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Hospitais buscam na tecnologia soluções para prevenir que covid se espalhe

Sistema Atmus auxilia a prevenir propagação do coronavírus no ambiente hospitalar do Albert Einstein - Divulgação/Hospital Albert Einstein
Sistema Atmus auxilia a prevenir propagação do coronavírus no ambiente hospitalar do Albert Einstein Imagem: Divulgação/Hospital Albert Einstein

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

24/04/2020 04h00

Diante da pandemia de covid-19, hospitais ficam cada vez mais lotados e o risco de contaminação no ambiente aumenta. Diante de tantas dificuldades para combater a doença, a tecnologia tem sido um aliado importante. No Brasil, alguns equipamentos inovadores já estão em ação.

Na semana passada, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e a Enebras, empresa especializada em ar-condicionado, lançaram o sistema Atmus, que auxilia a prevenir a propagação do vírus no ambiente hospitalar.

Com apoio da Embraer, que ajudou na elaboração de desenhos técnicos, o Atmus controla a pressão do ar nos quartos do hospital de pacientes infectados com o coronavírus. Ele faz com que a pressão fique abaixo da dos demais ambientes do hospital. Assim, o ar dos corredores pode entrar no quarto, mas o ar contaminado do cômodo não se espalha para outros lugares.

O ar do quarto passa por um filtro de alto desempenho e por lâmpadas germicidas do tipo UVC, sendo expelido para os demais ambientes sem os agentes contaminantes. O filtro do aparelho é da categoria HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance), com alta eficiência na separação de partículas.

Além disso, o Atmus é portátil, o que permite a mobilidade dentro do hospital. O sistema já está em funcionamento no Einstein, com 170 aparelhos.

"É uma alternativa rápida para criar áreas de isolamento provisório e acessível a todos os hospitais, incluindo os públicos e de campanha. Nosso objetivo agora é aprimorar o sistema para reduzir o custo e o prazo de fabricação, para que seja montado facilmente por outras empresas no Brasil", afirmou, em nota, o engenheiro Fábio José, da Enebras.

Criado pela USP, rodo UV-C é usado para a descontaminação dos pisos do hospital Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SP -  Reprodução
Criado pela USP, rodo UV-C é usado para a descontaminação dos pisos do hospital Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SP
Imagem: Reprodução

Desinfectando o chão

De acordo com os responsáveis pelo Atmus, ele reduz a possibilidade de contágio dos profissionais de saúde que mantêm contato com o paciente. A iniciativa é oportuna, já que uma recente pesquisa do Centro para o Controle de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) diz que amostras retiradas dos sapatos dos médicos testaram positivo para o vírus.

Outra iniciativa voltada para desinfectar o chão estreou no final de março, na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SP). A entidade recebeu do Instituto de Física da USP [Universidade de São Paulo] dois rodos UV-C para a descontaminação dos pisos do hospital.

O equipamento emite radiação ultravioleta (UV), que evita a propagação do vírus por meio dos sapatos de quem circula no hospital. Os rodos devem ser passados durante um minuto em cada metro quadrado da superfície. Isso faz com que a capa proteica e o material genético de qualquer vírus sejam destruídos.

Robôs na saúde

No Brasil, o robô de telepresença Double vêm atendendo pacientes em instituições de saúde como Hospital das Clínicas, em São Paulo, Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Rio de Janeiro, e o Mãe de Deus e o Moinhos de Vento, ambos em Porto Alegre. Composto por um tablet com câmera, eles são usados por funcionários do hospital para fazer a triagem de pacientes, eliminando o risco de contágio.

Desenvolvido em 2014, um robô da empresa dinamarquesa UVD Robots também é um dos aliados no combate ao coronavírus. Hospitais chineses passaram a usá-lo no final de março para a desinfecção de hospitais. Assim como o rodo criado pela USP, o equipamento emite luz ultravioleta que consegue destruir bactérias, microorganismos e vírus como o da covid-19.

Já em Cingapura, cientistas criaram um robô que imita os gestos humanos para ajudar os profissionais do serviço de limpeza. O XDBOT (sigla para "Robô de Extrema Desinfecção") usa um braço articulado, movimentado por controle remoto. O equipamento chega a locais difíceis de limpar, como debaixo das camas ou das mesas de um escritório.

Criado por cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), o robô também contém um tubo para higienizar grandes superfícies. Ele é comandado por um computador ou tablet, o que reduz o risco de uma infecção pelo vírus.

O governo do estado de Kerala, na Índia, está usando o Sayabot, da empresa Asimov Robotics, para que eles distribuam máscaras cirúrgicas e álcool gel, além de orientá-las sobre o risco do coronavírus, medir a temperatura das pessoas e desinfetam os telefones celulares de quem precisar.

Em um hospital da região italiana da Lombardia, Tommy, fabricado pela Omitech, monitora as informações de cada doente e as repassa para a equipe médica. Além disso, os pacientes conseguem, por meio do robô, gravar mensagens que também são ouvidas pelos médicos.