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Mães e filhos

Mãe de Luan, menino morto no metrô de São Paulo: "Fiz tudo pelo meu filho"

Lineia com os filhos Luan (à esquerda) e Isaque - Arquivo pessoal
Lineia com os filhos Luan (à esquerda) e Isaque Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

Da Universa

28/02/2019 04h00

Dois meses após perder o filho caçula, Luan Silva Oliveira, de 3 anos, atropelado por uma composição do metrô de São Paulo, a dona de casa Lineia Oliveira Silva, 25, contou à Universa como está retomando a vida. Ela, que sofreu um aborto após o episódio, planeja aumentar a família, voltar a estudar, já que parou na terceira série do Ensino Fundamental, e a trabalhar para dar uma casa melhor para os irmãos de Luan, de 7 e 9 anos.

No dia 23 de dezembro último, Lineia estava na companhia do marido, do sogro e dos três filhos seguindo de Guarulhos para o litoral. Num dado momento, o menino deixou sozinho o vagão, entrou num túnel e foi atropelado na estação Santa Cruz, Zona Sul da cidade. Luan morreu em decorrência de traumatismo crânio encefálico. 

Laudos do Instituto de Criminalística, feitos com base nas imagens do circuito de Câmeras do Metrô de São Paulo, mostram Lineia correndo atrás do filho, mas a porta imediatamente se fechou e o trem deu partida, isentando a mulher de qualquer culpa pela tragédia. Mas a dona de casa segue sendo julgada, conta ela, por pessoas próximas, inclusive:

Fiquei revoltada porque as pessoas viram meu filho chorando. Poderiam ter segurado o braço dele. Quando eu vejo uma criança na rua, sozinha, eu seguro, pergunto com quem ela está.

"Mas ao invés disso, as pessoas julgam, falam que não cuidei do meu filho, incluindo meu ex-marido e a mãe dele, que sequer apareceram no enterro. No início, realmente me senti assim, mas tenho consciência de que fiz tudo pelo meu filho". 

Lineia tatuou o nome do filho após sua morte - Arquivo pessoal
Lineia tatuou o nome do filho após sua morte
Imagem: Arquivo pessoal

Lineia separou-se do pai de seus filhos depois que Luan nasceu. Ela estava grávida de poucas semanas do atual marido, um operador de máquinas, mas perdeu o bebê em janeiro. O casal tenta ter outro.

"Estou me recuperando do aborto ainda. Mas meu sonho é dar um filho para meu marido", revela ela, antes de relembrar da última gestação.

"Fiquei tão feliz quando soube que estava grávida do Luan. Meu anjo", fala ela, que tatuou o nome da criança no braço.

Lineia está desempregada. Diz que pretende voltar a estudar e fazer curso de eletrônica, porque gosta de consertar coisas como televisão.

"Quero dar uma vida melhor para meus filhos. Faço o que posso por eles. Deixei de pagar conta para dar uma bicicletinha para o Luan. O que eu podia dar, eu dava". 

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