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Quem é Virginie Viard, a sucessora de Karl Lagerfeld na Chanel

Karl Lagerfeld e Virginie Viard - Getty Images
Karl Lagerfeld e Virginie Viard Imagem: Getty Images

Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

20/02/2019 11h49

Poucas horas após a morte do estilista Karl Lagerfeld nesta terça-feira (19) em Paris, a Chanel anunciou sua nova diretora criativa: Virginie Viard, braço direito do Kaiser e diretora do estúdio da grife até então.

Avessa à superexposição na mídia, ela se manteve, ao longo dos anos, discreta em suas declarações e distante dos holofotes ocupados por ele até assumir a coordenação e apresentação dos desfiles de alta-costura em janeiro, quando Karl se ausentou.

Há anos, porém, Virginie é uma das principais cabeças-pensantes da Chanel. Conheça sua história e seu trabalho:

O início de carreira: cinema e Chanel

Virginie Viard é francesa, nascida em 1969 em Dijon, filha de pais produtores de seda na região. A designer se formou em moda no prestigiado Le Cours Georges, em Lyon.

No início da sua carreira, sonhava criar figurinos para o cinema e se tornou, brevemente, assistente de Dominique Borg, na produção das peças para o filme "Camille Claudel" (1988), trabalho premiado com o César, o Oscar francês.

O encontro com Karl Lagerfeld em 1987, quando tinha 18 anos, mudaria seus rumos profissionais, no entanto. Neste ano, Virginie começou a estagiar na Chanel na área de bordados, como contou à revista francesa "Crash" em 2015.

Nos primeiros anos de sua passagem pela maison, ela ainda acumulou algumas colaborações para a sétima arte, entre elas os figurinos de "A Liberdade é Azul" (1993) e "A Igualdade é Branca" (1994) da famosa "Trilogia das Cores" de Krzysztof Kieslowski.

Mas o trabalho nas passarelas, aos poucos, ganhou protagonismo. Quando Karl reassumiu também a direção criativa da Chloé, em 1992, Virginie o seguiu até ali.

Ao retornar para a Chanel, em 1997, ela assumiu uma nova posição: a de coordenadora de alta-costura. Três anos depois, ela se tornaria também responsável pelo prêt-à-porter da grife. Desde então, ela era uma das quatro pessoas responsáveis pela concepção das coleções da icônica casa francesa.

A parceria estreita com Karl Lagerfeld

Karl Lagerfeld e Virginie Viard - Getty Images - Getty Images
Karl Lagerfeld e Virginie Viard
Imagem: Getty Images

"Eu coordeno os times, faço a ponte com fornecedores de materiais e escolho tecidos. É claro, faço as provas de roupas com o Karl. Assim que recebo os croquis dele, o processo começa. Tento agradá-lo, mas gosto de surpreendê-lo também", contou ela ao jornal "The Telegraph" sobre a dinâmica da dupla que dirigia a grife em 2017.

"Ela é maravilhosa porque, você sabe, é ela quem coordena tudo. É inacreditável o que ela faz", disse o próprio Kaiser à "Elle" britânica em 2014. No último ano, ele ainda reforçaria a importância da parceria entre os dois à edição americana da mesma publicação. "Nossa relação é essencial, duplicada por uma amizade muito real e por muita afeição", elogiou o estilista.

Mas ele não destacava apenas a amizade entre os dois. Durante as gravações do documentário "7 Days Out", da Netflix, o Kaiser assegurou: "Virginie é a pessoa mais importante, não só para mim, mas para todo o ateliê, para tudo. Ela é meu braço direito e, mesmo que eu não a veja, estamos o tempo todo no telefone."

Para ela, o trabalho na grife sempre foi 'intuitivo'. "Sinto que estou trabalhando da mesma maneira com que trabalhava há 20 anos. E tudo progride sem problemas porque, acima de tudo, nosso estúdio funciona com trabalho em equipe. Não sinto que sou 'a diretora'. Nossa hierarquia não é sentida pelo estúdio, apesar de os times contarem comigo, claro", ainda completou ela à "Crash", apesar de garantir que a última palavra era sempre de Karl.

A ascensão à diretora criativa

Era consenso entre experts em moda e em publicações especializadas, nos últimos anos, que a sucessão de Karl Lagerfeld na Chanel seria uma questão complexa, principalmente devido ao estilo marcante do estilista, que se tornou ao longo de mais de 30 anos, quase tão sinônimo da maison quanto sua fundadora, Coco Chanel.

Quem poderia então assumir o trabalho efetivamente e não descaracterizar a grife?

Alguns nomes foram cotados, especialmente desde janeiro, quando Karl se ausentou de dois desfiles pela primeira vez em sua carreira. Entre os dois mais fortes estavam Hedi Slimane, cujos ternos inspiraram o alemão a perder 40 kg, e Marc Jacobs, que já havia declarado à "New York Magazine", em 2005, sonhar com a posição.

"Se há alguma coisa que me dá uma 'coceira' atrás da orelha, de vez em quando, é este cargo. Este é o único, o maior, trabalho", afirmou.

A opção por Virginie, em meio aos principais nomes -- masculinos -- da indústria é vista como uma escolha pela continuidade do trabalho da dupla e pela valorização da fidelidade que a estilista entregou à grife durante quase 30 anos. Assim como Karl, ela gosta de trazer referências de outras artes para a moda e deve voltar a investir nesta mistura nas próximas coleções.

À "Grazia" francesa, a diretora afirmou encarar seu trabalho como o de um arqueólogo. Entre suas paixões estão os usos de acessórios, o toque rock 'n' roll misturado ao romantismo, que vai das camisetas vintages dos anos 70 aos vestidos de guipure (um tipo de renda).

"Minha abordagem é sempre muito visual. Eu amo os livros, os cadernos de desenhos, a recomposição de um universo."

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