Topo

Mães e filhos

Piolhos e selfie: por que a incidência está aumentando entre os mais jovens

O hábito de se aproximar para tirar selfie pode ajudar a disseminar piolhos entre crianças e adolescentes - Getty Images/iStockphoto
O hábito de se aproximar para tirar selfie pode ajudar a disseminar piolhos entre crianças e adolescentes Imagem: Getty Images/iStockphoto

Silvia Regina Sousa

Colaboração com Universa

13/08/2019 04h00

Sabe aquela brincadeira inocente e comum de juntar o grupo de amigos bem próximo uns dos outros para todos caberem na selfie? Pois bem, acredite que esse hábito, tão comum entre crianças e adolescentes, pode aumentar as chances de transmissão do piolho. Essa foi a constatação de um estudo realizado na Oxford University Hospitals NHS Foundation Trust.

Os pesquisadores analisaram o comportamento de mais de 200 jovens, separando-os em dois grupos. Um deles não usava tablets ou celular e o outro usava os dispositivos. Ao analisarem a porcentagem desses jovens que tiveram piolho, os estudiosos observaram que 29,5% do primeiro grupo sofreu com a doença, contra 62,5% do segundo grupo. Logo, os pesquisadores concluíram que crianças e adolescentes que possuem smartphones ou tablets têm duas vezes mais chances de sofrer com piolhos. "Isso por que, na hora de tirar uma foto, é comum que eles se reúnam muito próximos uns aos outros e essa proximidade facilita a transmissão do inseto entre as cabeças", explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O estudo ainda mostrou aumento nos níveis de infestação por piolho, já que metade das crianças que participaram da pesquisa tinha sofrido com a doença nos últimos cinco anos, número 22 vezes maior em comparação a estimativas anteriores, que ficavam entre 2 a 8% da população infantil. "Nós não podemos dizer que as selfies são a única causa para o aumento, podem existir outras razões. Mas também não dá para negar que há uma ligação entre esses dois fatores", diz Paola.

A única saída é prevenir. De que forma? A dermatologista orienta que, ao saber de algum caso de piolho, convém considerar proibir que as crianças usem o celular. Também os instrua para que não usem travesseiros, pentes, escovas de cabelo, bonés, toucas, chapéus ou capacetes de outras pessoas. "Ao contrário do que muitos pensam, cabelos limpos e cheirosos também podem ser infestados", alerta. As medidas são importantes porque eliminar o inseto dá um trabalho danado.

Piolhos mais resistentes

Como não voa, o piolho é transmitido de cabeça para cabeça por meio do contato. Coceira constante no couro cabeludo é um dos indícios de que o bichinho está por ali. Primeiro vêm as lêndeas, os ovinhos depositados pelas fêmeas que grudam no fio do cabelo. Cerca de 10 dias depois, os ovos eclodem, dando origem a novos piolhos que tem uma vida de, aproximadamente, 30 dias. Nesse tempo, eles se reproduzem sem parar.

O tratamento consiste em passar pente fino no cabelo - ele promove uma espécie de caça ao piolho -, usar remédios de uso tópico que atacam a membrana da célula do parasita, prejudicando sua mobilidade, e também fazer uso de medicamento via oral.

Hoje, o maior problema é lidar com a variabilidade genética do piolho - isso faz com que seja difícil acabar com eles com os medicamentos tópicos convencionais. "Uma universidade dos Estados Unidos demonstrou recentemente que os piolhos coletados por eles, em 30 estados americanos, apresentaram três mutações genéticas que fazem com alguns tenham maior resistência a essa classe de drogas", explica a dermatologista. Como o inseto não escolhe faixa etária para atacar, todo cuidado é pouco.

Mães e filhos