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Golpistas invadem Instagram para postar anúncios falsos de produtos baratos

Claudio Schwarz/ Unsplash
Imagem: Claudio Schwarz/ Unsplash

Vinícius de Melo

Colaboração para Tilt

11/01/2022 04h00

Sem tempo, irmão

  • Bandidos invadem contas no Instagram para anunciar produtos nos stories
  • Sem desconfiar, amigos e familiares fazem transferências para os golpistas
  • Vítimas reclamam da demora da rede social para recuperar o perfil e avisar os amigos
  • Instagram diz que trabalha em maneiras de impedir a invasão de hackers em contas de terceiros

Após o golpe da invasão do WhatsApp em que bandidos se passam por uma pessoa e pedem dinheiro para os contatos, há um novo que envolve o Instagram. Ele consiste em tomar a conta de alguém e tentar enganar as pessoas, oferecendo produtos nos Stories com preços bem abaixo dos praticados.

A diretora Natalia Warth, 38, teve seu perfil no Instagram invadido no último dia 4 de janeiro. Para ter acesso à conta na rede social, os bandidos a induziram a clicar em um link em que ela supostamente iria concorrer a um jantar no restaurante Escama, no Rio de Janeiro.

Em posse do perfil de Natalia, os golpistas publicaram stories oferecendo celulares, geladeira, televisão e videogames. A narrativa é que ela estaria se desapegando desses produtos, por isso o preço mais em conta.

Para se ter uma ideia, enquanto o iPhone 12 Pro Max de 256 GB é vendido por mais de R$ 8,3 mil no varejo, os bandidos ofereceram o aparelho por R$ 4,8 mil nos Stories da diretora. Acreditando se tratar de uma oferta imperdível, amigos e familiares acabaram fazendo a transferência.

Stories com falsos anúncios postados na conta de Natalia Warth, que foi vítima de golpistas - Reprodução - Reprodução
Stories com falsos anúncios postados na conta de Natalia Warth, que foi vítima de golpistas
Imagem: Reprodução

"Pelo menos três pessoas caíram no golpe. Algumas fizeram transferências de mais de R$ 5 mil", lamentou a Natalia. Segundo o levantamento que ela conseguiu fazer, para registrar um boletim de ocorrência, os prejuízos passam dos R$ 11 mil.

O dinheiro foi depositado em duas contas diferentes, uma do Itaú e outra do Nubank. "Eu só percebi o que havia acontecido quando uma pessoa que eu não falava havia muito tempo me telefonou. Comecei a tentar avisar as pessoas, mas algumas já haviam caído no golpe", lamentou.

A jornalista Liz Terra, 31, também passou pela mesma situação, no fim do ano passado. Ela teve a conta invadida em 22 de dezembro, após clicar em um link enviado por SMS por um suposto funcionário da empresa aérea LATAM.

"Voltei da minha lua de mel e minha mala foi extraviada. Foi aquele rolo com a companhia aérea, tinha que ficar ligando para eles e não tinha notícia. Recebi uma ligação no meio da tarde, de um suposto funcionário da LATAM dizendo que era sobre a minha bagagem. Ele confirmou a história [do extravio] e mandou um SMS para eu acompanhar a solicitação. No calor da emoção, eu cliquei no link", relembrou.

Segundo a jornalista, na hora ela percebeu que havia caído em um golpe e começou a chorar. "Corri para falar com o meu marido, que estava em casa. Ele entrou no meu perfil no Instagram e já estavam postando nos Stories", disse. Em posse da conta de Liz, um golpista ofereceu modelos de iPhone que supostamente teriam sido comprados no exterior durante a viagem de lua de mel e, por isso, vendidos mais barato.

Também foram publicadas ofertas de videogames, geladeiras, televisores, lava e seca e até mesmo uma mesa. Os produtos seriam de uma amiga da jornalista, que estava "desapegando" dos itens para se mudar, e isso justificaria o Pix em nome de uma terceira pessoa.

Liz tentou avisar os amigos por outras redes sociais, mas quatro pessoas caíram no golpe. Outras perceberam não se tratar da jornalista devido a alguns erros de português na escrita. "É meio bizarro a galera fazer Pix de mais de R$ 3 mil sem confirmar se sou eu ali. Todos me mandaram comprovante no WhatsApp, mas só depois de terem feito a transferência", alertou.

Dificuldades para recuperar a conta

Além da correria para alertar amigos sobre o golpe, Natalia está tendo problemas para conseguir suporte do Instagram e para recuperar a conta.

"Cheguei até onde todo mundo tem que fazer um vídeo selfie e, em um ou dois dias, o Instagram entra em contato com você para devolver a conta. Já fiz três vídeos até o momento e nada. O cara ainda está lá tentando vender coisas [para meus seguidores]", reclamou a diretora.

Liz teve sucesso em recuperar o seu perfil, mas acredita que foi porque o bandido devolveu a conta. "Eu não consegui me comunicar com o Instagram. Eu mandei mensagem para o número que o cara me ligou. Primeiro, ele me cobrou R$ 1 mil para devolver. Fui levando a conversa e, depois, ele mandou uma mensagem dizendo que havia devolvido a conta", disse.

A jornalista também chegou na etapa de enviar um vídeo selfie, mas não conseguiu finalizar a solicitação nenhuma vez.

Questionado sobre o processo de recuperação de contas, o Instagram respondeu em comunicado oficial que "trabalha na implementação de recursos para barrar o acesso de hackers a contas de terceiros".

A rede social também faz "campanhas educativas de identificação e prevenção a esse tipo de ataque" e investe "em ferramentas e processos para a recuperação de contas da plataforma". Para evitar invasões por bandidos, o Instagram recomenda que todo mundo ative a autenticação de dois fatores, evite clicar em links desconhecidos e não compartilhe códigos de acesso recebidos.

Como descobrir e evitar cair em um golpe

Para Waldo Gomes, diretor da NetSafe Corp, empresa especializada em segurança digital, as pessoas precisam ter mais atenção com os seus perfis. "A mídia social passou há muito tempo do 'status' de passatempo para se tornar um negócio. A simples perda de um perfil pode causar perdas financeiras consideráveis para o dono da conta e seus seguidores", disse.

Para evitar dores de cabeça, ele recomenda usar todos os métodos de segurança possíveis no Instagram: autenticação em dois fatores, aplicativos de autenticação, solicitações de login, códigos de reserva, dentre outros. "Além disso, monitore suas atividades de login e faça verificações de segurança periodicamente, seguindo as sugestões que o aplicativo recomenda", explicou.

Para ativar a verificação em duas etapas no Instagram, acesse a página de seu perfil (tocando na foto que fica ao lado direito inferior) e toque no menu de três listas (que fica no canto direito superior).

Na sequência, vá em Configurações > Login e selecione Autenticação de dois fatores. É possível usar um aplicativo de autenticação ou via SMS. Com isso, ao realizar novos logins, além da senha, o app solicitará um código adicional enviado por SMS ou pelo aplicativo de autenticação.

O especialista também diz que é importante manter o app atualizado, assim como o sistema operacional do celular. Waldo também recomenda que se tome cuidado com o preenchimento de cadastro em sorteios falsos e sites duvidosos. "A metodologia é, quase sempre, a mesma. É importante ser muito criterioso com as suas informações. Sempre desconfie e não aja por impulso", indicou.

"Os hackers estudam o nosso perfil para criar algo atrativo, com isso baixamos a guarda, e passamos as informações que eles querem. Atente-se aos detalhes, desconfie de promoções muito vantajosas e busque informações na internet para autenticar essa situação", completou.

Waldo também deu dicas para evitar cair no golpe da venda falsa, mesmo que o perfil que você esteja falando seja de alguém que você conhece e confia. "Se a pessoa nunca fez isso antes, os valores são extremamente atrativos e solicitarem Pix para a conta de uma terceira pessoa, é quase 100% de chances de que a conta foi invadida e trata-se de um golpe", alertou.

Uma das formas de confirmar a veracidade é entrando em contato com a pessoa que você conhece por outros meios e também é importante denunciar o anúncio, caso confirmado o golpe. "Sem denúncia sobre as atividades da conta, não é possível que o Instagram tome medidas para banir o falso usuário. Esse é o maior motivo de reclamação de quem têm suas contas invadidas e é algo bem complexo para a rede social lidar", disse.

"O suporte da mídia social ainda não está desenvolvido o bastante para agir de forma rápida como fazem os bancos, em caso de invasão de contas. As etapas para provar que o acesso da conta deve ser retornado são lentas e demandam muita paciência", finalizou.