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Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Socorro, sou garota de programa e me apaixonei por um cliente"

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Imagem: Pexels
Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

18/06/2021 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Olá, sou garota de programa e me apaixonei por um cliente. Bom, não posso dizer que só eu me apaixonei porque ele também demonstra gostar de mim. Eu sempre cobro e o programa não sai de graça - aliás, eu faço o máximo para não confundir meu trabalho com interesses pessoais. Ele ainda não sabe que eu gosto dele porque é bem recente. Às vezes, eu penso que ele pode estar me usando para ter sexo grátis, mas também percebo como eu faço bem a ele. Ele é médico e eu garota de programa, mas o jeito que a gente se olha não é apenas de tesão e desejo, eu sinto que não? Passamos o dia dos namorados juntos no apê dele, e agora já faz dois dias que ele não me manda nada. Na verdade, ele nunca foi de mandar coisas, mas a gente saiu bastante nessas últimas semanas. Querendo ou não, ele ainda é cliente e eu também não mando mensagens, só respondo quando eles me procuram. Enfim, não sei se é carência, só sei que eu estou com esse homem na cabeça e não sai.
- Mulher de vida nada fácil

- Cara mulher de vida nada fácil
Que história complicada - e clássica - você está vivendo. Não tem como eu saber se essa impressão que você tem - de que existe algo a mais entre vocês do que apenas sexo pago - é verdadeira, então vou me atrelar aos fatos. Você é uma profissional que está prestando um serviço e se apaixonou por um cliente. Em qualquer profissão, já seria complicado manter o profissionalismo. Na sua, que envolve contato físico, intimidade e troca de afeto, é triplamente difícil separar as coisas. Vocês realmente estão se vendo bastante, mas nas suas condições não dá para entender isso como um indicativo de aproximação. Para piorar, lembre-se de que o cliente tem sempre "razão", no sentido de que é ele que dita o ritmo dos seus encontros e que você é o elo mais fraco dessa relação. Qualquer desagrado pode fazer ele parar de te procurar, o que te deixa numa situação muito vulnerável, ainda mais agora que você está emocionalmente envolvida. Eu acho que, para o seu bem, você deveria se afastar dele. Dificilmente essa história terá um final realmente feliz. Se quiser, diga antes que você se apaixonou e veja o que ele fala - mas faça isso com as menores expectativas possíveis.

Preciso de ajuda com o meu relacionamento. Acho que ele não se enquadra em um relacionamento abusivo, mas ele me faz sentir como se eu fosse uma inútil, uma imbecil e imprestável. Ele me chama de burra o termpo todo. Por qualquer briga, ele deixa claro como se eu fosse sempre a culpada. Como se eu fosse a causadora de tudo. Não sei mais o que fazer ou dizer, porque tenho que ficar me desculpando o tempo todo.
- Uma luz?

- Cara uma luz
Eu não conheço vocês para poder afirmar com toda certeza de que se trata de um relacionamento abusivo, mas o que eu sei é que tem algo muito errado aí, inclusive com todas as características de abuso. Sei que é difícil enxergar isso quando estamos envolvidos com a pessoa, mas é muito grave ele te chamar de burra. Pergunte para qualquer pessoa. Também é estatisticamente muito difícil que você esteja sempre errada nas discussões (pelo jeitão do seu namorado, é muito mais provável que é ele que esteja). Não dá para você passar a vida se desculpando por tudo. Primeiro, você precisa entender que o seu namorado não vai melhorar, e que, no mínimo, ele apresenta um risco à sua saúde mental. Comece a enxergar maneiras de sair desse relacionamento. Peça ajuda à sua família e amigos, para que eles possam te apoiar e estejam de sobreaviso quando você avisá-lo de que acabou. Tenha a conversa final em algum ambiente público, como uma praça ou algo assim. E boa sorte! Tenho certeza de que você vai encontrar alguém para namorar que não precise ficar destruindo a sua autoestima.

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL