Topo

Universa

Mulher no sexo: será que dá pra ser submissa na cama e empoderada na vida?

Um fetiche é só uma preferência - Getty Images
Um fetiche é só uma preferência Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

19/11/2019 04h00

Não são poucas as mulheres que fantasiam ser dominadas na cama e permitir que o par dê ordens e faça tudo aquilo que deseja com elas. Conforme a experiência clínica de especialistas, aliás, essa é uma fantasia sexual feminina bastante comum. Porém, culpa e vergonha, ainda mais em tempos que valorizam o empoderamento feminino e discutem relações abusivas, são os principais fatores que as levam a esconder tais desejos.

Porém, um dos segredos para gozar de uma sexualidade plena e saudável é separar a sua vida privada da pública. Saiba que é possível, sim, vivenciar as duas coisas — a submissão na cama e o protagonismo na vida — sem conflito.

Segundo a psicóloga Raquel Fernandes Marques, da Clínica Anime, de São Paulo (SP), bancar a submissa no sexo não tem nada a ver com anular a própria identidade ou se desvalorizar perante o parceiro. "Quem é submisso de verdade entre quatro paredes reconhece a hora de se render e sabe impor limites. Na verdade, submissão sexual é um fetiche que atrai o desejo de algumas pessoas. Estamos falando de uma postura que alguém adota porque sente prazer assim. É um estilo de vida", explica.

Raquel lembra que, ao longo dos anos, as mulheres tiveram grandes conquistas: direito de voto, inserção no mercado de trabalho, ocupação em cargos de alto nível, independência financeira, controle do próprio corpo etc. "Em resumo, a mulher conquistou o direito de escolha e decidir ser submissa na cama não significa um retrocesso", afirma.

É válido lembrar que o grau de submissão varia de mulher para mulher e ainda de ocasião para ocasião. Há aquelas que apenas preferem deixar o parceiro comandar a situação, impondo carícias e posições, por exemplo. Para outras, porém, a função da da submissa dá mais tesão se for encenado com algemas, vendas e até castigos, ou seja, com uma pitada de BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo).

E não é porque uma garota decidiu ficar à mercê do par numa noite que não pode inverter os papéis e encarnar a dominatrix em outras circunstâncias.

Importante: tudo é acordado entre as partes, portanto, é consensual.

Para Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, do Rio de Janeiro (RJ), ao contrário do que se pensa optar por momentos de submissão é uma forma de demonstrar poder. "Sem dúvida alguma isso não tem influência no protagonismo na vida. Afinal de contas, uma fantasia sexual colocada em prática não deixa de ser uma manifestação do desejo e da vontade da mulher", diz.

Já a psicóloga clínica Rejane Sbrissa, de São Paulo (SP), chama a atenção para o fato de que a mulher precisa ter um bom nível de autoconhecimento para que a experiência seja prazeirosa. "Ela precisa saber quem é e o que quer e separar a fantasia sexual do plano da realidade. Ter em mente de que a fantasia de submissão é o que a excita e a leva ao orgasmo e que não interfere em nada na sua vida social e profissional é fundamental", conta. Essa diferenciação muda tudo o jogo.

6 dicas para quebrar o tabu

  1. Se liberte e seja feliz à sua maneira . "Não perca tempo pensando no que as pessoas diriam se soubesse disso ou daquilo, qual seria o julgamento delas, etc. Você é a única pessoa capaz de julgar o que é certo ou não para a sua vida", pontua Raquel.
  2. Lembre-se: não existe liberdade maior do que decidir o que fazer com o próprio corpo. Você pode escolher ser submissa na cama, mas não se esqueça que a decisão em estar ali foi sua. Assim, é preciso deixar as regras com o par bem claras para que se sinta respeitada. Partirá de você a decisão do que pode ou não pode fazer, além da hora de parar. Para sinalizar isso, muitas mulheres combinam com o par uma palavra específica que funciona como senha de segurança.
  3. Mesmo no papel de submissa, você é quem comanda. "Mesmo que a sua maior fantasia seja não ter que comandar nada na cama, ainda assim o controle não foge das suas mãos. Colocar uma fantasia em prática só mostra o seu poder de persuasão", fala Ellen. Seu corpo, suas regras.
  4. Abra o jogo com o parceiro. Sexo bom é aquele que começa com uma conversa franca e objetiva. "É claro que você precisa de um parceiro que embarque na sua, mas quer poder maior do que falar abertamente sobre suas fantasias e colocá-las em prática com alguém em quem confie? Não há expressão mais saudável de vida sexual", declara Ellen.
  5. Escolha bem com quem vai realizar a fantasia. "Revele seus desejos e vontades sem medo ou vergonha. A intimidade entre os envolvidos é essencial para que a mulher consiga se soltar e viver suas fantasias de maneira saudável. Quem estiver com você precisa saber que, justamente por ser uma mulher empoderada, se permite ter e colocar em prática as fantasias que lhe dão prazer", observa Rejane.
  6. Para ser bom, tem que ser consensual. Independente de qual for seu desejo sexual, certifique-se de que quem está ao seu lado se sinta confortável também, afinal na cama há trocas e por em prática seus desejos abre espaço para atender os do outro lado também. De resto, aproveite!

Universa