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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jovens sabem o que é consentimento mas cedem após não. Robô quer mudar isso

Mixmike/Getty Images
Imagem: Mixmike/Getty Images
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

28/09/2021 04h00

Responder com consciência a pergunta: 'por que eu faço sexo?' não é tão simples, ainda mais para quem está consolidando a sua identidade, desejando aprovação, afirmando-se no grupo ou está apaixonada(o). Para além de uma escolha autônoma, que tenha relação com a busca de prazer, podemos fazer sexo por uma série de razões.

Com o objetivo de provocar o tema entre jovens de 16 a 24 anos de maneira acessível, gratuita, inovadora e com informação de qualidade, a Talk2U criou a Paolla Santos, uma personagem-robô adolescente de 19 anos que interage pelo Whatsapp através de Inteligência artificial e usa a estratégia da "amiga" que conta uma situação relacionada a iniciação sexual para pedir ajuda para quem está do outro lado do app.

As primeiras relações afetivo-sexuais são repletas de insegurança. Não bastasse a interação dos corpos, que produz novas sensações, muitas emoções se apresentam: euforia, medo, entusiasmo, contentamento. O combo: ser amada + ser desejada, tem uma estreita relação com a construção social tradicional do feminino e por causa disso, muitas garotas tem dificuldade para negar práticas sexuais diante da insistência masculina.

Em um levantamento online feito pela empresa de impacto social Talk2U com garotas de 16 a 24 anos, apesar de 88% das jovens declararem saber o que é consentimento, 83% admitiram que já consentiram com algo para agradar a parceria e 67% acabaram cedendo a atividades íntimas depois de terem dito Não.

As principais razões para consentirem - que não o próprio desejo - foram: para agradar ou satisfazer a parceria, para não precisarem dizer não, porque se sentiram culpadas e como uma prova de amor. Para piorar esta realidade, segundo a OMS (2021) 27% das mulheres de 15 a 49 anos relatam ter sofrido violência por parceria íntima em ao menos um relacionamento.

Embora o tema do consentimento sexual esteja ganhando terreno, ainda não chega a todas as (os) jovens brasileiras (os). Poucas escolas abraçam o desafio de discutir a temática na esfera da sexualidade, adentrando para as relações de gênero e instigando reflexões que não sejam superficiais.

A partir da storytelling inicial, a interação entre a usuária (que deve ser maior de 16 anos) e Paolla tem 3 caminhos possíveis: uma relacionada a identidade no relacionamento, já que ela se apresenta com a sensação de que está "se perdendo". Há indícios de que o namorado esteja querendo controlar a sua roupa ou afastá-la das(os) amigas(os). Ao instigar a jovem amiga humana a pensar qual resposta ajudaria Paolla, o tema do empoderamento é abordado de maneira indireta. Outro caminho da conversa é sobre prevenção e o uso de preservativo, já que o namorado de Paolla é resistente. A terceira possibilidade na conversa com a personagem é sobre a experiência da primeira relação sexual.

A troca de mensagens com Paolla tem, além de texto, fotos e produções audiovisuais, tornando a experiência mais próxima das interações reais entre jovens. Aliás, a equipe idealizadora do projeto, que já fez parcerias com grandes organizações promotoras de saúde e proteção ao meio-ambiente usando a mesma estratégia digital, reconhece que falar com um robô de IA deixa os(as) jovens mais confortáveis quando o assunto é considerado "difícil".

Fazem parte do projeto algumas intervenções práticas mais direcionadas, que trabalharão habilidades importantes no processo de autoconhecimento e comunicação assertiva na conscientização de desejos e estabelecimento de limites, a fim de tornar as relações mais horizontais e promover a liberdade para consentir em qualquer situação.

As 3 primeiras habilidades serão: identificação de sentimentos, identificação de relações não saudáveis e comunicação assertiva.

As intervenções serão lançadas até o final de Outubro, com divulgação pelo Instagram @somostalk2u e diretamente pela conversa Whatsapp com Paolla, para quem já participou da experiência. Tá aí um ótimo exemplo de como a tecnologia pode ajudar na Educação em Sexualidade de jovens brasileiros(as).

Para conhecer e conversar com a Paolla, basta clicar no link: talk2u.co/paollasantos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL