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China teria testado míssil hipersônico durante um teste espacial; entenda

Foguete Long March foi  usado no teste, diz jornal - Xinhua/Li Gang
Foguete Long March foi usado no teste, diz jornal Imagem: Xinhua/Li Gang

Colaboração para Tilt, em Florianópolis*

18/10/2021 14h21

Um míssil hipersônico com capacidade nuclear teria sido colocado em órbita pela China durante um teste espacial, em agosto, informou no sábado (16) o jornal Financial Times. De acordo com a publicação, o país asiático teria realizado o procedimento em segredo, surpreendendo o setor de inteligência dos Estados Unidos.

O Ministério de Relações Exteriores da China negou hoje que o procedimento tenha sido realizado com míssil nuclear, mas com um veículo espacial.

Fontes que tiveram acesso ao projeto relataram à reportagem que Pequim lançou o míssil em órbita baixa que a volta na Terra antes de descer a uma distância de 32 km do alvo programado. Não foi informado o local exato da queda do armamento.

O míssil, segundo informaram as fontes ao Financial Times, teria sido transportado por um foguete Long March, que geralmente possuem seus lançamentos anunciados, algo que não ocorreu na ocasião.

O desenvolvimento bélico chinês "pegou de surpresa a inteligência americana", afirma a publicação.

Em resposta, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, comentou hoje que o evento se tratou de "teste de rotina" com o propósito de testar tecnologia para reusar o veículo espacial.

O porta-voz ainda revelou que o teste aconteceu em julho, e não em agosto, conforme apontou o Financial Times.

"A importância de um teste de reuso é que ele pode fornecer um método barato e conveniente para humanos viajarem pacificamente de e para o espaço", disse Zhao à Reuters, afirmando ainda que muitas empresas realizaram testes similares.

Mísseis hipersônicos

Além da China, Estados Unidos, Rússia e outros cinco países atuam com a tecnologia hipersônica.

Os americanos dizem acompanhar de perto o programa chinês de modernização militar para avaliar os possíveis riscos impostos pelo poderoso país asiático. Já em 2019, o Ministério de Defesa da China chegou a exibir um míssil hipersônico, chamado de DF-17.

Os mísseis hipersônicos, assim como os mísseis balísticos tradicionais, podem transportar armas nucleares, porém voam mais de cinco vezes acima da velocidade do som.

Outra diferença entre os dois tipos de mísseis é que no balístico tradicional, o percurso do armamento faz um arco no céu para chegar ao seu objetivo, enquanto no hipersônico, a trajetória ocorre em altura baixa, chegando mais rápido ao alvo, a uma velocidade de 6.200 km/h.

*Com informações das agências de notícias AFP e Reuters.