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Star Wars Jedi: Fallen Order é uma mistureba que acaba dando certo

Cal Kestis é o herói de "Fallen Order": de um simples operário até a última esperança de salvar a galáxia - Divulgação
Cal Kestis é o herói de "Fallen Order": de um simples operário até a última esperança de salvar a galáxia
Imagem: Divulgação

Jefferson Kayo

Colaboração para o START

27/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Jogo é focado na campanha: tem começo, meio e fim, com um novo herói em uma história inédita
  • Gameplay traz influências de "Sekiro" e "Dark Souls", além de "Uncharted" e "Tomb Raider"
  • Apesar da mistura de estilos, é uma das melhores narrativas de Star Wars nos games

A expectativa sobre "Star Wars Jedi: Fallen Order" não era pequena. Além da missão de agradar fãs não somente de videogames, mas também de toda uma franquia enraizada no universo da cultura pop, o jogo carrega uma apreensão da própria EA. Ao lado da Respawn, ela "só" precisava entregar o melhor jogo de Star Wars que o mundo já havia visto — uma maneira singela de tentar apagar os erros do passado em "Battlefront 2".

Mas o caminho da perfeição não é tão fácil quanto parece.

Cal Kestis, o futuro Jedi

"Star Wars Jedi: Fallen Order" nos apresenta o ex-padawan Cal Kestis, que passou a viver escondido do mundo após a ascensão do Império e o início do extermínio dos Jedi. Colocando em termos práticos, a aventura de Cal se passa cinco anos depois do terceiro filme da nova trilogia ("Star Wars III: A Vingança dos Sith"), mas antes de "Solo: A Star Was Story" e "Rogue One". Mas não há motivo de preocupação, pois a jornada do novo herói não requer conhecimento prévio desse universo, mesmo com a participação especial de Saw Gerrera, personagem de Forest Whitaker, que também empresta suas feições para o jogo.

Como num típico conto da Disney, o jovem sem nenhuma perspectiva de vida passa de um simples operário à única resposta rebelde para reacender a chama da esperança e salvar toda uma galáxia. Olhando para a cara do sujeito, a gente até duvida um pouco da sua capacidade, visto que da última vez que jogamos com um "escolhido" foi em "Force Unleashed" (2008), com um Aprendiz que emanava uma aura mais confiável.

Como num típico conto da Disney, o jovem sem nenhuma perspectiva de vida passa de um simples operário à única resposta rebelde para reacender a chama da esperança e salvar toda uma galáxia

Este é o Cal: falta pouco para ele virar um Jedi - Divulgação
Este é o Cal: falta pouco para ele virar um Jedi
Imagem: Divulgação

Mas Cal Kestis não é nem de longe um problema no jogo. Interpretado por Cameron Monaghan, o aprendiz de Jedi tem seus momentos de glória na aventura e ganha um carisma extra sempre que contracena ao lado de BD-1, seu droid companheiro e mais um dos mascotes memoráveis no mundo de Star Wars (te cuida, BB-8!).

Como elenco de apoio, dois dos grandes pilares da história se apresentam como os tripulantes da Mantis, sua nave de viagens interplanetárias: Cere Junda, a Jedi que se desligou da Força, e Greez Ditrus, o capitão da nave. Cal aceita o pedido de ajuda da dupla e os três partem em busca de um Holocron escondido em algum lugar do universo por Eno Cordova, mestre de Cere.

Conflito de personalidade

Corrida na parede, escaladas e "puzzles" de cenário: um Jedi precisa dominar tudo isso - Divulgação
Corrida na parede, escaladas e "puzzles" de cenário: um Jedi precisa dominar tudo isso
Imagem: Divulgação

A grande surpresa do jogo é o gameplay. Com uma certa influência do recente "Sekiro", o jogo mais recente da FromSoftware publicado pela Activision Blizzard, ele tenta manter sempre o jogador no seu lugar, ou seja: mostrando através das suas inúmeras mortes que é inútil ficar martelando o mesmo botão e torcer para dar certo.

E é nesse contexto que entra uma mecânica fundamental de "Sekiro", o aparamento de golpe. Não temos barra de fôlego, mas Cal Kestis e todos os inimigos têm sua própria barra de defesa. Antes de causar dano, precisamos quebrar essa defesa com aparadas precisas dos golpes adversários e ataques moderados. Quando a defesa é derrubada, é hora de causar dano de verdade.

Não é a abordagem mais casual para um jogo de apelo para todo e qualquer tipo de público, e mesmo no seu modo mais fácil, ele pode gerar um certo desconforto ao jogador. Além de tudo isso, precisa tomar cuidado para não morrer, pois sempre que é derrotado, perdemos um pouco da experiência adquirida até aquele momento. E da mesma forma como acontece em "Sekiro" ou em "Dark Souls", o jogador precisa voltar até o ponto da fase em que morrer para recuperar essa experiência perdida.

É difícil, mas ficou bem legal.

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Fora o combate, temos também grande parte do jogo voltada para a exploração dos planetas. Algo que varia entre o alpinismo de "Uncharted" com pitadas de quebra-cabeças de cenário, bem ao estilo de "Tomb Raider". Parecia que a Respawn estava mesmo atirando para todos os lados, mas pelo menos as coisas funcionam bem e não te deixam na mão.

Não podemos esquecer também do componente "Metroidvania" do game, que dá a possibilidade ao jogador de explorar áreas já visitadas, mas com novos poderes. No entanto, paira no ar uma dúvida: qual a real necessidade de explorar áreas já visitadas além do necessário para o avanço na campanha?

Bem, a necessidade é quase nula, já que além de alguns upgrades de habilidades (vida e Força), todo e qualquer item adquirido na exploração é puramente estético. Novos ponchos, cores para a sua roupa base, para a Mantis e o BD-1, além de partes do sabre de luz. Inclusive, é muito legal a parte de personalização do sabre de luz, deixando o jogador escolher a empunhadura, o disparador de feixe, a liga metálica utilizada, e claro, a cor da sua espada. O único problema, no entanto, é que o sabre tem pouco mais de cinco centímetros na cintura do protagonista e todos os detalhes ficam meio diminutos ali.

Aliás, quem um dia pensou que "ponchos" seriam uma bela inclusão no visual Jedi do personagem? Sério...

Uma jornada difícil

Alguém empresta um condicionador para esses Wookies? Eles tão precisando - Reprodução
Alguém empresta um condicionador para esses Wookies? Eles tão precisando
Imagem: Reprodução

Viajar por entre planetas diversos e com seus próprios ecossistemas não é uma tarefa fácil para os heróis do game. Fica ainda mais difícil quando o jogo deixa de funcionar corretamente em plataformas mais modestas, como um PS4 normal (ou Xbox One). As constantes quedas no framerate (principalmente no final do jogo) e a falha em renderizar alguns cenários por completo antes de a ação tomar conta da tela tiram um pouco da magia do game, mas não o estragam por completo, longe disso.

O maior problema de "Fallen Order" é sua narrativa. Começa bem, mas logo se perde num marasmo de dúvida atrás de dúvida, fazendo o jogador visitar os mesmos planetas mais de uma vez, sem avançar um pingo de história sequer. Então, meio que do nada resolve as principais pendências do jogo de uma vez e te arremessa para o arco final sem o desenvolvimento adequado. E em quase 15h de exploração antes do momento chave da trama, temos uma bela quantidade de ponchos para vestir, um pulo duplo e uma fauna totalmente escaneada com a ajuda de BD-1.

O maior problema de 'Fallen Order' é sua narrativa. Começa bem, mas logo se perde num marasmo de dúvida atrás de dúvida, fazendo o jogador visitar os mesmos planetas mais de uma vez

Não é a Disney, mas aqui a gente também personaliza nosso sabre de luz - Divulgação
Não é a Disney, mas aqui a gente também personaliza nosso sabre de luz
Imagem: Divulgação

Até o final da aventura conseguimos destravar algumas habilidades com o uso da Força (puxar, empurrar, parar o tempo e o pulo Jedi, todas adquiridas através da campanha), habilidades de hacking com o BD-1 e novos golpes com o sabre de luz, completamente dispensáveis — apenas por uma questão de otimização do combate por parte do jogador mesmo. Aumentar sua vida e quantidade de Força disponíveis são muito mais importantes do que ganhar um golpe que provavelmente só vamos acertar no Stormtrooper mais fraquinho da trupe.

Multiplayer? Aqui não!

"Star Wars Jedi: Fallen Order" é um game feito à moda antiga, com começo, meio e fim. O game é apresentado como uma campanha para um jogador com foco total na narrativa e desenvolvimento dos personagens.

Apesar de o jogador escolher o planeta que vai visitar desde o começo, o jogo sempre deixa ali a direção exata que você deve tomar daquele ponto em diante. Avançar de forma não-linear não vai pular algum momento chave da trama, pelo contrário: o jogo força você para o caminho certo impondo barreiras que só podem ser avançadas mediantes habilidades especiais (destraváveis na campanha).

O futuro de Star Wars

Cal e Cere, personagens carismáticos - Divulgação
Cal e Cere, personagens carismáticos
Imagem: Divulgação

É cedo para dizer se as aventuras de Cal Kestis e os tripulantes da Mantis serão mantidas apenas no game ou vão se espalhar pelas demais produções Star Wars. Seria interessante, no entanto, que o desenrolar dos acontecimentos do game se expandisse numa citação mínima no próximo filme ou, quem sabe, numa possível série do canal Disney+, por exemplo.

O que importa é que mesmo o jogo sendo a salada de frutas que é, já fazia um bom tempo desde a última boa campanha narrativa de Star Wars para algum videogame ("Force Unleashed" manda lembranças). "Fallen Order" entrega uma diversão sem compromisso, atrelada a uma nostalgia bem-vinda desse universo que tantos apreciam. Já sinto saudades, BD-1.

Divulgação
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Lançamento: 15/11/2019
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC (Steam, EA Origin e Epic Game Store)
Preço Sugerido: R$ 238,99 (PSN)
Classificação indicativa: 14 anos (Violência)
Desenvolvimento: Respawn Entertainment
Publicação: Electronic Arts

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