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Menor acusa PM de estuprá-la em corrida de app; ele diz que foi consensual

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

03/09/2020 16h15

A Polícia Civil do Paraná abriu ontem um inquérito para investigar um suposto estupro cometido por um soldado de 33 anos da PM (Polícia Militar) contra uma adolescente de 15 anos, em Curitiba. O crime teria ocorrido no domingo (30), no caminho do percurso de uma corrida de aplicativo solicitada pela vítima. O militar trabalha como motorista no período de férias.

A defesa dele nega a acusação e diz que a relação foi consensual (leia mais abaixo).

Segundo o Núcleo de Investigação de Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (Nucria) de Curitiba, a garota registrou o caso anteontem. Ela foi à delegacia acompanhada da mãe.

Em depoimento, a vítima relatou que pediu a carona no bairro Boqueirão, em Curitiba, até o município de Almirante Tamandaré, na região metropolitana. Durante o percurso, ainda na capital, o policial a teria ameaçado de morte com uso de uma arma de fogo e a forçado a manter relações sexuais. A vítima e o suspeito seguiram o trajeto até o destino final após o suposto abuso.

"O que averiguamos até agora é que o carro parou em um estacionamento do bairro Parque São Lourenço e ali ela foi ameaçada com uma arma de fogo a praticar relações sexuais. Por ela ter 15 anos, o crime de estupro vai se configurar se for comprovada essa grave ameaça e violência. Vamos buscar elementos para saber se existiu ou não a ameaça para a relação não consensual", afirmou a delegada do Nucria, Ellen Victer.

Um dia antes de comunicar a Polícia Civil, a adolescente chegou a publicar um pequeno relato nas redes sociais. "Me ajudem a achar esse homem. Ele me obrigou ter relações sexuais", diz o texto, acompanhado da foto do soldado. A publicação não está disponível em modo público no perfil da garota.

O caso tomou proporções nas redes sociais. O soldado registrou um boletim de ocorrência contra a vítima por denunciação caluniosa. Segundo a defesa, a publicação teria atingido 2 milhões de pessoas através dos compartilhamentos.

"Ele registrou o boletim de ocorrência. Se não for comprovado, ela poderá responder por calúnia, porém a vítima tem que saber que os fatos são falsos", comentou a delegada.

PM diz que relação foi consentida

A defesa do PM informou a Universa que o suspeito confirmou a relação sexual com a adolescente de 15 anos, mas garante que tenha sido de maneira consensual entre os dois.

"Ela já sabia o nome dele por intermédio do aplicativo. Não precisava procurá-lo nas redes sociais. Meu cliente ficou sabendo porque começaram a ligar. Quando viu o que ocorria, surtou, foi para o hospital e depois de tratado, fizemos um boletim de ocorrências. Além disso, nos colocamos à disposição das autoridades", disse o advogado Marinson Albuquerque.

A defesa também confirmou que o PM anda armado e dirige carro de aplicativo nas férias. "Como todo policial, usa arma no dia a dia porque prende pessoas toda hora. Um soldado faz serviços assim por fora porque não tem reposição salarial há anos", argumentou.

Corregedoria abre sindicância

Além da Polícia Civil, a repercussão do caso provocou a abertura de uma sindicância na Corregedoria da PM do Paraná contra o soldado. O caso será apurado pelo Batalhão de Polícia de Guarda (BPGd), onde o suspeito está lotado.

"Em face do ocorrido, este comandante determinou imediatas diligências, no sentido de localizar tanto a suposta vítima quanto o suspeito do crime, vez que fora identificado como sendo um militar. Diante da necessidade de apuração de forma justa e imparcial, foi determinada a instauração do procedimento investigatório cabível, que será conduzido em estrita observância aos ditames legais, e ao final apontará as providências a serem adotadas", afirmou em nota o comandante do BPGd, tenente-coronel Carlos Siqueira.