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Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Pai do meu filho me abandonou quando engravidei. Devo voltar com ele?'

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Imagem: Pexels
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Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

18/09/2021 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

No ano passado, eu conheci um rapaz no trabalho, e começamos a ficar casualmente. Com o tempo, me dei conta que estava realmente gostando dele. Ficamos nessa por quase três meses. Dias depois do término, descobri que estava grávida. Contei e ele disse que iria me ajudar com nosso bebê. Mas não passou uma semana e ele apareceu em um relacionamento sério com uma moça. Isso acabou comigo, eu tinha sentimentos por ele e estava grávida. Com o passar das semanas, ele foi se afastando e deixando claro que não queria muito saber da gravidez. Com 6 meses de gestação, procurei-o para contar que teríamos um menino. Ele ficou feliz, porém pediu um teste de DNA. Levei o restante da minha gestação sozinha. Meses depois meu filho nasceu, e eu entrei em contato para avisar que podíamos fazer o exame de DNA. Então ele sumiu por semanas, e só apareceu para dizer que estava sem dinheiro e que era melhor eu entrar com um processo na justiça para ele reconhecer a paternidade, o que eu não queria. Por isso, decidi eu mesma pagar o exame de DNA. Fui atrás do melhor laboratório, marquei a data e paguei o valor do exame - e ele sumiu de novo. Não me atendia, me bloqueou no Facebook. Foi então que decidi tomar uma medida drástica e procurar a família dele. Para minha surpresa, a família sabia da gestação, mas não tinha o meu contato. Eu fui muito bem acolhida por todos. A mãe dele até chorou envergonhada pelas atitudes do filho. Foi por isso que ele resolveu aparecer no exame. O resultado mostrou o que eu já sabia, que ele é o pai. Desde então parece estar muito arrependido pelo que fez. Ele assumiu nosso filho, veio na minha casa se desculpar e conversar com meus pais e tem se mostrado um pai maravilhoso. Ele vem diariamente aqui e com esse contato tudo ficou confuso entre nós de novo. Começou com olhares, toques até que nós acabamos ficando! Eu me sinto péssima por isso, porque ele tem namorada. Eu fico mal e digo a ele que não vou ser a amante, e ele diz que vai terminar pois quer ficar comigo, mas não termina nunca. Eu me sinto uma grade idiota e uma vagabunda da pior qualidade por ficar com ele sendo que ele namora e depois de tudo que ele me fez passar. O que eu faço?
- Que pai é esse?

- Cara Que pai é esse
Existe um lugar especial reservado no inferno para homens que abandonam as mulheres que eles engravidaram. Até onde eu sei, esse filho não foi feito por geração espontânea. Acho que, para além de todo esse rolo, você deve sempre manter em mente que esse rapaz foi capaz de fazer isso com você - o que diz mais sobre ele do que qualquer outra coisa. Para piorar, ele passou meses duvidando da paternidade da criança, ou então (o que eu acho que era o caso) tentando dar um jeito de não pagar pensão. Além de te machucar, ele também não viu nenhum problema em tentar lesar o próprio filho. Dito isso, agora você terá que lidar com esse homem para sempre, como pai do seu filho. Nesse sentido, é legal que vocês tenham uma boa relação, pelo bem da criança que vocês criarão juntos. Mas uma boa relação não é necessariamente uma relação amorosa. A namorada dele é o menor dos seus problemas. Acredito que ele vai continuar tentando tomar as escolhas mais confortáveis (e covardes), até ser levado a fazer a coisa certa - que, nesse caso, é escolher uma de vocês duas. Por isso, no mundo ideal, você seria a pessoa a dar os limites e estabelecer os termos apenas cordiais desse relacionamento. Imagino que no momento você esteja sonhando com a ideia de ficar com ele e possibilitar que vocês três sejam uma família, o que de fato pode parecer muito atraente. Mas não importa se vocês ficarem juntos ou não, tenha em mente que essa criatura já abandonou o filho uma vez, e que ele pode fazê-lo de novo. Lembre-se sempre disso para poder proteger o seu bebê.

Eu tenho 29 anos, namoro há 5 anos e vamos nos casar no ano que vem. Sempre conversamos sobre o assunto filhos, e concordamos que queríamos ter muitos depois do casamento. Mas, agora que está chegando perto, eu estou começando a mudar de ideia. Não consigo me imaginar engravidando, parando de trabalhar, mudando a minha vida. Mas não consigo também falar isso pra ele. O que eu faço?
- Fechada para balanço

- Cara Fechada para balanço
Ter ou não ter filhos é um dos temas que costumam terminar relacionamentos quando as duas partes não conseguem entrar em um acordo. Como você passou a vida querendo ter filhos e teve uma mudança de opinião recente, eu diria para você dar um tempo para si mesma para descobrir se essa sua nova vontade veio para ficar. Felizmente, você ainda tem tempo. Vinte e nove anos ainda é uma idade na qual você pode esperar uns bons anos antes de bater o martelo. Pense também que você não precisa abandonar a sua vida antiga se tiver filhos. Quem disse que você precisa parar de trabalhar? Grande parte das mulheres volta a trabalhar depois de alguns meses e, se a expectativa de vocês dois é que você vire dona de casa, isso sim é algo estrutural que pode e deve ser mudado. De qualquer jeito, sim, o seu noivo precisa saber desse seu processo antes que vocês se casem. Ele precisa saber que a porteira reprodutiva não será aberta assim que vocês disserem o "sim" no altar. E o mais importante: ele precisa saber que existe a possibilidade de você perceber que realmente não quer ter filhos jamais. Isso pode levar ao fim da relação, claro. Mas não seria justo com ninguém, se vocês dois entrarem em um casamento fadado a uma frustração desse tamanho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL