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Fernando Grostein relembra homofobia: "Escolas foram omissas e covardes"

Fernando Grostein  - Reprodução/Instagram
Fernando Grostein Imagem: Reprodução/Instagram

Gustavo Frank

Da Universa

25/06/2019 04h00

"Contar uma história sempre tem o poder de jogar luz num canto escuro". Essa é a forma como Fernando Grostein vê seu trabalho como produtor e diretor de documentários. Ele assina, por exemplo, "Quebrando o Tabu", que discute o combate às drogas, e "Coração Vagabundo", filme que acompanha Caetano Veloso em uma turnê internacional --e o próprio cantor é o narrador da história.

Aos 38 anos, o paulistano fala sobre o orgulho de ser LGBTQ+ em suas publicações nas redes sociais, que servem, também, de ferramenta para divulgar seus projetos profissionais, além de, inevitavelmente, ser um canal para o público curioso sobre a intimidade do diretor e a do irmão famoso, o apresentador Luciano Huck.

"Na maioria dos casos, não me incomoda [a exposição relacionada ao irmão]. Entendo que os veículos precisam vender e não está fácil para ninguém. Entendo que, devido à correria, alguns jornalistas nem pesquisam sobre o meu trabalho e preferem me chamar de 'irmão do'. Faz parte, paciência. Como o Luciano carrega uma imensa admiração de grande parcela dos brasileiros, isso ganha outras proporções."

Fernando Grostein e Luciano Huck - Reprodução/Instagram
Fernando Grostein e Luciano Huck
Imagem: Reprodução/Instagram

Fernando montou um canal no YouTube para falar sobre histórias pessoais, como a homofobia, o bullying e saúde mental. "O vídeo 'Cê já se sentiu um ET?' foi o de maior repercussão. Por ter aberto minha intimidade --falei de temas difíceis como a homofobia interna e suicídio--, muitas famílias me escreveram. Jovens e pais. Todos agradecendo. Recebi mais de uma mensagem de pessoas que estavam pensando em se matar, mas o vídeo as ajudou."

Grostein já falou abertamente sobre ter sofrido homofobia na adolescência e nas agências de publicidade em que trabalhou. Hoje, acha importante contar a própria experiência com o preconceito para ajudar outras pessoas a sofrerem menos.

"As escolas em que eu estudei foram extremamente omissas e covardes. Pregavam uma humanidade que não praticavam. Fizeram vista grossa ao bullying e se ausentaram ao orientar os alunos. Tudo isso teve consequências devastadoras na minha vida, somando o ambiente conservador paulista onde eu cresci."

Grostein está falando sobre ter enfrentado a depressão ainda adolescente, época em que passou por o que ele chama de um "período de imenso vazio".

Fernando Grostein e Fernando Siqueira - Reprodução/Instagram
Fernando Grostein e Fernando Siqueira
Imagem: Reprodução/Instagram

"A situação me empurrou para os cantos mais escuros da existência, da depressão, da dor e do sofrimento. Minha adolescência foi uma grande mentira, uma perda de tempo. Mas isso passou. Foi justamente quando conheci o meu namorado, o Fernando Siqueira, que é 17 anos mais jovem, que consegui superar completamente a homofobia dentro de mim. Ele não só me iluminou com o amor e a bondade dele, mas com uma visão feliz e sem culpa [sobre ser gay], típica da geração dele".

Se pudesse voltar no tempo, Grostein fala que diria para si mesmo para ser mais tolerante com seus agressores: "Muitas pessoas legais e queridas praticam o mal sem perceber. Seja generoso com a burrice alheia, mas, antes de mais nada, com a sua felicidade. Não deixe outra pessoa cerceá-la."

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