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Masturbação diferente: um outro jeito de dar prazer para homens e mulheres

Estímulo anal feito por parceiros pode render muito prazer: como fazer? - VladOrlov/iStock
Estímulo anal feito por parceiros pode render muito prazer: como fazer? Imagem: VladOrlov/iStock

Christiane Ferreira

Colaboração para Universa

24/11/2019 04h00

Se a siririca é o ato de masturbar o clitóris, a vulva ou a região no entorno, a curirica ganhou esse apelido por remeter à manipulação anal, que pode trazer bastante prazer tanto para homens quanto para mulheres.

Toque no ânus ainda é tabu?

Carregada de muitos tabus e preconceitos, a área anal é cheia de terminações nervosas que, se bem massageadas, podem tornar a relação sexual mais excitante. "Homens adoram tocar o ânus das parceiras e vejo que alguns também gostam de receber carícias. No entanto, percebo que algumas mulheres ficam assustadas ou que perdem o tesão se o cara expressa tal desejo", comenta a psicóloga Raquel Mello, especialista em sexualidade humana.

O designer gráfico Gustavo*, 33 anos, gosta de ser manipulado no ânus, mas não é para todas as mulheres que tem coragem de pedir, ele confessa.

"O sexo ainda é visto como um tabu, principalmente quando falamos sobre práticas menos usuais. Quando a mulher tem a mente aberta é mais fácil. Comecei a prática com uma ex-namorada e fiquei bastante excitado", afirma ele, que gosta de beijos, lambidas e toque. Gustavo não teve coragem de experimentar um vibrador, mas diz que tem vontade.

"Adoro quando a mulher começa a estimular com o dedo e a língua enquanto toca meu pênis. É muito instigante."

Por que não pedir?

O medo de Gustavo não é sem fundamento. A sociedade machista, cheia de regras e repressões ditou que homens não podem ter prazer na área anal, pois isso colocaria em jogo a sua masculinidade — mas esse pensamento, de masculinidade tóxica, está mudando. Afinal, qualquer pessoa pode e tem o direito de encontrar seu prazer com liberdade.

Como fazer: relaxa para ter tesão

Mulheres e homens precisam se despir dos preconceitos e se jogar no prazer, para começar. "Esse é o primeiro passo. Tente se permitir. Depois, é possível contrair e relaxar o esfíncter externo, que é a parte do ânus. Ao fazer esses movimentos, o esfíncter interno automaticamente se relaxa para que não haja dor na penetração", explica a psicóloga e terapeuta sexual da plataforma Sexo Sem Dúvida, Gabriela Daltro.

Comece com a língua, depois siga para massagens com os dedos. Nos homens, a região entre o escroto e o ânus é bastante erógena. Nas mulheres, se o clitóris for estimulado junto, o prazer será maior no sexo anal.

A máxima "quanto mais preliminares, melhor" também vale nessa hora, explica a psicóloga Raquel Mello. Portanto, não tenha pressa em penetrar. A penetração nem precisa acontecer da primeira vez. Encare como uma área a ser explorada.

Além do dedo e da língua, plugs anais, vibradores penianos em tamanhos menores ou outros brinquedos ajudam a apimentar o clima. Ainda que a pessoa esteja relaxada, é importante usar lubrificantes à base de água, que são vendidos na farmácia — alguns possuem fórmula que esquenta.

O cuspe não tem muito efeito nessa hora — apesar de ser associado a fetiches —, pois seca rápido.

Para as mulheres que forem acariciar o parceiro, é importante aparar as unhas, para não causar fissura anal ou arranhão. Os lubrificantes com anestésicos não são recomendados. "Ao eliminar parte da dor, o prazer ficará prejudicado. Acho que o uso é muito pessoal, mas é preciso tomar cuidado pois, ao diminuir a dor, a penetração mais vigorosa pode causar traumas no local", ressalta a terapeuta sexual Gabriela Daltro.

Limpeza: tudo pronto para a prática

Para quem deseja fazer o sexo anal sem imprevistos, como eliminação de fezes, há duchas para essa finalidade vendidas em farmácias, apesar de ter uso controverso.

A recomendação é que não sejam introduzidos mais do que 10 centímetros do aparelho. No entanto, a lavagem não deve ser feita com muita frequência, pois pode alterar a flora intestinal.

"Às vezes, a limpeza não garante que incidentes não aconteçam. É preciso entender que faz parte da região. É possível que haja cheiro ou outras intercorrências, como a saída de fezes no pênis", afirma Gabriela Daltro.

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado

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