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Mães e filhos

10 maneiras de apoiar a mãe que acabou de voltar da licença-maternidade

Se puder fazer home office de vez em quando, a vida melhora um pouco - iStock
Se puder fazer home office de vez em quando, a vida melhora um pouco Imagem: iStock

Claudia Dias

Colaboração para Universa

11/06/2019 04h00

Depois do baque que é o puerpério para as mulheres, vem um novo desafio: o fim da licença-maternidade. O retorno ao mercado de trabalho é hora de redefinir caminhos e perspectivas profissionais. A adaptação de volta à firma não costuma ser muito fácil, nem rápida. Isso sem contar nas pessoas que são demitidas logo que voltam para a empresa.

Mas pode ser uma fase menos complicada se elas receberem apoio em casa, no círculo social ou na empresa. Conhece alguém que está enfrentando essa barra? A seguir, listamos formas práticas de ajudar uma recém-mãe nesse momento.

Adiantar as tarefas de casa

Além de cuidar dos netos enquanto a filha estava fora, realidade de boa parte das avós brasileiras, Creuza do Vale Simon, mãe da coach de saúde e bem-estar Sandra Paton, teve papel fundamental na organização da casa, o que pode ser feito por qualquer pessoa próxima. "Ela deixava carne temperada para eu não demorar com o jantar, estendia a roupa que eu deixava de molho para só ter que dar uma passadinha e colocar nas gavetas à noite", ilustra Sandra, que tem dois filhos. Tudo bem que a vida de todo mundo é corrida, mas ajudar alguém nessas pequenas coisas não custa nada.

Permitir uma boa noite de sono

"Dormir com qualidade é essencial para que o corpo e a mente da mãe estejam descansados e ela tenha condições de enfrentar a jornada durante o dia", observa a pedagoga Giselle Roncada, pós-graduada em neuropsicopedagogia. Mas como dormir se o bebê acorda de hora em hora para mamar? Por isso, o parceiro costuma ser peça-chave, revezando os cuidados com o bebê na madrugada. Se por acaso a criança não receber mais o leite materno, há a alternativa de montar uma escala, definindo as noites em que pai e mãe serão responsáveis para dar mamadeira ao filhinho, enquanto o outro dorme a noite ininterruptamente. E mesmo se ainda mamar no peito: há a possibilidade de tirar o leite durante o dia e o pai dar no copinho e na mamadeira à noite.

Contar o que aconteceu com você

A bancária Semira Nascimento, 30 anos, lembra que as amigas que já eram mães a ajudaram bastante a entender o processo de volta ao trabalho. "Ouvindo as experiências delas, aprendi a lidar melhor com todos os sentimentos, inclusive a culpa, e a entender que não temos que dar conta de tudo sozinhas", comenta.

Não tornar a ordenha constrangedora

O ideal é a empresa ter uma sala de apoio à amamentação. Na falta do espaço, com a mulher tendo se adaptar para ordenhar seu leite durante o dia, os colegas podem cooperar, garantindo a ela privacidade. "Se a sala for compartilhada, os funcionários podem sair um pouco, ou reservar uma sala de reunião, deixando-a à vontade com sua bombinha. Isso reflete muito no bem-estar da mãe", exemplifica Poema Ribeiro, psicoterapeuta.

Ampliar o horário de almoço

Pela CLT, o trabalho contínuo acima de seis horas deve ter, obrigatoriamente, um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora e, no máximo, duas horas. Oferecer à mãe o intervalo maior pode permitir que ela vá até sua casa ou à creche e tenha um tempo extra para ficar com o bebê.

Manter a mãe informada

Quem fica com o bebê, seja um parente ou uma babá, não precisa esperar um pedido materno para dar notícias sobre o filho. Passar informações sobre como ele está ajuda a tranquilizar a mãe que, à distância, sente-se mais segura em relação ao bem-estar do pequeno. Isso reflete positivamente na sua rotina de trabalho

Ter (literalmente) mais paciência

Tanto no trabalho como em casa, as pessoas precisam ser mais pacientes. "Retomando sua profissão, a nova mamãe passará a ter dupla jornada de trabalho, ficará mais cansada e, consequentemente, aumentará o estresse", pontua a psicóloga clínica Cristiane Gueda. No emprego, os colegas e chefes não devem esperar que ela retome o ritmo de antes já nas primeiras semanas -- o tempo dela, nesse momento, é mais lento. A equipe precisa estar preparada até para falar mais devagar em vez de despejar informações para atualizá-la. No lar, o apoio psicológico vai se mostrar fundamental.

Liberar o home office

A artista plástica e ilustradora Helena Cortez, 37 anos, lembra como foi importante se sentir acolhida na equipe com quem trabalhava quando nasceram seus dois filhos. "Foram bem flexíveis em relação a horários. Ainda podia fazer home office quando as crianças tinham febre, mesmo se fosse por três dias seguidos. Eu era mais rigorosa comigo e com meus resultados do que eles", comenta.

Coordenar agendas

Sandra também diz ter feito muita diferença a colaboração dos chefes, que não a deixavam ficar além do horário previsto (em um rotina que costumava avançar o relógio) e a liberavam em todas as pontes de feriado, para que pudesse ficar com os filhos. Ainda permitiam ajustes na agenda. "Quando eu precisava levá-los ao pediatra, nunca eram marcadas apresentações importantes, no caso de eu não conseguir voltar a tempo. Deixava tudo sempre pronto, mas isso me dava um conforto enorme", opina.

Controlar o que fala

Essa é uma fase que muitas mulheres se sentem mal -- ou culpadas -- por não estarem mais com o filho em tempo integral. Nessas horas, um pitaco mal colocado afeta ainda mais o lado psicológico. Por isso, é importante que as pessoas não interfiram com comentários, piadinhas de mau gosto ou, o que é pior, julgamentos. Pense duas vezes antes de falar algo.

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