Topo

Ônibus de SP aceitarão pagamento com cartão de crédito, débito e celular

Ônibus de São Paulo aceitarão pagamento com celular e cartão de crédito e débito - Helton Simões Gomes/UOL
Ônibus de São Paulo aceitarão pagamento com celular e cartão de crédito e débito Imagem: Helton Simões Gomes/UOL

Helton Simões Gomes

De Tilt, em São Paulo

12/09/2019 11h50

Sem tempo, irmão

  • Cartões de crédito, débito e celulares poderão ser usados para pagar viagens de ônibus
  • Projeto-piloto em São Paulo ocorre em pelo menos 200 ônibus
  • Isso vale para cartões e aparelhos com NFC; só encostar no leitor, como no Bilhete Único
  • Está em teste leitura de QR Code para comprar bilhetes de metrô e trem em SP

A Prefeitura de São Paulo anunciou hoje que o Bilhete Único, que até agora reinou absoluto nos pagamentos do transporte público da cidade, acabou de ganhar uma concorrência de peso: cartões de crédito, de débito e até celulares poderão ser usados, a partir da próxima segunda-feira (16), para pagar pelas viagens nos ônibus da capital paulista.

A operação continuará a mesma: bastará aproximar os cartões ou os aparelhos do leitor próximo à catraca. A mudança é que as máquinas presentes nos coletivos têm de ser adaptadas para ler esses novos meios de pagamento. Isso já ocorre em pelo menos 200 dos 14.024 ônibus da cidade, que passaram a circular como projeto-piloto.

E o pagamento?

Outra mudança é que o valor da tarifa será debitado da conta corrente ou lançado na fatura de cartão de crédito. Na prática, a iniciativa corta um intermediário na hora de custear a tarifa. Atualmente, antes de quitar a passagem, o usuário tem de abastecer seu Bilhete Único com créditos, pagos com dinheiro ou cartões de débito em diversos pontos pela cidade.

Na hora do pagamento, haverá uma peculiaridade. Segundo o presidente da Visa, Fernando Teles, o sistema vai autorizar a passagem do usuário ainda que ele não tenha saldo na conta corrente ou não tenha limite no cartão de crédito. Mas isso acontecerá em uma viagem ou quando os validadores se conectarem à internet para transmitir informações. Os cartões que derem o calote entrarão em uma lista de restrição, diz Teles.

Sem integração e com foto

As 12 linhas em que o projeto funcionará atendem cerca de 2,9 milhões de passageiros.

  • 675R/10 Grajaú - Metro Jabaquara (122.410 passageiros)
  • 715M/10 Jd. Maria Luiza - Lgo. da Pólvora (348.830 passageiros)
  • 807M/10 Term. Campo Limpo-Shop. Morumbi (325.956 passageiros)
  • 908T/10 Pq. D. Pedro.II-Butantã (165.580 passageiros)
  • 917M/10 Morro Grande-Metrô Ana Rosa (169.912 passageiros)
  • 917M/31 Morro Grande - Metrô Ana Rosa (19.461 passageiros)
  • 2002/10 Term. Bandeira - Term. Pq. D. Pedro II (72.920 passageiros)
  • 2590/10 União de Vl. Nova - Pq. D. Pedro II (192.655 passageiros)
  • 4031/10 Pq. Sta. Madalena - Metro Tamanduatei (264.433 passageiros)
  • 5129/10 Jd. Miriam - Term. Guarapiranga (378.006 passageiros)
  • 5129/41 Jd. Miriam - Sto. Amaro (133.493 passageiros)
  • 6030/10 Unisa-Campus - Term. Sto. Amaro (317.436 passageiros)
  • 9300/10 Term. Casa Verde - Term. Pq. D. Pedro II (171.025 passageiros)
  • 9500/10 Term. Cachoeirinha - Pça. do Correio (229.038 passageiros)

Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, só em agosto o sistema de ônibus urbanos da capital transportou 232,7 milhões de passageiros. O pagamento de ônibus urbano em São Paulo, cuja tarifa é de R$ 4,30, movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano.

Nos três meses em que o teste durará, não haverá integração com outros ônibus, metrô e trens. A prefeitura ainda não discutiu com as empresas que fazem parte da iniciativa como funcionará a integração se o teste virar ação oficial. "Dá para fazer o que quiser, dar desconto, bilhete mensal. Como vai ser ainda vamos discutir", afirmou João Pedro Paro Neto, presidente para o Brasil e Cone Sul da MasterCard, que está envolvida na operação.

Os passageiros poderão fazer apenas quatro viagens pagar desse jeito. Para garantir que não haverá fraude, os ônibus estão equipados com câmeras de reconhecimento facial, que registra uma foto do passageiro enquanto estiver passando pela catraca.

Adeus, cobradores?

"O objetivo é facilitar para quem paga em dinheiro", diz Edson Caram, secretário municipal de Transporte. Ele acrescentou que a iniciativa visa também ajudar turistas, já que o sistema aceitará cartões internacionais.

Com isso, a pressão para substituir os cobradores aumenta ainda mais. "Já não faz sentido ter [cobrador] hoje. Menos de 5% das passagens são pagas com dinheiro", afirmou o prefeito Bruno Covas.

Por ser feita com cartão, a transação é taxa pelas adquirentes. Durante o teste, essa taxa não será cobrada. Como será depois disso, porém, ainda não foi negociado, mas, segundo o presidente da SPTrans, Paulo Cézar Shingai, não passará de 3%.

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, paga a tarifa do ônibus com celular; sistema de pagamento por aproximação vai funcionar em 200 ônibus da capital paulista - Helton Simões Gomes/UOL
Bruno Covas, prefeito de São Paulo, paga a tarifa do ônibus com celular; sistema de pagamento por aproximação vai funcionar em 200 ônibus da capital paulista
Imagem: Helton Simões Gomes/UOL

Como funcionará

O novo jeito de pagar valerá para cartões e aparelhos eletrônicos, como smartphones e vestíveis (pulseiras ou relógios conectados) que disponham de NFC (sigla em inglês para Near Field Communication). Essa é a mesma tecnologia por trás do Bilhete Único. Ela permite a transmissão de dados do cartão para o leitor desde que estejam mantidos a curtas distâncias - não mais do que cinco centímetros. Uma antena presente no chip do bilhete envia por radiofrequência as informações.

Nem todos os cartões de crédito ou débito poderão ser usados. Funcionarão apenas aqueles que possuírem NFC, como é o caso do cartão da conta do PagBank. O mesmo vale para os celulares. Empresas de tecnologia como Apple, Google e Samsung possuem seus próprios sistemas de pagamento por aproximação. Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay funcionam como carteiras digitais em que os usuários configuram os dados de cartões.

Essa nova onda de pagamentos vem sendo chamada de "contactless", ou seja, sem contato. Os maiores entusiastas da nova tendência são as bandeiras de cartões. Não à toa Mastercard e Visa fazem parte do projeto-piloto em São Paulo, ao lado das adquirentes Cielo e Stone e das companhias de bilhetagem Prodata, Digicom e Empresa 1. A bandeira Elo também entrará na parceria.

Segundo Bruno Covas, não houve licitação e, sim, um chamamento público para que qualquer empresa interessada pudesse participar.

Pagamento moderninho pelo Brasil

Há pelo menos duas outras cidades brasileiras que aderiram à moda. Jundiaí implantou o pagamento com cartões de crédito, débito e pré-pago em toda a frota de 305 coletivos. A diferença é que por lá apenas os da Mastercard podem ser usados. No Rio, os pagamentos sem contato são aceitos no Metrô desde abril, em uma parceria de Visa e Cielo.

No começo de setembro, os passageiros do Metrô e da CPTM de São Paulo ganharam outra forma de comprar bilhetes: via QR Code. A tecnologia já está em fase de testes e mais de 21 mil bilhetes já foram vendidos nesta fase, segundo a Secretaria de Transporte de São Paulo.

A compra de créditos pode ser feita com cartão de crédito pelo celular, por meio do aplicativo VouD (disponível na App Store, da Apple, e na Google Play, do Google). O app exibe um QR Code na tela do celular que deve ser lido nos bloqueios com validador.

São quatro as estações da CPTM que participam do projeto piloto: Autódromo (Linha 9-Esmeralda), Tamanduateí (Linha 10-Turquesa), Dom Bosco (Linha 11-Coral) e Aeroporto-Guarulhos (Linha 13-Jade). No Metrô, são três: São Judas (Linha 1-Azul), Paraíso (linha 1-Azul e 2-Verde) e Pedro II (Linha 3-Vermelha).

É possível ainda comprar o código com cartão de débito em máquinas de autoatendimento nas estações participantes do teste. Após adquirir o QR Code, basta passar o código impresso nos bloqueios com leitores instalados.

SIGA TILT NAS REDES SOCIAIS

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado inicialmente, Jundiaí não fica na região na região metropolitana de São Paulo.

Mais Fique por dentro