PUBLICIDADE
Topo

Após críticas, WhatsApp adia prazo para público revisar novos termos

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

15/01/2021 16h30Atualizada em 15/01/2021 18h59

O WhatsApp anunciou nesta sexta-feira (15) que decidiu adiar o prazo para que o público revise a sua nova política de privacidade, que gerou críticas por aparentemente facilitar o compartilhamento de dados entre o aplicativo e o seu dono, o Facebook.

"Ouvimos de muitas pessoas que há muita confusão em torno de nossa atualização recente", diz a empresa em nota compartilhada com Tilt. O prazo para revisar os novos termos mudou de 8 de fevereiro para 15 de maio de 2021.

O WhatsApp disse ainda que há muita desinformação a respeito da mudança e reforçou que o Facebook não terá acesso às mensagens e dados sigilosos de usuários após a mudança nos termos. "O que você compartilha com seus amigos e família fica entre vocês", diz a empresa.

Além disso, o WhatsApp diz que "ninguém terá sua conta suspensa ou apagada em 8 de fevereiro", em referência ao fato de que quem não concordar com os novos termos será impedido de usar o aplicativo. O que mudou, nesse sentido, foi a data máxima para as pessoas decidirem se concordam ou não com a alteração.

A mudança de postura do WhatsApp vem após uma onda de críticas e uma explosão de popularidade entre os aplicativos rivais, como Telegram e, especialmente, o Signal, recomendado por nomes influentes na tecnologia como Elon Musk (chefe da Tesla), Edward Snowden (ex-analista de dados e ativista dos direitos digitais), Jack Dorsey (chefe do Twitter) e Brian Acton, que é um dos criadores do próprio WhatsApp e hoje trabalha com o concorrente.

O que vai mudar?

A mudança em questão afeta a maneira como empresas que usam o WhatsApp Business, versão corporativa do app, poderão gerenciar informações de clientes através do Facebook —o gigante azul é dono do app de mensagens desde 2014.

Algumas empresas podem compartilhar dados de clientes do WhatsApp com suas contas corporativas no Facebook. Entre as informações coletadas estão nomes, números de telefone, aparelho usado, dados de transações e pagamentos e outros dados anônimos. O conteúdo das conversas, mensagens, fotos, vídeos e áudios não são compartilhados pois são criptografados de ponta a ponta —e isso continuará protegido e com acesso restrito a cada pessoa com perfil no app.

Esse compartilhamento já existe há cerca de quatro anos, mas, a princípio, as pessoas poderiam optar por fornecer esses dados às empresas que quisessem usá-los no Facebook ou não. O WhatsApp removeu essa garantia dos termos de uso. Agora, se você falar com uma empresa que compartilha esses dados, eles poderão ser compartilhados automaticamente. O público não tem mais poder de decisão sobre isso.

Cada pessoa será notificada dentro da própria conversa se a empresa com quem ela está falando optou por usar o Facebook para gerenciar e armazenar suas mensagens de WhatsApp. A empresa garante que a única mudança será uma notificação que surgirá nas conversas entre usuários e empresas. "Embora nem todo mundo compre com uma empresa no WhatsApp hoje, achamos que mais pessoas escolherão fazer isso no futuro e é importante que as pessoas estejam cientes" desse compartilhamento de dados, diz o WhatsApp.

A plataforma argumenta que, se você não quiser que uma empresa compartilhe seus dados com o Facebook, basta não interagir com ela. Também defende que os usuários ainda podem bloquear facilmente uma empresa no WhatsApp se quiserem.