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WhatsApp rebate rivais e volta a avisar sobre nova política de privacidade

Ilustração fria Tilt: WhatsApp, Facebook, Instagram, apps - Arte UOL
Ilustração fria Tilt: WhatsApp, Facebook, Instagram, apps Imagem: Arte UOL

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

18/02/2021 18h00

O WhatsApp vai voltar a alertar usuários sobre seus novos Termos de Serviço e Política de Privacidade, que entram em vigor em 15 de maio de 2021. A mudança, anunciada em janeiro, gerou críticas por aparentemente facilitar o compartilhamento de dados entre o aplicativo e o seu dono, o Facebook.

A repercussão negativa inflou concorrentes como o Telegram e o Signal e forçou o WhatsApp a adiar a mudança, originalmente prevista para 8 de fevereiro. Em um comunicado compartilhado com Tilt, o aplicativo de mensagens mais usado do mundo ainda rebateu as promessas e trocou farpas com alguns dos rivais.

O novo alerta, que aparecerá gradativamente a todos os usuários do WhatsApp no mundo a partir de 25 de fevereiro, reforça que o conteúdo das conversas pessoais não será lido ou compartilhado por ninguém de dentro do Facebook. O que muda, segundo o WhatsApp, são as conversas com empresas.

A partir de agora, marcas que usam o WhatsApp Business para se comunicar com clientes poderão compartilhar sua base de dados com a plataforma corporativa do Facebook. Dados anônimos, como listas de contatos e dispositivos usados, poderão ser movidos de um app para o outro se a empresa quiser. Mas o WhatsApp reforça que "as conversas com essas empresas são opcionais e claramente identificadas no app".

O alerta que aparecerá no topo da página inicial do app leva a um guia de duas páginas, que termina convidando o usuário a aceitar os novos termos. Se você tocar em "Aceitar", não verá mais o alerta. Se apenas fechar a página, o alerta voltará a ser exibido até que você concorde com a nova política. Quem não concordar, não conseguirá mais utilizar o aplicativo.

"Refletimos bastante sobre o que poderíamos fazer melhor e queremos que todos saibam e confiem no nosso compromisso contínuo na defesa do uso da criptografia de ponta a ponta e na proteção da privacidade e da segurança das suas conversas", diz o WhatsApp em comunicado compartilhado com Tilt.

O novo alerta é mais uma tentativa do WhatsApp de diminuir o estrago causado pelo anúncio de janeiro. Desde o fim do mês passado, a empresa passou a reforçar a comunicação postando status sobre suas práticas de privacidade, destacando recursos como a criptografia de ponta a ponta por padrão em todas as conversas.

Troca de farpas

O primeiro alerta emitido pelo WhatsApp sobre a mudança na política de privacidade deu gás a concorrentes que prometem mais privacidade. É o caso do Telegram, que saiu de uma base de 300 milhões de usuários ativos mensalmente (número de abril de 2020) para 500 milhões em janeiro.

Segundo dados da empresa de consultoria SensorTower, o Signal, bancado por nomes como Edward Snowden e Elon Musk, além do próprio criador do WhatsApp, Brian Acton, foi baixado 17,8 milhões de vezes na primeira semana de janeiro (aumento de 62% em relação às semanas anteriores), contra 10,6 milhões de downloads do WhatsApp (queda de 17%).

"Entendemos que algumas pessoas podem querer testar os serviços oferecidos por outros aplicativos [...]. É importante lembrar que se um aplicativo não oferece criptografia de ponta a ponta por padrão, isso significa que ele pode ter acesso ao conteúdo das suas mensagens", diz o WhatsApp em referência ao Telegram, que só criptografa conversas feitas com o recurso opcional de chat secreto ativado. Por padrão, as conversas não são criptografadas.

"Outros concorrentes afirmam que são melhores porque têm acesso a ainda menos dados do que o WhatsApp. Nós acreditamos que as pessoas estão buscando um aplicativo que seja seguro e confiável, mesmo que para isso seja necessário que o WhatsApp tenha acesso a dados limitados", diz o WhatsApp em referência ao Signal, que só coleta informações de contatos, sem criar vínculo entre esses dados e o usuário, segundo sua página na App Store do iOS. O WhatsApp, por sua vez, admite coletar uma série de outros dados vinculados.