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Mãe aos 50, Janet Jackson abre discussão: gravidez tardia é arriscada?

Aos 50 anos, a cantora Janet Jackson deu à luz o primeiro filho, o menino Eissa - Reprodução/Revista "People"
Aos 50 anos, a cantora Janet Jackson deu à luz o primeiro filho, o menino Eissa Imagem: Reprodução/Revista "People"

Adriana Nogueira

Do UOL

05/01/2017 13h33

Aos 50 anos, a cantora Janet Jackson deu à luz o primeiro filho nesta terça-feira (4) e levantou discussão sobre o conceito de gravidez tardia. Em comunicado oficial, a artista anunciou que teve um “parto saudável”. 

Apesar de causar estranhamento, o termo "gravidez tardia" é usado pela literatura médica para mulheres que engravidam depois dos 35 anos. Teria a medicina chegado a um ponto que garantiria com segurança que as mulheres podem adiar a gravidez?

No entanto, o limite para engravidar está mais flexível. “É uma quebra de paradigmas, mas, é fato, que engravidar aos 40 é melhor”, afirma o obstetra Eduardo Motta, do Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Apesar da declaração, Motta fala que nem toda gestação aos 50 está fadada a problemas, mas há etapas a serem vencidas.

Como engravidar aos 50?

Uma gravidez por vias naturais nessa idade é, nas palavras do obstetra do Santa Joana, "como ganhar na Mega Sena da Virada". Embora o especialista reconheça pela experiência clínica que as mulheres estão entrando mais tarde na menopausa. Antes, a idade média era 48 anos e, hoje, está por volta dos 54.

Sergio Podgaec, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, também na capital paulista, diz que a chance de uma mulher por volta dos 43 ou 44 anos engravidar é de uma para cem.
Além de vencer essa dificuldade, a candidata a mãe terá de lidar com uma questão: a qualidade de seus óvulos. “A chance de que o bebê nasça com uma síndrome [como a de Down] é de mais de 50%”, declara Motta.

Nessa faixa etária, a solução mais comum é a fertilização com óvulos de uma doadora mais jovem.

Boa saúde

Uma gestação, sem sustos, nessa idade tem como pré-requisito que a futura mãe esteja com boa saúde e não tenha doenças como diabetes e hipertensão. Isso porque, só pela idade, ela já terá mais chance de desenvolver esses dois males. Um check-up detalhado –com exames laboratoriais e de imagem— podem mostrar isso, antes de a mulher engravidar, seja pela via natural ou não.

Acompanhamento

Não há um protocolo que defenda um acompanhamento mais rigoroso no pré-natal das mulheres acima de 50 anos. A conduta depende do estado da futura mãe –que pode ter começado a gravidez sem nenhuma doença preexistente e desenvolver algum problema ao longo do tempo— e do médico que a acompanha.

Motta, do Santa Joana, diz que prefere, a partir de 20 semanas, ou seja, metade da gestação, diminuir o intervalo entre as consultas e aumentar o número de ultrassons. “Assim, qualquer alteração que sinalize aumento de pressão arterial e de glicose [que pode ser sinal de diabetes], já podemos intervir.”

O acompanhamento também é importante, pois, pela idade materna, há risco de que ela entre em trabalho de parto prematuramente.

Como fica o bebê?

Se o estado de saúde da mãe estiver em dia, o fato de ela ter 50 anos não terá nenhum impacto sobre ele –salvo os casos de má-formação e síndromes.

O que diz a lei?

Em 2013, o CFM (Conselho Federal de Medicina) divulgou resolução que estabelecia os 50 anos como idade limite para que a mulher se submetesse a procedimentos de reprodução assistida.

A regulamentação foi alvo de críticas, por ferir o direito do livre arbítrio, e caiu em 2015. Em uma atualização, o órgão retirou a idade máxima, mas determinou que mulheres dessa faixa etária precisam de autorização de um médico responsável --de quem devem receber informações sobre os riscos da gestação--, antes de submeter a uma fertilização.

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