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8 motivos para Taylor Swift ter conquistado o título de "mulher da década"

Taylor Swift discursa ao receber prêmio no Billboard Women In Music 2019 - Getty Images
Taylor Swift discursa ao receber prêmio no Billboard Women In Music 2019 Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

21/12/2019 04h00

Se para a maioria dos mortais 2019 foi uma sucessão de perrengues dos mais diversos tipos, Taylor Swift não tem do que reclamar. A diva pop norte-americana que assopra as velinhas do 30º aniversário nesse dia 13 de dezembro encerra o ano plena, linda, rica e premiadíssima.

Ela foi homenageada como artista da década na 47ª edição do American Music Awards, em 24 de novembro, evento no qual também saiu com consagrada em outras três categorias: Artista do Ano, Cantora de Pop/Rock Favorita e Álbum de Pop/Rock Favorito por "Lover". Com isso, ultrapassou o recorde de Michael Jackson no AMA. Dois dias depois, no Video Music Awards, venceu as categorias de Clipe do Ano e Clipe com Mensagem por "You Need to Calm Down", atualizando a impressionante soma de 31 prêmios em toda a carreira.

Na verdade, já podemos considerar mais um: a "Billboard", a revista de música mais conceituada do mundo, a elegeu a "mulher da década". De acordo com a publicação, Taylor Swift é a primeira artista a receber esse troféu e "uma das artistas musicais mais talentosas ao longo dos anos 2010". A cerimônia de premiação acontece hoje (12) em Los Angeles, nos Estados Unidos. Durante a década, ela teve cinco álbuns no topo das paradas musicais, cinco músicas na Billboard Hot 100, fez três turnês em estádios lotados e obteve duas vezes o prêmio Billboard Woman of the Year.

Para fechar 2019 em grande estilo, a aclamada "Forbes" elegeu a estrela a celebridade mais bem paga do mundo e a mulher mais bem paga na música - o faturamento esse ano foi de U$ 185 milhões, mais que o dobro de Beyoncé (U$ 81 milhões), segunda colocada no ranking. A turnê do álbum "Reputation", considerada a maior bilheteria da história do país, arrecadou U$ 266 milhões. O novo contrato com a Universal Republic Records também foi um dos motivos apontados para o desempenho espetacular.

O fato é que, com apenas 13 anos de carreira, Taylor Swift é um verdadeiro fenômeno da indústria musical. Os títulos de artista e mulher da década são a validação máxima de uma carreira que, a despeito das polêmicas e dos percalços, tem sido muito bem gerida e pensada pela própria artista. Gostando ou não dela e/ou de seu trabalho, não dá para negar que a musa, que se apresentará no Brasil em 2020 com a turnê "Lover Out Now", merece cada conquista por uma série de fatores de sua própria responsabilidade:

1. Ela é extremamente talentosa

Nascida em Reading, na Pensilvânia (EUA), Taylor começou a carreira de cantora aos 16 anos pela gravadora Big Machine Records, em Nashville, a capital do country. Seu primeiro álbum, com seu próprio nome, foi lançado em 2006 e vendeu cinco milhões de cópias nos Estados Unidos. "Love Story", de "Fearless" (2008), conquistou o público teen e a consolidou no cenário pop. Além de cantar, ela toca violão, produz e compõe a maioria de suas canções.

Conforme sua carreira foi avançando, também aprendeu a dançar para clipes e shows. Taylor Swift ainda atua: fez participações especiais nos seriados "CSI: Crime Scene Investigation" (2007) e "New Girl" (2013), estrelou "Idas e Vindas do Amor" (2010) e poderá ser vista como a gata Bombalurina a partir do dia 19 em "Cats", filme inspirado no famoso musical da Broadway. O longa conta a história de um grupo de gatos de rua que competem para ver quem vai ganhar uma vida mais luxuosa. Em tempo: "Beautiful Ghosts", canção da cantora para a produção, foi indicada ao prêmio de Melhor Música para Filmes do 77º Globo de Ouro, que acontece no próximo dia 5 de janeiro. Será que Taylor vai dobrar a meta de prêmios na nova década?

2. Ela sabe administrar a própria imagem como ninguém

Um exemplo? Antes de lançar "Reputation", em 2017, ela excluiu todas as suas postagens no perfil do Instagram, um dos mais seguidos dessa rede social. Não se falou sobre outra coisa na época e a curiosidade a respeito do álbum só aumentou. O resultado não decepcionou e foi considerado por público e crítica um dos melhores discos do ano. Apesar de ser chamada de fria e calculista em suas estratégias — atributos que, convenhamos, têm um tanto de machismo por não serem dados frequentemente a artistas do sexo masculino — Taylor acompanha de perto cada decisão e, exigente, faz questão de também atuar como produtora. A cada novo trabalho, Taylor também repensa sua imagem para tornar tudo mais consistente. Jogar pistas para os fãs sobre novas faixas também é uma de suas estratégias para gerar repercussão.

3. Ela transforma críticas em hits

Taylor Swift é adepta da versão popstar da máxima "Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada" ao transformar opiniões ácidas sobre seu trabalho e tretas pessoais e profissionais em sucessos. "Shake it Off", de "1989" (2014), foi composta em parceria com Max Martin e Shellback e consiste num recado aos críticos que questionavam sua capacidade de cantar e as línguas ferinas que maldiziam sua agitada vida amorosa.

Em vez de se chatear, na música ela avisa que vai seguir em frente. Já o clipe de "Look What You Made Me Do", primeiro single de "Reputation", foi um verdadeiro deleite para os fãs ao ostentar uma série de referências e deboches sobre acontecimentos de sua carreira e vida pessoal. Exemplos: cobras em menção à fama de "falsiane", dançarinos no papel de namorados, um look idêntico ao de Katy Perry (sua rival durante anos) e até uma banheira de diamantes, uma alusão ao seu "sofrimento" pelo término de inúmeros romances. Ao final, várias Taylor mostrando diferentes fases e looks de sua trajetória se debatem para chegar ao topo, uma gozação explícita sobre sua notória mania de se vitimizar. "Sinto muito, a velha Taylor não pode atender o telefone agora. Por quê? Oh, porque ela está morta!" é a frase que mostrou ao mundo que ela iniciava uma nova etapa - e que faria isso em sua vida quantas vezes quisesse.

4. Ela é um ícone fashion

Fashionista ao extremo, Taylor Swift tem refinado seu estilo ao longo dos anos. No início country, exibia longos cabelos encaracolados, vestidos suaves de alcinha e botas, ostentando uma aura de princesinha. Depois passou a se vestir, de modo geral, de um modo mais romântico e feminino, porém moderno.

É claro que, conforme o tema e a "cara" do álbum, a artista encarna personagens com uma pegada mais sensual - como a dominatrix do clipe de "Look What You Made Me Do" e a guerreira destemida de "Bad Blood". A maioria de seus figurinos ao vivo, como os looks das turnês "1989" e "Reputation" é desenhada pela estilista Jessica Jones, que também desenha roupas para tapetes vermelhos e passarelas. Com 1,78 metro de altura, dificilmente sua elegância passa despercebida nos "red carpet" mundo afora - fruto da parceria com o stylist Joseph Cassell, de quem é a principal cliente.

5. Ela tem um ótimo gosto para namorados

Calvin Harris, Tom Hiddleston, Jake Gyllenhaal, John Mayer, Joe Jonas, Taylor Lautner, Harry Styles e Eddie Redmayne são alguns dos nomes famosos com quem a cantora já namorou. Segundo rumores, ela está com o atual, o ator Joe Alwyn, desde 2016. "Lover" e "Paper Rings", do novo álbum, são dedicados a ele. Em entrevista ao "The Guardian" em agosto desse ano ela explicou que tem falando pouco sobre o namorado porque, quando o fez em outras ocasiões, as pessoas pensam que seus relacionamentos são discutíveis - e esse não é.

6. Ela escreve letras confessionais

Suas experiências pessoais com autoimagem e relacionamentos amorosos são a matéria-prima principal de suas letras. Embora os críticos volta e meia a acusem de capitalizar a própria dor - sendo que alguns, vale frisar, acham que ela é oportunista e simula o sofrimento - e de ser monotemática, as canções escritas por Taylor costumam acertar em cheio o coração dos fãs, que se identificam com as situações e apreciam não só as declarações românticas e melosas como as ironias e indiretas destinadas em cheio aos ex e aos desafetos. Em depoimento recente à revista "Rolling Stone", ela contou que prefere abrir o jogo sobre suas relações nas músicas em vez de abordar o assunto em entrevistas porque, assim, controla como as palavras são ditas.

7. Ela não se dobra aos percalços da indústria musical

Depois de muita briga pública com Scooter Braun, novo dono da gravadora Big Machine Group, na qual Taylor gravou seus primeiros seis álbuns, a diva pop conseguiu permissão para apresentar seus antigos sucessos no AMA. Braun estendeu a bandeira branca depois de ser xingado e até ameaçado de morte (!!) por fãs mais afoitos. Embora não tenha feito nenhuma menção à treta no evento, a cantora surgiu com uma camiseta com os títulos de todos os discos anteriores. Na parte de trás havia a palavra "fealess" (sem medo) e seu microfone trazia o nome de seu último álbum, "Lover", representando a liberdade de agora ter sua própria voz. Nesse ano, Taylor perdeu os direitos autorais dos primeiros álbuns e anunciou que vai regravá-los com novos arranjos.

Em 2016, ao subir ao palco do Grammy para receber o prêmio de melhor álbum do ano por "1989", foi bem direta em seu discurso: "Quero dizer a todas as mulheres jovens: haverá pessoas no caminho que tentarão desprezar o seu sucesso ou levar todos os créditos pelos seus êxitos ou pela sua fama. Mas se você focar no trabalho e não permitir que essas pessoas a menosprezem, um dia chegará ao seu destino, olhará à sua volta e saberá que foi você e aqueles que gostam de você que a colocaram no topo, e essa será a melhor sensação do mundo". As palavras tinham alvo certo: o rapper Kanye West, que em 2009 havia boicotado a premiação dela pelo Melhor Vídeo Feminino do ano no VMA e, após uma conciliação, bancou o macho escroto novamente e compôs uma música a chamando de "vadia".

8. Ela reconhece seus erros

Cobrada pela mídia e por fãs para se posicionar e se envolver politicamente desde que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA, Taylor tem falado mais sobre assunto e até revelou que votou em Barack Obama duas vezes. Disse, inclusive, que quer ajudar nas eleições de 2020. No VMA recente, fez um discurso alfinetando o atual governo, acusado de tomar medidas extremamente preconceituosas contra LGBTs, e comemorou o grande número de assinaturas da proposta da Lei de Igualdade, que está inscrita ao fim do clipe de "You Need to Calm Down".

O clipe, lançado em junho desse ano, selou as pazes com Katy Perry — que faz uma participação fofa e especial - depois de uma longa desavença envolvendo "roubo" de bailarinos e trocas de farpas. Tay também pediu desculpas - não aceitas - à atriz Camille Belle por tê-la ofendido na letra de "Better Than Revenge". Na época, Camille começou a namorar com Joe Jonas depois de ele romper com a loira, que ficou indignada. Anos depois, Taylor explicou que tinha apenas 18 anos na época que escreveu a letra e que a imaturidade a fazia acreditar que pessoas "roubam" namorados umas das outras.

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