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Alfândega dos EUA é hackeada, e dados e rostos de viajantes foram acessados

Materiais estavam sob cuidados de uma empresa terceirizada, que teria violado protocolo de segurança - iStock
Materiais estavam sob cuidados de uma empresa terceirizada, que teria violado protocolo de segurança Imagem: iStock

Gabriel Joppert

Colaboração para o UOL

13/06/2019 12h42

Resumo da notícia

  • O Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteiras dos EUA disse que foi alvo de ciberataque
  • Fotos do rosto de pessoas que cruzaram fronteira e placas de carro foram expostas
  • Segundo relatório, até 100 mil pessoas podem ter sido afetadas
  • Crime reabriu a discussão sobre privacidade no Congresso americano

O Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, em inglês) informou, em comunicado nesta segunda-feira (10), que dados de viajantes foram roubados e expostos após um "ciberataque malicioso". O fato foi divulgado pelo Washington Post.

Entre os arquivos, segundo o órgão, estão placas de carro e imagens do rosto de pessoas que cruzaram um ponto específico da fronteira --que não foi especificada-- no período de um mês e meio.

Originalmente, estes materiais estavam sob os cuidados de uma empresa terceirizada --também não mencionada-- do governo americano. O CBP afirmou que a companhia contratada violou protocolos de segurança e privacidade ao armazenar os arquivos em outros servidores. Relatórios iniciais estimam que menos de 100 mil pessoas teriam sido afetadas.

O comunicado também diz que o "CBP removeu de seu serviço todos os equipamentos relatados na brecha e está monitorando de perto todo o trabalho de subcontratados".

O CBP faz uso amplo de câmeras de segurança para registrar a movimentação nos pontos de cruzamento das fronteiras e em aeroportos nos EUA. As imagens captadas são usadas para ajudar a desenvolver um programa de reconhecimento facial para identificar quem entra e quem sai do país.

Apesar de o órgão do governo não ter especificado a fonte do vazamento, o site de tecnologia britânico The Register havia noticiado recentemente que a Perceptics, que fornece tecnologia de leitura de placas de veículos, foi alvo de ataque hacker em maio.

Também de acordo com o The Register, os dados da Perceptics teriam sido disponibilizados para download pelos hackers responsáveis pela invasão. Não houve, no entanto, a confirmação de que estes arquivos teriam sido vazados e se há relação entre os casos.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, em inglês) foi uma de várias entidades que expressaram preocupação com a vulnerabilidade dos dados de cidadãos acumulados pelo governo, pedindo que as práticas de segurança e privacidade de órgãos como o CBP sejam acompanhadas com mais cautela.

O comitê do Congresso americano - que supervisiona as ações de segurança interna do país - informou que deve marcar uma audiência em torno do uso de dados biométricos pelas agências federais no próximo mês.

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