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Comitê Olímpico do Brasil tem curso EAD obrigatório contra assédio sexual

Símbolo das Olimpíadas - Getty Images
Símbolo das Olimpíadas Imagem: Getty Images

15/05/2020 15h48

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) lançou um Curso de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e Abuso no Esporte. Trata-se de um material gratuito, em formato EAD, com carga horária de 30h, destinado a todos os profissionais envolvidos com o esporte. A realização do curso é obrigatória para atletas e todos os membros de comissões técnicas que participarem dos Jogos Olímpicos de Tóquio, previstos para 2021.

"O público-alvo principal é composto por atletas, treinadores, gestores e demais agentes envolvidos no esporte. Mas é aberto também para familiares e profissionais dos meios de comunicação que estão próximos ao setor", explica Soraya Carvalho, ex-ginasta que hoje é gerente do Instituto Olímpico Brasileiro, em entrevista para Universa.

O curso é dividido em quatro módulos: no primeiro, explica o que é assédio e abuso, diferenciando as possíveis categorias; no segundo detalha os sinais e ensina a identificar uma situação do tipo; em terceiro mostra os canais de denúncia e trata sobre a prevenção. No último, aponta o que as organizações esportivas podem fazer com relação ao tema de acordo com as legislações vigentes.

A ex-nadadora Joanna Maranhão, que foi vítima de abuso sexual na infância por parte de um treinador e hoje comanda a ONG Infância Livre, que atua no combate à pedofilia, participa do curso através de um depoimento gravado.

Em entrevista para Universa, ela destaca a importância da iniciativa. "Sabemos que se trata de um problema endêmico, muito velado e silenciado, por isso é um passo importante, uma semente de transformação. A curto prazo acredito que possa aumentar o número de denúncias, por exemplo. Que bom que as federações e confederações têm canais de ouvidoria, que devem ser capacitados para fazer essa escuta, a fim de colher informações e fazer o devido encaminhamento".

Soraya reforça que, como no caso de Joanna, um dos principais fatores que contribuem para o assédio é a diferença de poder. "O esporte faz parte da sociedade, ele não está em uma bolha. E o assédio sexual tem como característica ser um abuso vertical, ou seja, que acontece de cima para baixo, quando uma pessoa é mais forte do que a outra". Por isso ela defende que as relações hierárquicas, como entre treinadores e atletas, precisam de maior atenção.

Durante a quarentena o curso atingiu a marca de 3 mil inscritos e pretende chegar a 7500 pessoas até o final do ano.