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Perseguição? Limpa de seguidores no Twitter aponta para perfis suspeitos

Estúdio Rebimboca/UOL
Imagem: Estúdio Rebimboca/UOL

Guilherme Tagiaroli

De Tilt, em São Paulo

17/06/2021 12h40

O Twitter começou um novo movimento de desativar contas que apresentam comportamento suspeito, fazendo com que várias pessoas perdessem seguidores ao longo da última semana. Perfis pró-governo reclamaram e mencionaram uma possível perseguição ideológica, mas a rede social explica que se trata de uma ação global de verificação de contas, que acontece rotineiramente, e não tem relação com o tipo de conteúdo postado.

Dados reunidos pela consultoria Quaest a pedido de Tilt mostram que, de fato, houve perda de seguidores em perfis que apoiam o governo, enquanto não houve grandes alterações em perfis oposicionistas.

No entanto, a ação do Twitter mostra um padrão claro, ressalta Felipe Nunes, fundador da consultoria: "É uma evidência muito forte de que um grupo está usando meios artificiais para construção de reputação digital, enquanto o outro não. As contas de oposicionistas não são afetadas pela auditoria, mas quase todas as contas ligadas ao governo que estavam no nosso monitoramento sofreram perdas."

Faxina em contas suspeitas

Para mostrar a evolução de seguidores de personalidades do Twitter, selecionamos pessoas pró-governo (governistas) e que são críticas ao governo (oposicionistas). Desde 24 de maio, semanalmente todos tiveram acréscimo de seguidores.

A situação passou a mudar no dia 14 de junho. Neste dia, o Twitter anunciou que "solicitou que contas tomassem medidas como trocar a senha ou validar o número do celular". Enquanto isso não é feito, esses perfis deixam de contar como seguidores.

Um dos principais motivos é a falta de provas de que são reais. A rede faz isso desde 2018, e avisa que é comum que contas populares notem uma variação grande no número de seguidores.

No mesmo dia, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reclamou que sua conta tinha perdido 15 mil seguidores repentinamente "sem qualquer explicação", no que foi seguido por outros apoiadores do governo.

Apesar do número citado pelo político, o levantamento feito pela consultoria Quaest diz que ele perdeu, na verdade, 2.625 entre 7 de junho e 14 de junho, ao analisar dados do Twitter. Enquanto isso, políticos de oposição tiveram em sua maioria um crescimento estável.

Oposicionistas - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL
Governistas - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

A exceção do levantamento é o presidente Jair Bolsonaro, que não teve redução de seguidores, apenas aumento —no ano passado, o Twitter apagou postagens dele por pregar contra o distanciamento social em tempo de pandemia e sugerir medicamentos sem eficácia comprovada.

Houve também perda de seguidores por parte de pessoas bem menos famosas na rede social.

Por que o Twitter desabilita uma conta?

O Twitter diz que este processo ocorre em todos os países e se baseia apenas na atividade dos perfis, e não nos conteúdos que são postados. Essa é uma forma de prevenir tentativas de spam.

Segundo a rede, os tipos de atividades suspeitas que levam uma conta a ser desabilitada temporariamente têm relação com mudanças repentinas de comportamento, como:

  • tuitar um grande volume de respostas ou menções a contas que não a seguem;
  • postar links enganosos;
  • se um grande número simultâneo de pessoas bloqueiam ou mencionam uma mesma conta;
  • se combinação de e-mail e senha de usuários são publicadas como parte de um vazamento.

Esses perfis desabilitados só voltam à contagem da rede após passarem por uma verificação, geralmente ao confirmar um número de telefone ou trocando a senha.

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