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Violência contra a mulher

Estudante denuncia estupro após marcar encontro com garota pelo Tinder

Vítima ficou com marcas roxas nas pernas - Arquivo Pessoal
Vítima ficou com marcas roxas nas pernas Imagem: Arquivo Pessoal

Rafaella Martinez

Colaboração para Universa, de Guarujá (SP)

03/09/2020 15h06Atualizada em 07/09/2020 12h46

Uma estudante de 21 anos denunciou ter sido estuprada por um homem de 35 anos, após marcar um encontro com uma mulher pelo Tinder. O caso aconteceu no dia 26 em Santos (SP) e foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher, que conduz as investigações.

De acordo com o advogado da vítima, Adriano Neves Lopes, as garotas se conheceram pelo aplicativo, em meados de agosto. Após uma semana de conversas, decidiram combinar um encontro na casa da suspeita, que alegava estar sozinha.

As mensagens entregues pelo advogado à Polícia Civil mostram que durante a conversa a estudante questiona a todo momento se as duas ficariam sozinhas no apartamento e a suspeita afirma que sim. Esse seria o primeiro encontro marcado pela vítima por meio do aplicativo.

"A mãe da estudante a levou até o endereço informado e aguardou a suspeita descer, informando que voltaria para buscá-la. No imóvel, as duas começaram a beber e, em dado momento, a suspeita disse que seu namorado estava no quarto e gostaria de ver uma relação sexual entre as duas", destaca.

O advogado conta que a vítima imediatamente teria negado. Naquele momento, o homem a teria agarrado pela nuca e forçado um beijo. Ainda conforme o advogado, o casal retirou as roupas da estudante, iniciando o estupro. O corpo da vítima ficou marcado por mordidas. Toda a ação levou por volta de duas horas.

Lesões pelo corpo

Após o crime, a vítima deixou o apartamento com a chegada da mãe e conversou por mensagem com um amigo, relatando o que aconteceu.
"Quando ela entrou em casa foi direto tomar banho, mas o amigo avisou a mãe da estudante, que é da área da saúde, e imediatamente a tirou do chuveiro e a levou até a Santa Casa de Santos. Lá foi dado início aos procedimentos de investigação e registro da ocorrência", conta o advogado.

As fotos anexadas ao inquérito policial mostram hematomas e inchaços nas pernas e mãos da vítima após o crime. A estudante, que precisou tomar pílula do dia seguinte e antirretrovirais, passa agora por acompanhamento psicológico e foi diagnosticada com estresse pós-traumático.

"Toda a família está muito abalada com o que aconteceu e quer que a justiça seja feita. Após a denúncia, outra mulher se apresentou na delegacia alegando que também foi enganada pelo casal, mas felizmente não chegou a sofrer abuso. Isso é o que chamamos de modus operandi e esperamos que ambos sejam presos", conta o advogado.

Investigação

De acordo com a Polícia Civil, as investigações do crime de estupro estão adiantadas, mas não é possível a divulgação de muitas informações, pois o processo está em segredo de justiça.

A mãe da jovem e o amigo para quem ela confidenciou o caso serão ouvidos ainda nesta semana. As roupas que a estudante usava foram entregues pelo advogado à polícia, para compor a investigação.

As imagens das câmeras de monitoramento do prédio já foram recolhidas e passam por perícia. A reportagem de Universa não conseguiu contato com os suspeitos até a publicação desta reportagem.

Perfil banido

Em nota, o Tinder afirma que baniu o perfil da suspeita da plataforma e que irá cooperar com a investigação. "Nossos pensamentos estão com a vítima, sua família e amigos. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para cooperar com o cumprimento da lei. A segurança dos nossos membros é nossa prioridade e levamos este assunto muito a sério. Aconselhamos nossa comunidade, formada por milhões de membros, a ficarem sempre atentos, relatarem qualquer atividade suspeita e a lerem nossas dicas de segurança disponíveis online e através do aplicativo: gotinder.com/safety."

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