PUBLICIDADE

Topo

Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Do Orkut ao Tinder: histórias de amor e desamor que começaram online

Getty Images
Imagem: Getty Images
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista de Universa

01/08/2021 04h00

Numa pesquisa conduzida pelo app de encontros Bumble, 72% dos jovens entrevistados sente que é plenamente possível se apaixonar por alguém que só conhece on-line. Esse levantamento foi feito na Índia e, é claro, que eu quis averiguar se, por aqui, acreditamos tanto assim no amor via fibra ótica.

Encomendei ao Sexlog uma pesquisa, que foi realizada com 4.500 pessoas e, aparentemente, o amor on-line tem o seu valor independentemente do continente:

79% respondeu que acha possível se apaixonar por alguém que conhece apenas on-line e, ainda, 40% acredita que dá pra se apaixonar sem nem ao menos ter visto uma foto do(a) pretendente.

As histórias de amor desse tipo não são poucas, já que 51% já ficou caidinho por alguém do outro lado da tela, com quem se comunicou via mensagem de texto na maior parte do tempo. Para 59% deles o final foi feliz! Apenas 9% se decepcionaram no encontro ao vivo enquanto 32% acabaram não concretizando o date.

A parte divertida fica por conta de quem topou compartilhar a sua história:

"Éramos de um Webchat adulto, ambos administadores. Nos conhecemos ali, bastante tempo de conversa, brincadeiras virtuais, até que o dono do Webchat organizou um encontro em SP (ela de Fortaleza, eu de SP). Consegui ir em cima da hora para esse encontro, muita expectativa e curiosidade. Enfim nos vimos pela primeira vez. Bem nervoso eu estava, mas fluiu tão bem que pouco depois passamos a morar juntos."

"A mina era fake de um cara, me falou meses depois que era uma mulher, a gente se encontrou e ficamos juntas durante 3 meses."

"Em 2001 nos conhecemos numa sala de bate-papo sobre fetiches, no Terra. Eu em João Pessoa, ele em São Paulo. Conversamos por chat e telefone, apaixonados, durante 3 meses antes de nos encontrarmos. Sem trocar fotos de rosto. Numa ida à São Paulo nos encontramos, achei ele muito novinho, mas era o mesmo cara divertido! Voltei pra Paraíba, continuamos conversando, cada vez mais apaixonados. Larguei um empregão, voltei pra SP, 4 anos depois tivemos nossa filha e ficamos mais 5 anos juntos. Nos separamos, mas nos damos muito bem."

"Não era pra ser um date. Em um telefone fixo recebi várias ligações por engano, mas ela ligou errado de novo. Gostei da voz e já mandei um "nada é por acaso", ela topou e nos conhecemos. Ficamos alguns meses juntos."

"Nos conhecemos na época do Orkut em uma comunidade de RPG, então usávamos fotos de personagens, não as nossas. Morando em estados diferentes, nos apaixonamos e namoramos à distância por 7 anos, nos encontrando uma vez por ano. Em 2017 fui morar na cidade dela e desde 2019 moramos juntos ."

"Conheci um homem on-line que parecia interessante, pessoalmente rolou uma química e saímos algumas vezes, mas depois ele contou que mentiu pra mim. A partir do nome descobri pela internet que era totalmente outra pessoa, nem nome, nem sobrenome, profissão, nada. Tudo mentira!"

"Conheci meu marido no finado mIRC há 17 anos atrás. Naquela época mandar foto era uma vida! Mas ele trabalhava numa lan house perto de casa e veio 2h da manhã pra gente se conhecer. Casamos 2 anos depois e temos um casal de filhos."

"Era um carinha do Tinder e na bio ele dizia que iria despertar sensações em mim jamais sentidas. Os dias foram passando e ele era realmente bom nisso. Eu me apaixonei, mas num belo dia acordei achando que era mais um golpe e decidi que aquilo não ia pra frente. Joguei a real pra ele e quando nos encontramos depois de uns 5 meses, ele tinha mal hálito. Não ficamos e hoje só conversamos por whatsapp."

E você, tem alguma boa história de paixão pra contar? Compartilha nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato