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Ricardo Cavallini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em expansão, mercado de NFT já torna uma criança milionária e atrai golpes

Imagem da coleção "Baleias Estranhas", feita por um garoto de 12 anos - Reprodução/ OpenSea
Imagem da coleção "Baleias Estranhas", feita por um garoto de 12 anos Imagem: Reprodução/ OpenSea
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Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

05/09/2021 04h00

A venda de obras digitais através de NFTs continua em crescimento. Com o seu amadurecimento, não param de surgir golpes e casos polêmicos.

Entre os casos polêmicos mais atuais, está o de Benyamin Ahmed. Ele é um garoto de 12 anos que mora em Londres e, estimulado por seu pai, passou a vender seus desenhos na plataforma OpenSea. Sua coletânea "Baleias Estranhas" já rendeu ao "artista" £290.000, o equivalente a R$ 2 milhões.

Não está fácil ser adolescente, enquanto alguns ficam apenas jogando videogame, tem a Rayssa ganhando nas Olimpíadas e o pequeno Ahmed faturando R$ 2 milhões com seus desenhos.

Esta seria a democratização da arte conforme eu previ em outro artigo ou apenas a banalização da arte?

Bruno Assami, diretor executivo da Unibes Cultural, não acredita na formação do hábito cultural. "Acredito mais como um movimento de mercado e suas enormes opções de escolha para investimento. O mercado da arte é uma dessas opções e está no perfil de investimento que vive da especulação e variáveis complexas como parte dos produtos de mercado futuro."

Ele também alerta para o fato de o NFT ainda ser muito novo. "O mercado de NFT pode estar configurando um novo segmento de mercado e, portanto, novos players de influência. Não basta um ponto isolado acontecer para configurar isso como mercado."

Com a democratização, os golpes

Enquanto os casos de obras vendidas por milhões continuam aparecendo, o mesmo pode se dizer dos golpes.

No começo de setembro, uma suposta obra feita pelo famoso artista inglês Banksy foi vendida por £244 mil (equivalente a R$ 1,7 milhão). O comprador afirma que recebeu uma dica anônima apontando para uma página no site do artista. Segundo a vítima, ele checou cuidadosamente para verificar se a página com o link do leilão estava realmente hospedada no site oficial do artista.

Parte de um golpe mais elaborado, o site do artista pode ter sido hackeado para a inserção da página falsa.

Através de seu time, Banksy soltou uma nota afirmando que não tem nenhuma relação com qualquer obra ou leilão NFT, mas não comentou nada sobre a página falsa ou hackeada.

O mais estranho foi o que aconteceu depois: o hacker devolveu o dinheiro. O colecionador que caiu no golpe também ficou surpreso com a devolução, disse acreditar que o hacker tenha ficado assustado com a repercussão.

A vítima, que usa o pseudônimo de Pranksy, é um colecionador "antigo" e "experiente", se é que dá para dizer isso em um mercado com poucos anos de vida como o de NFTs.

Outros artistas já foram plagiados, caso de Derek Laufman que em março criticou ferozmente a plataforma de vendas Rarible. "Achei que o objetivo do NFT era que a arte e os artistas precisavam ser verificados. Aparentemente, é superfácil enganar as pessoas. Que piada é essa plataforma."

Mauricio Pommella, crypto artista e designer radicado no Canadá, é um dos primeiros brasileiros a desbravar esse território e faz um alerta: "se alguém ativo na comunidade e experiente como o Pranksy caiu em um golpe, isso é um alerta para todos do quanto é necessário pesquisar antes e se certificar sobre o que está comprando".

Porém, mesmo com golpes e com adolescentes ganhando milhões, o mercado de NFT continua crescendo e atraindo atenção. Como pondera Assami:

"Não deixa de ser excitante apostar, quem não gosta de um jogo da sorte? Como tantos outros investimentos numa carteira bem definida eu alocaria na parte de maior risco e maior volatilidade."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL