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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Apple Watch 6: mesmo com medidor de oxigênio, relógio smart não surpreende

Apple Watch Series 6: relógio e três tipos de pulseiras - Bruna Souza Cruz/Tilt
Apple Watch Series 6: relógio e três tipos de pulseiras Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

05/05/2021 04h00

O Apple Watch Series 6 é o mais recente modelo de relógio da marca e tem como destaques novas cores, pulseira de silicone "infinita", sem costuras, e oxímetro nativo, recurso de medição de oxigênio no sangue. Em tempos de pandemia, o último detalhe atraiu a atenção, uma vez que o nível de oxigênio costuma cair em pessoas com covid-19.

A linha foi lançada no Brasil por a partir de R$ 5.299. Quer saber se o investimento vale tudo isso? Confira o que achamos do aparelho a seguir.

O que ele tem de diferente

  • Oxímetro para medir nível de oxigenação do sangue;
  • Função de tela sempre ativa (ela não se apaga conforme o braço muda de posição);
  • A cor vermelha, usada pela primeira vez na linha (e a usada no teste);
  • Processador mais rápido do que a linha Watch Series 5;
  • Ausência na caixa de plug de tomada para carregar o relógio. Vem apenas o cabo.

Visual e impressões

O visual não mudou muito entre gerações. O Apple Watch 6 é vendido em duas opções de tamanho: 40 mm ou 44 mm. A tela tem a tecnologia Oled e ganhou intensidade de brilho em comparação com a geração anterior.

Além disso, a novidade é que a tela fica sempre ativa, independentemente do movimento do pulso.

Como já mencionado, a cor do modelo testado é a vermelha. A versão que testei tem o acabamento feito em alumínio. Porém, a Apple comercializa outros relógios da série 6 feitos com aço inoxidável ou titânio.

Tive dificuldades para me acostumar no começo, mesmo usando a versão menor. Porém, já experimentei o relógio da Apple maior e, definitivamente, é muito grande para para o meu pulso.

Apple Watch Series 6: aplicativos - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Tela do relógio com vários aplicativos
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

Eu atribuo o desconforto ao fato de que não uso relógio normalmente. Por isso, demorou até me sentir ok com um objeto novo no meu braço. Depois de uma semana a estranheza passou. Depois de muitos dias de uso direto, eu já sentia falta quando esquecia de colocá-lo no pulso.

Uma situação que facilitou o uso do aparelho no dia a dia também foi a troca da pulseira. A Apple enviou três modelos para o teste:

  • Esportiva (R$ 549): formato padrão de pulseira. Existem os buraquinhos de ajuste de tamanho. A parte do fecho às vezes deixava marquinhas no meu pulso quando dormia com o relógio.
  • Loop solo (R$ 549): feita de silicone e elástica. Foi a mais confortável entre todas. Ela não tem nenhum fecho ou fivela. Dormir com o aparelho se tornou muito melhor.
  • Couro (R$ 1.599): a mais linda de todas. Porém, a mais cara. Ela tem o fecho magnético. É só deixar as duas partes próximas e elas se conectam com o ímã para fechar. Não acho que vale o investimento se você busca conforto.

Funcionalidades

Como eu nunca fui de usar muito relógio de pulso, usar o Apple Watch para olhar as horas foi o que eu menos quis fazer durante os testes. Fiquei curiosa para explorar dois outros recursos: o medidor de batimentos cardíacos (ECG) e o oxímetro.

E como eles medem isso? Resumidamente, o dispositivo utiliza a emissão de luzes verde, vermelha e infravermelha para monitorar vários dados.

Apple Watch Series 6: sensores - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Sensores do relógio
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

A frequência cardíaca é medida com ajuda dessas luzes que conseguem detectar a quantidade de sangue que flui pelo pulso. O sensor consegue monitorar um intervalo de 30 a 210 batimentos por minuto, segundo a Apple informa em seu site.

A empresa ressalta (no próprio aplicativo também) que o relógio não detecta ataques cardíacos, mas o dispositivo já ajudou a salvar vidas. Ele é capaz de avaliar se o coração tem um padrão de batimentos uniforme. Se algo fugir do compasso, ele pode emitir um alerta para quem está usando.

Apple Watch Series 6: batimento cardíaco - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Tela do recurso de batimento cardíaco
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

O relógio monitora frequentemente os batimentos cardíacos. Seja parado na frente do computador trabalhando, seja fazendo uma atividade física ou dormindo. Esse é o funcionamento que eu chamaria de independente.

Mas é possível também medir abrindo um aplicativo no aparelho. Usei e abusei dessa função, principalmente nos momentos de ansiedade, surpresa (pela curiosidade de ver como o coração se comporta) e/ou estressantes. Era só olhar para os dados de batimentos em ritmo alto no visor que eu me obrigava a respirar fundo para tentar voltar para o momento aqui e agora (alô, meditação!).

Não vou mentir falando que isso deu certo todas as vezes. Não deu. Porém, achei curioso usar um volume de dados racionalmente a meu favor. Afinal, dados sendo usados contra a gente estão espalhados por aí.

Me forcei a manter meu corpo em movimento para poder testar mais funções do Apple Watch e usá-lo para monitorar o meu desempenho. Fiz exercícios (como dança) com ajuda do YouTube, caminhadas no bairro e usei muito o modo "cardiovascular misto" para registrar os dados durante a limpeza da casa — me surpreendi ao ver que algumas vezes a queima de calorias e batimentos cardíacos foram maiores na faxina do que caminhando.

O relógio, assim como o de outras gerações, também emite alertas de incentivo para você manter o ritmo ao longo da semana e lembra todos os dias que é importante fazer pausas para respirar e ficar em pé depois de várias horas sentada. Algumas vezes chega a ser irritante, mas os avisos são para o nosso bem.

Apple Watch Series 6 - oxímetro - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Oxímetro do relógio
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

Já o oxímetro é a grande novidade da série 6, um marcador importante para quem tem problemas no coração e, atualmente, para quem foi contaminado pelo novo coronavírus. Eu tentei não entrar na onda da ansiedade pandêmica e ficar monitorando toda hora para ver se estava tudo bem com meu nível de oxigênio no sangue.

Mas há algumas semanas eu fiquei com sintomas de gripe/sinusite/rinite. Bateu um medo. Eles não eram intensos, mas acionei o relógio várias vezes ao longo de três dias para ficar de olho na minha saturação. Depois melhorei e senti que o relógio me ajudou a ter um mínimo falso controle sobre a situação. Mas, gente, não vale a pena investir num relógio tão caro só pelo oxímetro. Não mesmo.

Uma funcionalidade que me frustrou foi o monitoramento do sono. Esperava muito mais do que só o registro de horas dormidas. O relógio rival da Samsung, por exemplo, traz dados até da qualidade do seu sono, se ele foi profundo ou não.

A Apple precisa melhorar logo esse lado, pois seria mais um recurso útil de dados de saúde para quem decidiu investir mais de R$ 5 mil em um relógio. É o mínimo.

Um recurso que é a cara de 2020/2021 é o de lavagem das mãos. O relógio detecta quando a pessoa faz os movimentos perto de uma torneira aberta e inicia um contador regressivo de 30 segundos. No meu caso, isso aconteceu várias vezes também enquanto eu lavava a louça. Achei engraçado.

Desempenho e bateria

O desempenho do relógio dispensa comentários: é incrível. O tempo de resposta dos aplicativos e das funções nativas é muito rápido. O Apple Watch 6 não travou em nenhum dos vários dias de uso sequenciais.

A minha outra grande frustração foi com a bateria mesmo — críticas que a empresa também já recebeu em gerações passadas do relógio.

A Apple diz que ela dura até 18 horas, dependendo do uso. Pense bem: se você começar a usar o relógio bem cedinho, às 7h ou 8h da manhã, vai precisar dar uma recarga antes de dormir para que a bateria não acabe durante a madrugada.

Durante os testes ela durou um pouco menos do que isso diante de um uso mais intenso, com aplicativos, modos de atividades físicas ligados e programas nativos (como oxímetro). Nos dias que eu não fiz nenhum exercício, a bateria durou mais de 18 horas.

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Não tem como negar que o Apple Watch Series 6 é um relógio smart poderoso em qualidade de sensores e oferta de recursos nativos. Além do mais, ele é lindo. Mas não é perfeito.

Recapitulando:

  • Pontos positivos: monitor de batimentos cardíacos de qualidade e oxímetro
  • Pontos negativos: modo de registro de sono incompleto e bateria poderia ser melhor;

O preço você já sabe: no mínimo R$ 5.299 (comprando na loja da Apple). Pessoas que praticam atividades físicas regularmente, como corrida, podem até preferir outros tipos de relógios inteligentes.

Se você não pratica exercícios com frequência, não acho que vale a pena investir tanta grana em um aparelho que não será usado em sua potencialidade.

Agora, se o caso é o contrário e você tem como pagar, o conselho é um só: vai fundo. Mas antes dê uma pesquisada no varejo, pois você pode encontrar promoções e valores menores do que os praticados pela Apple.

Para comprar o Apple Watch Series 6:

Tamanho 40 mm:


Tamanho 44 mm:

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL