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'Sou escritora erótica e minhas aventuras sexuais viraram filme'

Escritora tem filmes inspirados em livros com contos reais - Reprodução
Escritora tem filmes inspirados em livros com contos reais Imagem: Reprodução

Marcos Candido

De Universa

22/10/2019 04h01

Um dia, o marido de Nalini Narayan, com quem estava junto havia 10 anos lhe perguntou: "Por que você não transforma isso em um livro?". O isso era a vida sexual agitada vivida pela esposa desde a descoberta da sexualidade.

Às vésperas dos 15 anos, Nalini, então com receio de perder a virgindade com um homem na adolescência, enroscou-se e teve a primeira vez com uma namoradinha da mesma idade. Foi o primeiro estágio de uma sexualidade sem as amarras que seu círculo social ou as imposições de gênero lhe determinavam. Assim, as experiências sexuais dela se tornaram escritos. Agora, ela tem uma novidade.

O canal Sexy Hot lançou, no início de outubro, um filme inspirado em três contos reais que são narrados no livro "Safada", publicado em 2018. As histórias são interpretadas por atores premiados pela indústria pornográfica brasileira, como o ator Loupan e a atriz Emme White. A dupla já ganhou troféu do prêmio "Sexy Hot", o "Oscar" do cinema pornô brasileiro.

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Imagem: Reprodução

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Em "Rafael, o Triatleta", os atores recriam o reencontro da escritora com um antigo colega de faculdade que soube da fama dela ao vê-la em reportagens na mídia. "Ele tinha um porte lindo. Até pela coisa anatômica dele. Achei um pouco chocante até", relembra.

Pornô feminista

Os filmes inspirados em seu livro, diz, são parte de um novo olhar dado aos filmes e conteúdos adultos. Nos últimos anos, parte da reivindicação feminista mirou nas más condições de trabalho e também em enredos sexistas no gênero pornográfico. Com isso, uma nova geração de atores e atrizes produz e tenta revolucionar a linguagem que costuma ser a primeira porta de entrada à sexualidade.

"Queríamos retratar um sexo menos acrobático. A mulher tem um orgasmo no final e é ela quem conduz a narrativa e sem os clichês da pornografia", diz.

A vida sexual narrada nos livros e filmes foi vivida em paralelo ao casamento, vivido em moldes monogâmicos. "Eu fugi do estereótipo contra as mulheres casadas. Só por que a mulher casou, virou santa? O homem que se casou comigo já sabia que sou assim", diz.

Casada e amando livremente, Nalini (foto) tem um interesse especial por orgias - Divulgação
Casada e amando livremente, Nalini (foto) tem um interesse especial por orgias
Imagem: Divulgação

Não à toa, o marido que a incentivou sabia que o casamento anterior de Nalini havia sido, em boa parte, uma espécie de trisal formado por uma amiga e o então companheiro. O trisal, porém, virou um quarteto. A 'quarta parte' trazida para o relacionamento se tornou, mais tarde, o atual marido de Nalini. Os dois se apaixonaram e uma relação a dois, ainda mais livre, floresceu. As experiências cultivaram a vontade de escrever e analisar a sexualidade.

"Eu gosto mais de observar do que de ser observada. A mim, a suruba parece mais uma brincadeira despreocupada com o gozo. Uma coisa adolescente", diz. Até nesse ambiente, ela esbarrou em armadilhas de gênero. "Até na suruba, vi homens que achavam que as mulheres ali eram inválidas. Por que não podemos ter um olhar mais tropicalista? Ou menos exibicionista, que objetifique menos as mulheres?", afirma.

No conto "Fausto, o Pintor", ela mescla duas histórias vividas por ela em uma só. No final, o Fausto da trama original é colocado de canto: quem entra em cena são duas mulheres, as atrizes Emme White e Abhiyana.

Nos próximos meses, ela espera rodar uma sequência das aventuras sexuais e lançar em formato físico o livro que inspirou as narrativas em tela. "Tem um charme na minha vida. É uma vida boêmia, é uma vida mais hedonista."

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