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Amigo de Clarice Falcão sofre homofobia e agressões em Uber: "Apontou arma"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Gustavo Frank

De Universa

25/07/2019 13h42

Resumo da notícia

  • A cantora Clarice Falcão usa o Twitter para denunciar ataque homofóbico sofrido por um amigo durante uma corrida do app Uber
  • Célio Junior estava acompanhado do namorado, Felipe, a mãe, Maria, e o afilhado no trajeto até a região Central do Rio de Janeiro
  • O motorista agrediu o roteirista e o namorado verbalmente e fisicamente com tapas, rasteiras e coronhadas com uma arma de fogo
  • Em comunicado, a Uber diz ter afastado o profissional e considerar inaceitável qualquer forma de discriminação

Na quarta-feira (24), Clarice Falcão usou o Twitter para cobrar um posicionamento da Uber após seu amigo Célio Junior e o namorado, Felipe, sofrerem homofobia e diversas agressões durante a corrida com um carro pedido pelo aplicativo na Praça 15, região central do Rio de Janeiro.

"Meu melhor amigo estava em um carro da Uber com a mãe, o namorado e o afilhado e foi fisicamente agredido pelo motorista armado enquanto era chamado de 'viadinho'. Ele levou uma coronhada na cabeça, o namorado levou um soco e uma rasteira", escreveu ela na publicação, que repercutiu rapidamente na rede social.

Agressões verbais e físicas

Em entrevista para Universa, o roteirista, de 29 anos, afirmou ter percebido o comportamento estranho do motorista desde que o encontrou no ponto de partida para a corrida, pedida pelo celular da mãe.

"Eu e meu namorado fomos primeiro até o carro, porque minha mãe tinha esquecido o casaco dela em casa. Eu e ele estávamos de mãos dadas e quando tentei abrir a porta do carro, ele não deixou. A partir dali achei estranho, então ele abriu a janela e disse: 'é para a Maria'. Avisei que era a minha mãe e ela já estava vindo", relembra.

Segundo Célio, ao longo da viagem, o motorista, que não foi identificado pela empresa, demonstrou estar incomodado com atitudes agressivas enquanto dirigia: "Ele ficava bufando, batendo no volante".

Assim que estavam próximos ao ponto final da viagem, Célio perguntou ao profissional se ele poderia deixá-los um pouco mais à frente do local sinalizado no aplicativo do celular, já que precisavam parar em uma farmácia próxima dali.

"Ele disse 'não, é aqui' e se recusou a deixar a gente onde pedimos. Enquanto saíamos do carro, eu falei: 'o senhor é muito mal-educado, não custava ter deixado minha mãe um pouco mais para a frente, ela é uma senhora de 70 anos", relembra. "Assim que saímos do carro ele abriu a janela do carro e começar a gritar 'viadinho' para mim".

Célio e a mãe então foram até a janela do motorista e conversaram com ele, que teria mantido a agressividade em suas reações: "Ele tentou avançar para cima de mim e na segunda tentativa deu um tapa na minha cara. Quando percebi que ele era violento de verdade, puxei minha mãe para ir embora".

Felipe, namorado de Célio, que também sofreu ataques do motorista do app - Arquivo Pessoal
Felipe, namorado de Célio, que também sofreu ataques do motorista do app
Imagem: Arquivo Pessoal

O motorista teria então saído do carro e confrontado Felipe, o namorado de Célio. Depois que a situação aparentemente estava controlada, ele teria voltado para o veículo e surgido com uma arma, ameaçando dispará-la.

"Ele apontou uma arma para o peito da minha mãe. Ela só pedia para ele não matar a gente. Puxei todo mundo para sair de lá. Quando estávamos de costas, ele deu uma rasteira no meu namorado, uma coronhada com o revólver na minha cabeça e entrou no carro de volta, ainda nos xingando."

Posicionamento da Uber

Após a repercussão do caso, proporcionada por Clarice Falcão, o carioca foi procurado pela Uber, mas, segundo Célio, a empresa não fez nada: "A minha sorte é que minha mãe é do grupo Mães pela Diversidade, então temos contato da Comissão da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Direitos Humanos. Estamos fazendo o contato com eles, que vão nos acompanhar até a delegacia".

A Universa, a Uber informou que o motorista foi desativado do aplicativo e a empresa considera inaceitável qualquer forma de violência e discriminação em suas viagens. Veja a íntegra:

"A Uber considera inaceitável qualquer forma de violência e de discriminação em viagens pelo aplicativo. O motorista citado foi desativado do app assim que soubemos do caso. Entramos em contato com o usuário para oferecer apoio e informar que seguimos à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

A empresa se orgulha em oferecer opções de mobilidade eficientes e acessíveis para todos - ao mesmo tempo em que oferece também uma oportunidade de geração de renda democrática, independente de credo, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero (sendo a primeira empresa de ridesharing que permite nome social na plataforma).

Fornecemos diversos materiais informativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito e frequentemente realizamos e apoiamos campanhas em favor da diversidade e do respeito como forma de conscientizar usuários, motoristas parceiros e a sociedade em geral. Um exemplo é a campanha 'Carnaval de Respeito, realizada em parceria com a ONG Plan International, que foi divulgada para milhões de usuários e motoristas.

Como empresa de aplicativos de Internet, a Uber está sujeita à legislação sobre esse tema, incluindo o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/ 2014), e só pode compartilhar dados respeitando essa legislação. O Marco Civil da Internet é a lei federal que regula qualquer tipo de compartilhamento de dados no Brasil e proíbe o compartilhamento de dados pessoais com terceiros, exceto nos casos expressamente previstos em lei."

Denúncia

Nesta quinta-feira (25), acompanhado de um representante da Comissão da OAB de Direitos Humanos, Célio Júnior registrará o boletim de ocorrência contra o agressor em uma delegacia no Rio de Janeiro.

"Eu sei que sou muito privilegiado só por ter uma rede de suporte perto de mim. Sou branco e de classe média alta. Se isso acontece comigo, imagina com quem tem menos privilégio do que eu. Se eu posso colocar a cara e denunciar, é isso o que eu vou fazer. Não por mim, porque eu agora estou bem, mas para mostrar como a Uber, que tem o maior carro da Parada e que sempre demonstra apoio à comunidade LGBTQ, na hora do vamos ver é relapsa e não se responsabiliza por nada."

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