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Mulheres repetem ato ensaiado de chilenas contra machismo em São Paulo

Nathália Geraldo

De Universa, em São Paulo

05/12/2019 19h53

"O capitalismo é um juiz que nos julga ao nascer e o nosso castigo é a violência que não vês; é feminicídio, impunidade pro meu assassino, é o estupro e a agressão". Os versos iniciais da versão brasileira de "Um estuprador em seu caminho" dão o tom ao protesto convocado pelo coletivo Mulheres em Luta no MASP na noite de hoje.

A manifestação ensaiada - inspirada no movimento do coletivo feminista chileno Las Tesis - é a segunda realizada na capital. Inicialmente, um grupo associado a Conlutas andou pela Avenida Paulista para denunciar o genocídio da população negra, a atuação da PM no massacre de Paraisópolis e medidas do governo Bolsonaro que "prejudicam o trabalhador" e de Doria na reforma da Previdência.

Mulheres em luta

Marcela Azevedo, porta-voz do coletivo Mulheres em Luta - Nathália Geraldo/Universa
Marcela Azevedo, porta-voz do coletivo Mulheres em Luta
Imagem: Nathália Geraldo/Universa

No vão do MASP, o protesto ganhou a força feminina. Cerca de 50 mulheres se posicionaram em fila ao lado do estandarte "Basta de violência machista" e de cartazes com histórias de vítimas de feminicídio como "Danielly, 52 anos, morta a facadas pelo marido numa praça de Araraquara" para dar início à coreografia.

A dona de casa Ana Paula Freire, 36 anos, protesta pela segunda vez pela causa feminista. Ela esteve também na quarta-feira com um grupo de mulheres que se reuniu no Largo da Batata e fez a mesma intervenção.

"Estamos aqui pelas mortes de Paraisópolis e pela violência contra a mulher. Tudo está relacionado, é violência do Estado".

Segundo Ana Paula, no protesto no Batata a palavra de ordem era "o patriarcado é um juiz". "O que eu considero mais abrangente, porque se acabar o capitalismo e não acabar o patriarcado não adianta nada".

A aposentada Eliana de Fátima, 65 anos, saiu de casa para protestar contra o massacre de Paraisópolis. Ao perceber a pauta do movimento, se uniu ao grupo para denunciar a violência contra mulher: "Tudo é luta".

O ensaio feito no próprio local e a execução da intervenção foram orientadas por uma das porta-vozes do movimento Mulheres em Luta Marcela Azevedo, que usava um megafone para ampliar a voz contra o patriarcado - e o capitalismo.

Direitos da mulher