Conteúdo publicado há 19 dias

Sci-fi nacional da Netflix tem paratletas superpoderosos e sexo biônico

"O ano é 2035, e o mundo mudou". É com essa frase enigmática que começa "Biônicos", ficção científica nacional já disponível na Netflix que imagina um cenário em que o avanço da tecnologia das próteses revolucionou o esporte e aprofundou os problemas da sociedade.

Na história, as próteses viraram um sonho de consumo para atletas. Os novos modelos tornam obsoletos os atletas sem deficiência, que chegam a considerar amputações ilegais para se tornarem biônicos. Essa revolução divide a família das irmãs Maria (Jessica Córes) e Gabi (Gabz): ambas são corredoras, mas apenas a segunda tem a carreira impulsionada por uma prótese na perna.

Bruno Gagliasso descreve seu personagem como "tarado" pelas próteses. Em entrevista a Splash, ele conta que se empolgou gravando uma cena de sexo e sugeriu ao diretor Afonso Poyart ("Dois Coelhos") que o personagem lambesse e acariciasse uma perna biônica: "Não estava no roteiro! Eu construí meu personagem com muita tara nisso".

Ele tem um fascínio por esses biônicos, por essa prótese. Eu falei: 'Caralho, essa cena é perfeita para isso'. Bruno Gagliasso

Jessica Córes e Bruno Gagliasso em cena de "Biônicos"
Jessica Córes e Bruno Gagliasso em cena de "Biônicos" Imagem: Divulgação

Presente na gravação, Jessica Córes se impressionou com a disposição de Bruno. "É uma cena muito louca! O Bruno se divertiu lambendo, botando os dedos, tinha saliva também, uma babinha lá pendurada".

As próteses foram o maior desafio da produção. Além de especialistas em efeitos especiais que editaram mais de mil frames individualmente, a equipe também contou com a ajuda de atletas com e sem deficiência para explicar os movimentos. Eles ajudaram a imaginar, por exemplo, o que o corpo precisaria fazer para executar saltos biônicos que ultrapassam a marca de 15 metros — o recorde do salto em distância é de 8,95 m (obtido pelo norte-americano Mike Powell, em 1991). Gabz afirma que se divertiu tentando conciliar o realismo e a imaginação: "Era quase uma brincadeira de criança".

Essa também é a graça do cinema. Queremos ser realistas, mas queremos principalmente que seja interessante para a galera que tá vendo. Gabz

Gabz interpreta Gabi em "Biônicos"
Gabz interpreta Gabi em "Biônicos" Imagem: Divulgação
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A distopia do filme foge de clichês da ficção científica. Usando a arquitetura brutalista de São Paulo para criar um ambiente cyberpunk, a produção tenta imaginar os impactos específicos dos avanços na tecnologia na sociedade brasileira: "Você tem muita evolução da parte digital, mas todo o resto parece que andou um pouco para trás", diz o diretor.

Ao mesmo tempo, "Biônicos" segue a tradição do gênero usando o futuro para propor reflexões sobre o presente. O elenco destaca que, além de ser um filme de ação, a obra explora o impacto psicológico desse cenário nos personagens. Christian Malheiros, por exemplo, interpreta Gus, irmão mais novo de Maria e Gabi que se sente preterido por não ser atleta. "Numa família de heróis, ele também quer ser herói", resume o ator.

Eu me sinto muito orgulhosa por fazer parte desse movimento do cinema nacional, entendemos que podemos fazer qualquer coisa. A gente pode contar qualquer história pela nossa lente. Gabz

A trama nasceu de uma polêmica real envolvendo próteses nas Olimpíadas. Em 2012, o paratleta sul-africano Oscar Pistorius venceu uma disputa na Justiça e conquistou o direito de concorrer com atletas sem deficiência. Durante o processo, coube ao Tribunal Arbitral do Esporte decidir: as próteses podem dar vantagens competitivas aos paratletas? A partir dessa ideia, Poyart criou com o roteirista Cris Cera o curta-metragem "Protesys" (2020), estrelado por Cauã Reymond e o atleta paralímpico Flávio Reitz — desse curta, nasceu o filme produzido pela Black Films para a Netflix.

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