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Parafilias e fetiches: 11 filmes que exploram universo polêmico

Cena de Sex Education: roleplay na tela - Divulgação
Cena de Sex Education: roleplay na tela Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

11/02/2020 04h00

Parafilias são formas de obter prazer de uma maneira, digamos, pouco convencional aos olhos alheios - a excitação não é sentida através do sexo em si, mas por outros fatores e circunstâncias.

O fetichismo, termo usado para designar o uso de objetos ou a preferência por certas partes do corpo do par, é um dos exemplos mais comuns.

Catálogo erótico

Embora haja uma certa confusão entre as denominações e muito tabu envolvendo o assunto, certas práticas podem ser conferidas em vários filmes e seriados, como você confere a partir de agora:

"Good Girls" (2018)
Parafilia: hibristofilia

Também chamada de "Síndrome de Bonnie e Clyde", refere-se à atração que certas pessoas sentem por indivíduos fora da lei e violentos - para algumas, quanto mais grave e horrenda a contravenção, maior o fascínio. Não à toa, o termo é mais adotado por criminalistas do que por cientistas. Um bom exemplo de hibristofolia é o jogo de gato e rato que Beth Boland (Christina Hendricks) desenvolve com Rio (Manny Montana) no seriado da Netflix. Quanto mais motivos o bandido apresenta para ela temê-lo, mais ela se sente motivada.

"Um Drink no Inferno" (1996)
Fetiche: podolatria

Nesse filme cult dos anos 1990, dirigido pelo diretor e amigo Robert Rodriguez, o cineasta Quentin Tarantino não só teve a chance de se divertir atuando como a de divulgar para o mundo o seu maior fetiche: pés femininos. É famosa a sequência em que ele chupa o dedão da diva Salma Hayek. Nos filmes que dirige, volta e meia a podolatria de Tarantino surge em cena: em Kill Bill - Volume 1 e 2 (2003/2004), os pés de Uma Thurman vez ou outra são "acariciados" pela câmera. O mesmo acontece com as estrelas de "Jackie Brown" (1997) e "À Prova de Morte" (2007).

"Corpo em Evidência" (1993)
Parafilia: waxing ou wax play

Ninguém, na história da cultura pop, lutou tanto contra a quebra de barreiras em relação ao sexo quanto Madonna. Depois de chocar o mundo com o lançamento do álbum "Erotica" e do livro de fotos "Sex" em 1992, a cantora aproveitou todas as chances possíveis para exibir ao público um lado mais, digamos, sombrio do sexo. O universo BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) foi tema de vários trabalhos da artista, como o filme Corpo em Evidência, dirigido por Uli Edel, no qual ela interpreta Rebecca Carlson, adepta a jogos sadomasoquistas como o waxing. A prática, que consiste em "torturar" o parceiro com cera quente, pode ser conferida em uma das cenas mais quentes do thriller erótico - a famosa transa com Frank Dulaney (Willem Dafoe).

"Amizade Dolorida" (2019)
Parafilia: golden shower ou chuva dourada

Divulgação
Imagem: Divulgação

A série original da Netflix conta as desventuras da jovem dominatrix Tiff (Zoe Levin) e seu melhor amigo gay, Pete (Brendan Scannell), colegas dos tempos de colégio que se reencontram em Nova York e decidem ganhar dinheiro atendendo pessoas com fantasias BDSM, como a golden shower (ou chuva dourada). A prática, que cientificamente também recebe os nomes de urofilia, urolagnia e ondinismo, consiste em usar a urina para fins sexuais - falando em português bem claro, receber um jato de xixi no rosto ou na boca durante o sexo ou fazer isso com o parceiro. Estranhamentos à parte, é uma vivência mais comum do que se imagina.

"Sex Education" (2019)
Fetiche: roleplay

Uma das séries mais comentadas e elogiadas de 2019, esta outra produção original da Netflix se destaca por abordar as descobertas e vivências sexuais da adolescência de maneira crua, mas com boas sacadas de humor. Masturbação, aborto e relações homoafetivas são alguns dos temas abordados. Com sua obsessão em perder a virgindade, a doidinha Lily Iglehart (Tanya Reynolds) protagoniza algumas das cenas mais divertidas da série, como aquela em que aposta no roleplay - prática em que o casal se dispõe a interpretar personagens e forjar situações que podem ser bastante excitantes para o momento.

"Amor & Outras Drogas" (2010)
Parafilia: exibicionismo e voyeurismo

Nesse drama romântico dirigido por Edward Zwick, o representante farmacêutico Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) se apaixona por Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma garota que com apenas 26 anos já apresenta os sinais iniciais da doença de Parkinson. Os dois, em princípio, decidem engatar uma relação baseada apenas em sexo - e, por conta disso, passam boa parte da produção sem roupa. Em uma de suas brincadeiras eróticas, decidem se filmar transando. A prática pode ser vista como exibicionismo ou voyeurismo, dependendo de quem se mostra e de quem observa. No caso do filme, o olhar do público também acrescenta um elemento voyeur.

"Estômago" (2007)
Parafilia: feederismo

A pessoa que se enquadra aos desejos de feederismo costuma alimentar as parceiras com comidas gordurosas, repletas de carboidratos, sódio e outros aditivos engordativos. Mais comum entre homens, a parafilia revela o tesão por mulheres mais cheinhas e o prazer imensurável em alimentá-las. Impossível não lembrar do talentoso Raimundo Nonato (João Miguel) que, apaixonado, passa a usar os dotes culinários como moeda de troca das carícias da prostituta Iria (Fabiula Nascimento).

"Crash - Estranhos Prazeres" (1996)
Parafilias: dogging e periculofiliaOs "

doggers" (sim, a palavra remete a "dog", cachorro em inglês) curtem transar em lugares públicos, às vezes propositadamente na frente de terceiros para amplificar o tesão da experiência. Já a periculofilia envolve o prazer intenso propiciado por situações de extremo risco de ser flagrado. Some-se a essas parafilias o fetiche por carros e temos um dos filmes mais controversos de David Cronenberg. A história parte de uma premissa um tanto bizarra: após se envolver em um terrível acidente automobilístico, James Ballard (James Spader) vira amante da viúva do homem que morreu, vítima na tragédia. Os dois passam a integrar um grupo que reconstitui acidentes de carro, sem nenhum tipo de segurança, para deleite de uma plateia ávida por emoção. E, com a mulher, James passa a transar apenas dentro de automóveis.

"De Olhos Bem Fechados" (1999)
Fetiche: máscaras

A estranha reunião secreta presenciada pelo personagem de Tom Cruise no clássico do cultuado Stanley Kubrick prova o poder das máscaras no imaginário coletivo. Como estão todos fantasiados e mascarados na festa, há uma impressão no ar de que o fato de ocultarem a identidade dá permissão para as mais loucas fantasias. A máscara é um elemento recorrente para criar um clima de mistério e de estar vivendo algo profano ou proibido.

"Cinquenta Tons de Cinza" (2015)
Parafilia: BDSM

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Imagem: Divulgação

A versão cinematográfica de Sam Taylor-Johnson para o romance pornô-soft de E. L. James é uma pequena amostra, para as massas, de como funciona uma relação sadomasoquista. Chicotadas, olhos vendados, imobilização de membros e tapas no bumbum fazem parte do repertório do relacionamento entre a submissa Anastasia Steele (Dakota Johnson) e o magnata sádico Christian Grey (Jamie Dornan). Embora o filme tenha sido alvo de críticas pela maneira superficial com que tratou o universo BDSM, trata-se de uma forma suave de, pelo menos, ter uma noção sobre como as coisas funcionam (como o contrato entre escrava e dominador).

"Secretária" (2002)
Parafilia: jogos de humilhação

Com mais profundidade psicológica do que "Cinquenta Tons de Cinza", o filme também explora o relacionamento entre uma masoquista e um sádico. A diferença é que a personagem de Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal) se sente mais à vontade com as descobertas sobre sua sexualidade ao lado do chefe, o advogado E. Edward Grey (James Spader). Os jogos de humilhação desempenhados - como o fato de ele tratá-la, literalmente, como um animal - são mostrados como uma forma de comunicação, cumplicidade e vínculo entre os dois.

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