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Mães e filhos

Final de semana chegou: os dias de descanso são seus ou do seu filho?

Ficar em tempo integral com a criança no fim de semana pode não ser fácil para toda mãe - iStock
Ficar em tempo integral com a criança no fim de semana pode não ser fácil para toda mãe Imagem: iStock

Ana Bardella

Colaboração para Universa

09/08/2019 04h00

Quando os pais trabalham fora, é natural que queiram aproveitar o tempo livre ao lado das crianças. Mas há quem se sinta pressionado para compensar a ausência: e é justamente na ânsia de preencher os espaços de tempo que mora o perigo de exagerar. Afinal, o que não faltam são atividades: filmes, peças de teatro e brinquedos destinados ao público infantil, criados com o objetivo de entretê-los. Mas é mesmo necessário manter as crianças tão ocupadas? E o lazer dos adultos deve ser deixado sempre em segundo plano?

Ausência não deve gerar culpa

Sim, seu filho sente falta de você. "Crianças querem os pais sempre próximos: a diferença é que algumas manifestam esse desejo com mais intensidade do que outras", explica Ellen Moraes Senra, psicóloga e especialista em terapia cognitivo-comportamental. No entanto, o sentimento não deve ser superestimado. "Se não forem lembradas constantemente desta saudade, elas podem até chorar, mas depois começam a se distrair, voltam a brincar e cumprir as atividades do dia normalmente", relembra. Por isso, na opinião da psicóloga, as horas longe dos pequenos não devem ser encaradas como um motivo para sentir culpa, mas sim como uma consequência da organização familiar.

Luciana Brites, psicopedagoga do Instituto NeuroSaber, complementa reforçando a importância de dedicar um tempo de qualidade aos filhos. "Existem pais que passam o dia inteiro em casa, mas não conseguem se comunicar e nem interagir de maneira satisfatória com as crianças", diz. Ela explica que, diferentemente do que se pensa, o que torna os momentos marcantes não são as atividades propostas, mas a atenção dedicada aos pequenos. "Não é preciso levá-los ao cinema todo final de semana ou inventar uma atividade elaborada, por exemplo. É possível incluí-las na rotina, pedindo que ajudem a montar a mesa do jantar ou conversando no carro, durante o trajeto da escola".

Não gosto de brincar, e agora?

Mariana Dionisio tem 24 anos e é mãe do Leonardo, de 5. Ela conta que, apesar de assistir a alguns desenhos na televisão na companhia do filho, sente dificuldade em brincar com ele. "Quase nunca consigo me soltar com bonecos e carrinhos. Sei que são objetos com os quais eu tive contato quando era criança, mas fico travada. É estranho porque trabalho na área de marketing e uso a imaginação. Mas em casa, acabo me esquivando. Já me fiquei desconfortável muitas vezes por causa disso", conta.

Ellen reforça que, entre as mulheres, a culpa diante dessa dificuldade é maior. "Como na lógica machista cabe à mulher o papel de cuidadora da casa, pessoas deste sexo que não gostam de brincar com os filhos tendem a ser mais julgadas do que homens na mesma condição", diz.

Na opinião da psicopedagoga Regina Lima, existem alternativas para driblar a trava. "É possível reservar alguns minutos do dia para se dedicar a um jogo simples. Pode ser um jogo da memória, um quebra-cabeça ou algo que envolva movimentação, como uma bola de futebol", detalha. O importante é encontrar atividades que agradem ambas as partes. "É melhor chegar a um consenso do que é prazeroso, pois as crianças percebem quando os pais estão insatisfeitos ou impacientes na sua presença, o que pode magoá-las", completa Luciana.

Frustrações e obrigações fazem parte

Sabe aquele pulinho ao mercado que não pode esperar? Ou a fila do banco que demora para andar? Se a criança estiver por perto demonstrando irritação, o jeito é conversar. "Primeiro veja se há alguma atividade que ela possa cumprir, como ajudar a ticar os itens da lista de compras ou se existe algum brinquedo por perto com o qual possa se distrair. Caso não haja, explique que será necessário esperar", aconselha Ellen.

Da mesma forma, se um passeio que estava programado não pode mais acontecer, explique a ela os motivos e deixe que lide com a frustração. "É importante que os filhos aprendam a ouvir 'nãos' para que lidem bem com as situações negativas quando chegarem à vida adulta", reforça. Já se o problema for o tédio dentro de casa, estimule que a criança use a imaginação para escolher a próxima brincadeira -- ainda que ela aconteça sozinha. "Nos momentos ociosos trabalhamos mais a criatividade, por isso eles também são importantes", assegura Luciana.

Caso a vontade dos pais seja viajar, reunir amigos para um jantar ou curtir momentos a dois no casamento, Regina sugere deixá-los com alguém de confiança. "Adultos podem e devem continuar com a vida social. No entanto, precisam entender que certas atividades não são adequadas para crianças. Caso haja alguém para cuidar, não há mal em se separar por um curto período de tempo delas", reforça.

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