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Na quarentena, TV paga perde 55 mil assinantes em abril

Brasileiro 2019, Flamengo x Goiás  - Thiago Ribeiro/AGIF
Brasileiro 2019, Flamengo x Goiás Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

31/05/2020 10h35Atualizada em 01/06/2020 10h27

Últimos dados consolidados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apontam que em abril a TV por assinatura no Brasil registrou a perda de mais de 55 mil assinantes.

Se é que pode ser entendido como uma boa notícia, a queda em abril foi bem menor do que a de março, quando 90 mil clientes cancelaram seus contratos com as operadoras.

Porém, abril foi o período do auge da quarentena devido à pandemia de coronavírus.

A maioria dos canais pagos manteve seus sinais abertos a todos os assinantes por um bom período (eles devem fechar neste domingo, 31).

No total, ainda há 15,3 milhões de resilientes assinantes da TV paga no país. Esse número, aposta-se, ficará abaixo dos 15 milhões até o início de 2021.

Desde o final de 2014 houve uma sangria de 25% dos clientes. Isso se acentou após a Copa do Mundo no Brasil, quando o país beirou os 20 milhões de assinantes.

Já enumeramos várias vezes os motivos que têm levado à esse escoamento da base de assinantes ano após ano:

1 - Soma-se crise econômica, desemprego em massa e pacotes caros e coalhados de canais inúteis ou desinteressantes, que entram no bloco do assinante obrigatoriamente;

2 - Programação repetitiva; alguns programas chegam a ser exibidos quatro vezes no mesmo dia;

3 - Intervalos repetitivos e insuportáveis. A cada 10 ou 15 minutos de programação, são 5 minutos de intervalos —se não sobre produtos enfadonhos, como o da 1,2,3 Milhas ou Trivago, sobre a própria programação do canal;

4 - Com a pandemia, o futebol está suspenso no Brasil e somente os canais Premiere, do Grupo Globo, perderam cerca de 300 mil assinantes este ano.

5 - Péssimo atendimento das operadoras não só no serviço de TV paga mas principalmente de internet: conexões lentas, fora do ar e nenhuma resposta em caso de queixas são outros motivos que ajudam o consumidor a abandonar o serviço de TV paga e mudar para a...

(...) 5 - Netflix e demais serviços de streaming, cujos acervos já estão avançando também sobre conteúdo similar na TV paga, além de um acervo incalculavelmente maior de filmes e seriados. E o melhor:por um preço até 10 vezes menos que o de uma assinatura de TV;

6 - A imparável ascensão e expansão da pirataria: é cada vez mais fácil comprar legalmente equipamentos (box) que, com uma mera mudança de configuração, permitem a pirataria de sinais de TV, inclusive canais premium;

Enquanto enfrenta todos os "adversários" a TV paga no Brasil míngua e não parece perto de encontrar nenhuma solução para as principais queixas dos clientes.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL