o procedimento deveria ser encarado com menos expectativas. "Alguns pacientes chegam às clínicas acreditando que terão resultados milagrosos. É responsabilidade do profissional delimitar as reais possibilidades e reforçar que se trata de uma intervenção com prazo para acabar, pensando na estratégia da manutenção. Aconselho muitos deles a irem com calma, experimentando as possibilidades ao longo dos anos, também para que possam se organizar financeiramente", afirma.

3. Se eu me arrepender, o que posso fazer?

Há quem não goste dos resultados e prefira não esperar o prazo natural de reversão da técnica, como foi o caso de Lucas Lucco. "Se acontecer, o paciente pode se submeter a sessões de aplicação de uma enzima que degrada o ácido hialurônico. Ela deve ser colocada aos poucos, mas age com rapidez", aponta Hellisse.

4. Como escolher um bom o profissional?

Hoje, no Brasil, estão autorizados a realizar a harmonização: médicos (dermatologistas e cirurgiões plásticos), dentistas, farmacêuticos e profissionais da biomedicina. O assunto já se tornou batalha judicial, uma vez que associações médicas entraram na Justiça para reclamar exclusividade sobre a técnica. "Meu conselho é que a pessoa interessada pesquise sobre a linha de atuação do profissional que está prestes a procurar. Se a ideia é fazer uma grande transformação, existem pessoas mais qualificadas do que outras para isso. Mas vale lembrar que médicos são veementemente proibidos de postarem fotos de antes e depois de seus pacientes nas redes sociais, então o ideal é não basear a pesquisa só nisso", diz.

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