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Como fãs de Anitta manipularam o algoritmo para levá-la ao topo do Spotify

Anitta no clipe de "Envolver" - Divulgação/Warner Music
Anitta no clipe de "Envolver" Imagem: Divulgação/Warner Music

Colaboração para Tilt*

12/04/2022 09h35Atualizada em 18/04/2022 12h03

"Envolver", de Anitta, chegou ao primeiro lugar no Top Global da plataforma de música Spotify em 25 de março, com 6,4 milhões de execuções (4,1 milhões vindas do Brasil). Desde então, o hit vem se mantendo entre as dez músicas mais ouvidas.

É mérito do empenho da cantora (que vem trabalhando com grandes artistas internacionais, como Cardi B e Madonna, para conseguir penetrar no mercado internacional) e de sua extensiva campanha de marketing, que incluiu inúmeros eventos e aparições na mídia norte-americana.

Mas também de uma inteligente campanha para afetar os algoritmos do aplicativo de música, que determinam quem vai para o topo dos "charts" (a gíria dos fãs de música pop para o ranking das canções mais ouvidas).

Em vez de assumir a autoria da iniciativa, o time de Anitta atribuiu a ação aos próprios fãs. Em 14 de março, sua conta no Twitter retuitou um seguidor que ensinava, passo a passo, como criar mais de uma conta e elaborar playlists em que "Envolver" tocaria várias vezes, ao longo de horas.

Era uma estratégia perfeita para driblar as exigências do Spotify - por exemplo, se você só clicar na música e apertar o botão de "repetição", os algoritmos conseguem detectar e não contabilizam o play.

"Envolver 20x"

Foi como um rastilho de pólvora: o site Rest of World identificou mais de 100 playlists com nomes como "Envolver #1", "Stream Envolver", "Envolver stream party", and "Envolver 20x". Muitas delas diziam na descrição que o objetivo era levar Anitta ao topo. Algumas traziam mais instruções "algoritmicamente corretas": "toque uma vez por dia, não deixe no modo aleatório e aumente o volume".

O ritmo da ascensão de Anitta também foi calculado. O Spotify publica seus rankings diariamente, e os dados foram utilizados para expandir a campanha de maneira orgânica, sem exageros. Qualquer disparada fora do comum poderia acionar um "sinal de alerta" no sistema, e considerá-lo injustamente o trabalho de bots, que são estritamente proibidos.

Neymar imita Anitta e dança Envolver - Reprodução - Reprodução
Neymar imita Anitta e dança Envolver
Imagem: Reprodução

Outros dois elementos-chaves foram o apoio de famosos e a viralização em plataformas como TikTok e Instagram. Celebridades incentivaram o "Envolver challenge" (desafio que fãs devem imitar): uma coreografia em posição de "prancha", com movimentos do quadril e dos braços. A execução da música nesses vídeos rápidos também é contabilizada para calcular sua posição nas paradas.

Essa manipulação das "regras do jogo" levantou discussões interessantes. A Folha de São Paulo verificou que, segundo os dados do próprio Spotify, a grande maioria dos ouvintes de Anitta eram do Brasil, e não dos países-alvo da cantora, que lançou "Envolver" especificamente com o objetivo de consolidar uma carreira internacional.

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