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A vontade de comer pão quentinho virou um negócio que faturou R$ 1,5 milhão

Letícia Pontes enfrentou dificuldade durante a maternidade, mas investiu em um padaria drive-thru e faturou primeiro milhão - Arquivo pessoal
Letícia Pontes enfrentou dificuldade durante a maternidade, mas investiu em um padaria drive-thru e faturou primeiro milhão Imagem: Arquivo pessoal

Carolina Prado e Simone Cunha

Colaboração para a Universa

13/02/2019 04h00

Letícia Pontes Nascimento, 32 anos, formou-se engenheira agrônoma e trabalhou nessa área por seis anos. Natural de Sete Lagoas, Minas Gerais, tinha uma carreira promissora, porém, não se sentia completa. Um bom cargo e um salário compatível não garantiam a realização profissional que almejava. "Eu me especializei em uma área que não era para mim, sempre quis empreender, só não sabia em quê", conta.

O nascimento da filha, hoje com seis anos, foi sua melhor desculpa para sair do mercado. "Fui julgada e senti receio do que as pessoas pensariam, pois não é comum alguém abrir mão de uma carreira assim. Mas estava alinhada com o meu marido e com o meu propósito. Sabia que poderia fazer algo maior", diz.

A saída do emprego fixo bagunçou o orçamento familiar. Foi uma fase de restrições. "É o peso da escolha consciente de se abrir mão de uma renda mensal", diz.

Foram dois anos em uma busca incessante de negócios promissores. Ela não sabia exatamente o que queria fazer, mas tinha vontade de investir na área de alimentação. Por isso, sua primeira tentativa foi vender pão de queijo na porta da escola da filha."Mas ainda não me sentia apaixonada por essa ideia", lembra. 

Necessidade pessoal virou uma grande ideia

A mineira mudou-se, então, para Sorocaba (interior de São Paulo), onde fazia suas pesquisas de mercado e, em paralelo, mantinha sua rotina de dona de casa e mãe. E, para facilitar seu dia a dia, ia ao supermercado uma vez por semana para comprar tudo o que precisava.

"Com bebê, dá trabalho ir às compras sempre que falta alguma coisa, mas acabei travando uma guerra com o pão de forma. Não aguentava mais comer aquilo. Queria muito um pãozinho fresco de vez em quando, para beber com café recém-coado", diz. Algo simples, mas que para muitas mulheres com filho pequeno em casa pode ser uma tremenda dificuldade.

Ela se lembra do dia em colocou a pequena no bebê conforto para ir à padaria mais próxima. Aguentou a choradeira da criança, irrequieta durante o trajeto, porém, quando chegou ao seu destino, a filha já havia dormido.

Foi nesse momento que Letícia decidiu a que se dedicaria: a um negócio que tornasse mais prática a compra do item, para as mães e para todos os que quisessem mais agilidade nessa tarefa. Daí nascia a ideia de investir em um modelo de padaria drive-thru.

Para transformar o sonho em realidade, ela investiu cerca de R$ 400 mil. "Tive que refinanciar meu imóvel, vender carro, recorrer a empréstimos. Afinal, sem sacrifício, fica difícil concretizar nossas ideias", afirma.

Ela quer expandir o negócio    

No próximo mês de abril, a Santa Janela, como ela batizou sua marca, completa três anos de existência. No ano passado, o faturamento chegou a R$ 1,5 milhão e, neste ano, a expectativa é expandir a marca por meio de franquias. Mas Letícia não quer apostar em um negócio em grande escala. Ela quer encontrar os locais e as pessoas certas para darem continuidade ao seu projeto, em cidades do interior paulista e em Minas Gerais.

"Será uma avaliação minuciosa, por isso, a expectativa é de que, até o final do ano, a marca tenha mais duas ou três unidades", diz.

Atualmente, o valor médio para adquirir uma franquia da Santa Janela é de R$ 500 mil, com todos os valores inclusos: construção/obra, equipamentos, taxa de franquia, estoque inicial e capital de giro.

Investimento em aprendizado

Para ela, o grande diferencial da padaria está no atendimento. Letícia não poupou esforços e investimentos para atingir esse nível de excelência e, com a ajuda de uma consultoria empresarial, fez ajustes em sua operação, o que lhe rendeu um novo posicionamento e retorno em lucratividade. "Não dá para economizar nisso: cursos e formação de equipe são essenciais em qualquer empresa", afirma.

A consultoria especializada a fez perceber, por exemplo, que era preciso manter um cardápio de qualidade, porém, enxuto. Segundo Letícia, uma padaria convencional pode ter até 3.000 itens e, na Santa Janela, são apenas 200.

A ideia é facilitar a vida de quem vai ao local buscar o que precisa e deseja ganhar tempo dentro da loja. No entanto, no cardápio também existem produtos queridinhos, como o pão de queijo, o pão francês, claro, e o croissant de chocolate.

"Só de pães, comercializamos 1.200 unidades por dia", diz. Letícia conta que diminuir o cardápio foi fácil, mas era preciso fazer uma seleção inteligente, deixando os produtos certos. E acredita que, graças ao estudo feito pela consultoria externa, conseguiu atingir essa meta.

Hoje, ela atende 10 mil clientes por mês no drive-thru e em um pequeno espaço criado para receber o público. A maioria de seus clientes é mulher e 80% ainda prefere utilizar o serviço pegue e pague.

Segundo a empresária, investir em um negócio exige mais coragem do que dinheiro. Também é preciso ter planejamento para manter uma evolução contínua. "Digo que tem que mexer em time que está ganhando, sim, para antecipar as necessidades do mercado", diz.

Ela comenta que as principais dificuldades costumam estar ligadas à gestão, pois as pessoas gastam energia demais apagando incêndios.

"Para crescer, não pode ficar apenas no operacional, precisa se dedicar à estratégia, realizando um planejamento do tempo. As necessidades mudam e sempre é preciso apresentar coisas novas aos clientes".

Letícia afirma que o seu objetivo não é apenas vender pão, mas deixar a vida do cliente mais prática. Tanto que o estabelecimento funciona todos os dias da semana, das seis da manhã à meia-noite. "É importante empreender em algo que realmente acredita, pois o volume de trabalho é grande e há altos e baixos financeiros. Porém, quando o trabalho é bem feito, o reconhecimento vem naturalmente", finaliza.