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Falha em equipamento da Huawei paralisa tribunal por uma semana no Paraná

Advogados não puderam entrar com ações; audiências, julgamentos e leilões foram paralisados - Getty Images
Advogados não puderam entrar com ações; audiências, julgamentos e leilões foram paralisados Imagem: Getty Images

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

11/12/2019 11h41Atualizada em 11/12/2019 14h42

Sem tempo, irmão

  • Falha impediu andamento de todos os processos trabalhistas no Paraná por cinco dias
  • Audiências, julgamentos e leilões também ficaram paralisados
  • O problema aconteceu no software do equipamento de armazenamento de dados da Huawei
  • Técnicos da empresa na China foram enviados para o Brasil

O sistema do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) no Paraná ficou uma semana fora do ar. Isso impediu o andamento de todos os processos trabalhistas do Estado. Sem precedentes na Justiça brasileira, a falha começou no software do equipamento que armazena os dados do órgão. Este equipamento é fornecido pela gigante chinesa Huawei.

Ela foi tão séria que levou dias para ser corrigida. Técnicos da Huawei precisaram ser enviados da China para ajudar na solução.

Imediatamente acionado, o fabricante do equipamento deslocou equipes da China para o Brasil, que trabalharam ao lado da Secretaria de Tecnologia da Informação deste Tribunal para identificação e solução do problema
Sérgio Murilo Rodrigues Lemos, desembargador-presidente do órgão

Com a falha no Processo Judicial Eletrônico (PJe), os advogados não puderam entrar com ações e nem acessar ou receber notificações dos processos já existentes. Durante os cinco dias de falha, foram suspensos todos os atos processuais, inclusive audiências, sessões de julgamento e leilões. Medidas urgentes foram apreciadas em regime de plantão, por meio físico.

Após cinco dias, um longo processo de restauração por meio de backup precisou ser feito. O equipamento afetado foi o modelo Dorado 6000 V3, adquirido em 12 de dezembro de 2018.

De acordo com a Huawei Brasil, toda as informações foram recuperadas com sucesso após a restauração e não houve nenhum risco de segurança envolvido.

"Nenhum dado ou informação foi perdido e o sistema está funcionando normalmente. (...) Esse sistema é utilizado em todo o país por diversos clientes e nenhum problema similar foi registrado", declarou a empresa.

Por medida de segurança, os arquivos recuperados foram, então, disponibilizados em um outro equipamento diferente do Dorado e devem funcionar nele por um tempo. "A previsão é de que o sistema permaneça funcionando até o recesso na estrutura alternativa de armazenamento de dados, sem prejuízos à sua segurança ou performance", afirmou o desembargador-presidente da companhia.

Volta ao normal

O TRT-PR garante que o sistema está funcionando dentro da normalidade e que nada foi perdido. Além disso, destaca que a falha não teve origem em uma invasão criminosa na plataforma usada.

Falhas desse tipo podem ser evitadas, ou ao menos minimizadas, com algumas práticas. A primeira delas é a redundância: ter tudo em duplicidade. Assim, se o sistema/equipamento principal de armazenamento de dados falha, teremos os mesmos dados replicados e salvos em um outro local - em fitas magnéticas ou na nuvem.

Também é essencial manter todos os softwares atualizados, de acordo com as recomendações do fabricante.

Segundo Leandro Silveira, consultor de soluções corporativas da Hitachi Vantara, no caso do TRT-PR, a falha não foi mecânica (de uma peça), e sim do software que faz a gerência do armazenamento de dados. O tribunal tinham uma ferramenta de backup para restaurar as informações perdidas, mas esse processo foi bem demorado.

"Por isso, é muito importante que sejam feitos testes periódicos de recuperação do ambiente e que exista um plano escrito para que, em caso de um desastre, todos os envolvidos já saibam o que fazer para minimizar o tempo parado, caso contrário, poderá resultar em prejuízo financeiro", alerta Silveira.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria Gartner apontou que os gastos com tecnologia da informação no Brasil serão de US$ 64 bilhões em 2020 —um aumento de 2,5% em relação a este ano.

Segundo a Huawei, o modelo V3 é projetado para negócios de "missão crítica em empresas". Na hora de escolher um sistema de armazenamento, Silveira lembra que não se deve levar em conta apenas o valor do equipamento, mas a importância dos dados que ele armazenará.

"Existem ótimos fabricantes no mercado, que investem muitos recursos em pesquisa e desenvolvimento. O custo-benefício de um equipamento de qualidade, e com profissionais adequados para dar suporte no Brasil, pode ser enorme a longo prazo, já que os dados são o novo petróleo e todo cuidado precisa ser redobrado", diz.

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