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Coronavírus: app do SUS e robô do Zap funcionam para identificar suspeita?

Com perguntas simples, bot faz primeiro atendimento sobre coronavírus no WhatsApp  - AFP
Com perguntas simples, bot faz primeiro atendimento sobre coronavírus no WhatsApp Imagem: AFP

Raphael Evangelista

Colaboração para Tilt

13/03/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Com perguntas simples, bot no WhatsApp tenta identificar eventual infectado
  • App do Ministério da Saúde serve para o usuário fazer uma auto-avaliação
  • Aplicativo "Coronavírus - SUS" traz os procedimentos para primeiro atendimento
  • Para especialista, ferramenta pode provocar corrida desnecessária aos hospitais
  • Diagnóstico sobre real condição de saúde do usuário deve ser feito por médicos

A epidemia de coronavírus avança no mundo e é normal que surjam dúvidas sobre quando se deve ir ao hospital caso esteja com algum sintoma. Aplicativos podem ajudar a fazer um primeiro contato e descobrir se é o momento para buscar atendimento profissional. Um robô no WhatsApp foi desenvolvido voluntariamente para ajudar, e o Ministério da Saúde também lançou um app para tratar do assunto.

O Ministério da Saúde criou o "Coronavirus - SUS", um aplicativo para ajudar na conscientização das pessoas e até mesmo avaliar se os sintomas apresentados podem ou não ser do novo coronavírus. Disponível para Android e iOS, o app traz um mapa atualizado e baseado na localização do usuário que ajuda a identificar os postos de saúde mais próximos.

No app, ao clicar no botão "Como está a sua saúde?", o usuário seleciona os sintomas que está apresentando, se fez alguma viagem recente ou se teve contato com alguém com suspeita de ser portador do covid-19.

App Coronavírus SUS - Divulgação
App Coronavírus SUS
Imagem: Divulgação

Se o usuário for identificado como alguém com potencial de estar infectado, o aplicativo orienta a procurar atendimento em uma unidade de saúde. O aplicativo deixa claro que ele não faz um diagnóstico, mas sim uma auto-avaliação. Todo diagnóstico só poderá ser feito por médicos.

O aplicativo do Ministério da Saúde indica quais são as medidas de proteção necessárias para que a pessoa potencialmente infectada tome ao se dirigir ao posto de atendimento: usar máscaras, lavar bem as mãos, cobrir a boca ao tossir ou espirrar e evitar aglomerações.

O app também mostra notícias em tempo real sobre a epidemia e dicas de prevenção.

Robô do WhatsApp

Murilo Gazzola, mestre em Ciências da Matemática pela USP (Universidade de São Paulo), desenvolveu uma ferramenta no WhatsApp para ajudar na identificação da infecção por coronavírus.

Trata-se de um teste simples feito com a ajuda de um bot que, com perguntas simples, faz uma espécie de primeiro atendimento no aplicativo de mensagens para saber se você é um potencial infectado. Gazzola é o mesmo que recentemente lançou um outro bot que servia para ajudar a checar fake news na internet.

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Imagem: Reprodução

Segundo Gazzola, o teste usa as normas internacionais do Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC) para ajudar as pessoas a tomarem as melhores decisões, evitando pânicos desnecessários e tranquilizando pacientes que não estão com sintomas claros da doença.

Em caso de um resultado afirmativo, o bot orienta a pessoa aos próximos passos, como isolamento, tratamento e a busca por testes laboratoriais.

Para acessar e fazer o teste digital, você deve adicionar o número +55 16 981128986 no WhatsApp, escrever "CheckCorona" (sem as aspas) e enviar a mensagem. Automaticamente o robô vai responder e passar as instruções que vão te ajudar a identificar se você é uma pessoa com uma potencial infecção e precisa de cuidados imediatos ou não.

Veja nas imagens uma simulação de conversa com o bot, em um cenário onde afirmamos ter estado próximo a um suspeito de covid-19:

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Imagem: Reprodução

Em caso afirmativo, a recomendação imediata é de auto-isolamento e procurar atendimento médico. Se para a pergunta inicial respondermos "2" (Contato ou convivência), o bot pergunta "Você apresenta febre ou problemas ao respirar e tosse?" Se dizemos sim, ele sugere o auto-isolamento; se não, responde "Sem risco eminente" e sugere automonitoramento dos sintomas por 14 dias.

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Imagem: Reprodução

Murilo Gazzola afirma que até o momento nenhum dos usuários que fizeram a consulta apresentou sinais de estarem com o vírus. "São dados muito incipientes, mas posso afirmar que todos que realizaram o teste até o momento disseram ter tido a opção 1: contato casual; mas não apresentaram febre ou problemas ao respirar ou tosse", diz.

O que dizem os especialistas

O pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Evaldo Stanislau, médico infectologista do Hospital das Clínicas e consultor da OMS na montagem de protocolos, elogiaram a iniciativa do app do ministério, mas veem ressalvas no bot do WhatsApp.

Para Fiss, o robô do WhatsApp funciona como uma orientação a grosso modo, mas acha que a ferramenta poderia deixar as pessoas mais assustadas. "O receio é abarrotar os hospitais com pacientes que têm sintomas de doenças respiratórias. Nesta época do ano, muitos outros vírus estão circulando. Agora, se forem sintomas mais intensos, aí sim, a pessoa deve procurar o serviço médico", explica.

A orientação é que se a pessoa tiver febre, não é preciso ir imediatamente a um hospital. Se forem sintomas leves, basta só observá-los. "Se for uma febre baixa e passar em um ou dois dias, não há problema nenhum", explica.

Stanislau demonstrou preocupação com a possibilidade do robô gerar pânico. "O contatante íntimo de um caso confirmado de covid-19 é tratado aqui no Brasil como caso provável e é essa situação que o robô tenta mimetizar".

Segundo Stanislau, ainda não estamos no estágio da doença no Brasil onde pessoas assintomáticas precisam fazer quarentena; apenas casos que tiveram contatos com pessoas confirmadas. "Então, me parece que esse teste não seja a melhor alternativa. Ele pode ter alguma utilidade, mas não é perfeito e talvez dissemine um pouco de pânico. Minha recomendação é que se use o aplicativo do Ministério da Saúde, que tem o mesmo objetivo".

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