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Grant Imahara: da IA aos robôs, veja laços do ex-MythBusters com tecnologia

Márcio Padrão

De Tilt, em São Paulo

14/07/2020 14h07Atualizada em 14/07/2020 15h10

O engenheiro Grant Imahara morreu na noite desta segunda-feira (13) aos 49 anos de idade. Imahara é conhecido do grande público como um dos apresentadores de "Mythbusters" ("Os Caçadores de Mitos"), onde fazia experimentos para comprovar certos lugares-comuns da ciência. Mas além disso tinha currículo como inventor de robôs e já veio ao Brasil há quatro anos, quando comentou sobre alguns dos conceitos recentes da tecnologia, como IA (inteligência artificial) e robôs mais avançados.

O físico Stephen Hawking e o fundador da SpaceX, Elon Musk, já emitiram alertas sobre a possibilidade da inteligência artificial trazer problemas para a humanidade. Ao falar com jornalistas antes de sua apresentação na Campus Party de 2016, em São Paulo. Imahara disse que esse temor é real, mas até certo ponto.

"Acho que eles estão pegando alguns de nossos empregos. Até esse ponto, seria para usos muito perigosos para humanos, como limpar usinas nucleares. Então, os robôs dominando não é um cenário em que acredito, ou que eu prefira. Mas acho que precisamos de mais pesquisa em IA. Porque sei que se muitas pessoas espertas estão preocupadas com isso, eu também deveria estar", disse.

Da declaração de Imahara até hoje, ficamos cada vez mais cercados de robôs. Segundo o jornal "The New York Times" em abril deste ano, nos Estados Unidos a pandemia de covid-19 forçou uma aceleração da automação. No Brasil, hospitais já adotam um tipo de robô com tablet. Em um estudo divulgado em junho, a consultoria McKinsey estima que 94 milhões de trabalhadores da Europa terão que adquirir novas habilidades até 2030 por causa dos robôs, porque mais de 20% do trabalho que fazem hoje podem ser feitos pela tecnologia.

Grant Imahara (de azul) e demais membros da equipe de desenvolvimento do dróide R2-D2 em "Star Wars" - Divulgação - Divulgação
Grant Imahara (de azul) e demais membros da equipe de desenvolvimento do dróide R2-D2 em "Star Wars"
Imagem: Divulgação

Currículo de peso

Além do "Caçadores de Mitos", Imahara trabalhou na Industrial Light & Magic —famosa empresa de efeitos especiais do cinema— produzindo efeitos práticos para filmes como "Matrix Reloaded", "O Mundo Perdido: Jurassic Park", "O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas" e no desenvolvimento do dróide R2-D2 na segunda trilogia de "Star Wars" (1999-2005).

"Nos primeiros filmes havia um robô de duas pernas controlado por um humano [o ator anão Kenny Baker) e outro com três, por controle remoto. Mas na época a radiofrequência era horrível, e era comum que eles fossem correndo do nada até uma parede. Para a trilogia nova, fizemos vários modelos R2-D2. Alguns eram mais lentos, para acompanhar os atores andando, e outros mais rápidos", explicou.

Grant Imahara mostra o coelho da Energizer desenvolvido por ele, que levava 44 pilhas AA em seu bumbo - Divulgação - Divulgação
Grant Imahara mostra o coelho da Energizer desenvolvido por ele, que levava 44 pilhas AA em seu bumbo
Imagem: Divulgação

O engenheiro também tinha as batalhas de robôs como hobby; criou um chamado "Deadblow", que usa um martelo pneumático como arma, e que foi usado no programa de TV americano "Battlebots" (abaixo, em inglês).

Além disso, participou do desenvolvimento da segunda geração de coelhos dos anúncios das pilhas Energizer. O suposto coelho de brinquedo da Energizer na verdade tinha uns 60 centímetros, por conta do aparato eletrônico dentro dele.

"Na primeira geração o bater do bumbo do coelho não era automático, era controlado por uma pessoa. E ele usava outro tipo de bateria. Quando me chamaram para a segunda geração, fizeram duas exigências: que o coelho batesse constantemente e que funcionasse de verdade com as baterias Energizer. Isso porque na geração anterior, usavam outro tipo de bateria e mostravam a Energizer só na edição final. Para contornar isso, tivemos que colocar 44 pilhas dentro do bumbo", descreveu.

Como dica para os jovens, Imahara sugeriu que primeiro devam encontrar um "mentor". "No meu caso, era Tomlinson Holman, criador do sistema de som para cinemas THX. Quando era estudante, ele ensinava na minha universidade. Bati à porta dele e perguntei: 'posso ser seu assistente?' e ele disse: 'sim'. E foi assim que comecei", relembrou na entrevista da Campus Party.