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Como Kelly Key: é errado tomar banho nua com o filho? Especialista comenta

Kelly Key foi criticada por postar foto tomando banho com o filho - Reprodução/Instagram
Kelly Key foi criticada por postar foto tomando banho com o filho Imagem: Reprodução/Instagram

Ana Bardella

De Universa

02/07/2020 18h13

Na última quarta-feira (1), a cantora Kelly Key recebeu críticas na internet por publicar uma foto na qual aparecia nua, cobrindo os seios com os braços, enquanto tomava banho com o filho Arthur, de 3 anos. A artista chegou a rebater comentários de seguidores que consideraram a fotografia exagerada e que julgaram seu comportamento errado. Kelly argumentou que apenas pessoas "limitadas" não veem a cena com naturalidade e disse ainda que se assustou com a maldade com que a foto foi vista.

A nudez dentro de casa é um tema que gera discussão: há quem não veja problemas em se trocar ou tomar banho com os filhos. Outras pessoas acreditam que o hábito pode ser prejudicial às crianças. Afinal, quem está certo?

De acordo com a Leiliane Rocha, psicóloga especialista em sexualidade, cada família estabelece combinados diferentes dentro de casa — e seria impossível julgá-los como certos ou errados, uma vez que as decisões variam de acordo com a bagagem cultural e de vivência dos seus membros.

"Uma mulher que sofreu abuso sexual na infância pode não se sentir bem em se despir na frente do filho, por exemplo, ainda que ele seja um bebê. Isso porque o ato de tirar a roupa desperta memórias do passado e carrega um simbolismo. Ela pode sentir, por exemplo, que está tirando a inocência da criança, porque foi isso o que viveu anteriormente", explica.

Em compensação, outras famílias normalizam a nudez dentro de casa, seja porque foram criadas assim, seja porque acreditam que esta é a melhor forma de educar as crianças. A seguir, Leiliane elenca os pontos que devem ser observados pelas famílias antes de combinarem o que pode e o que não pode com relação à nudez dentro de casa.

1. Naturalidade

O tema da nudez abrange mais do que simplesmente os pais se trocarem na frente dos seus filhos. Ele envolve relação com o próprio corpo, respeito ao corpo e a intimidade do outro e até consentimento. Saber trabalhá-lo de maneira saudável no ambiente familiar ajuda a prevenir, por exemplo, situações de abuso sexual infantil. Na visão da psicóloga, o mais importante é que o tema seja tratado com naturalidade, independentemente dos hábitos da família.

"Se os pais optarem por não mostrarem seus corpos aos filhos, por exemplo, não há necessidade de fazer um alarde quando a criança abre a porta do quarto no momento da troca de roupa, por exemplo. É possível pedir que ela, por favor, dê licença e que bata na porta da próxima vez antes de entrar, reforçando que se trata de um momento de privacidade", afirma.

Já nas famílias em que é comum a nudez, faz parte de um processo saudável observar se a criança não fica incomodada com a situação e respeitar caso ela peça para tomar banho ou ir ao banheiro sozinha. "A partir dos 6 anos, é comum que as crianças desenvolvam certo pudor. Caso elas solicitem espaço, é preciso dar", afirma.

Segundo a profissional, essa também é uma excelente oportunidade de reafirmar que tudo bem querer seu próprio momento e que isso deve ser respeitado. "Ainda é possível conversar com a criança sobre os limites da nudez e do toque com os parentes e amigos", ressalta.

2. Consenso

Vale a pena os pais ou cuidadores discutirem sobre o tema e chegarem a um consenso sobre ele. "A criança fica confusa quando a mãe, por exemplo, pede que ela leve uma toalha até o banheiro, mas o pai a proíbe por que considera aquilo errado", diz Leiliane. Como estão em fase de desenvolvimento, elas podem ficar com dúvidas e criar hipóteses equivocadas sobre as razões de a nudez ser encarada de formas desiguais pelas pessoas da casa.

3. A sexualidade como um todo

Leiliane reforça o quanto é difícil atualmente encontrar uma criança que nunca tenha tido contato com materiais pornográficos ou que não converse sobre pornografia com os colegas. "Muitas vezes os pais esquecem de colocar um filtro ou acreditam que elas estão consumindo um material seguro, mas bastam alguns cliques para que consigam ter acesso a esse tipo de conteúdo", alerta.

Esse acesso precoce pode gerar angústias e ansiedades, além da construção de conceitos equivocados sobre sexualidade. Por isso é importante que os mais velhos estejam sempre atentos a este risco.

Por fim, a psicóloga indica que os pais se informem e estudem sobre sexualidade infantil para que não tomem as decisões baseadas somente nas experiências pessoais. "Muitas vezes as famílias mantêm tradições somente porque também foram criadas daquele jeito, mas ignoram conceitos que ajudam a aprimorar o processo de educação dos filhos", diz.

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