Thiago Stivaletti

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Opinião

'The Crown': Por que ainda amamos reviver a morte de Diana?

Mais de 26 anos depois do acidente de carro que matou a princesa, em Paris, cá estamos de novo revivendo o trauma. A primeira parte da sexta temporada de "The Crown", que a Netflix lançou na semana passada, rodou inteira em torno da morte de uma das figuras mais populares de todo o século 20.

Nem todo mundo lembra, mas um grande filme de 2006 já tinha dado conta da fase mais comentada da monarquia britânica. Em "A Rainha", Helen Mirren (Oscar de melhor atriz) vive Elizabeth 2ª tendo que lidar com o fantasma de Diana logo após a morte.

Atriz australiana Elizabeth Debicki interpreta Diana em 'The Crown'
Atriz australiana Elizabeth Debicki interpreta Diana em 'The Crown' Imagem: Divulgação

A princesa não chega a ser personagem do filme, que começa já depois do acidente. O fantasma é a imagem de Diana na TV incessantemente, atormentando uma monarca que não entende a comoção das pessoas no mundo todo.

Alerta de Spoiler Splash
Alerta de Spoiler Splash Imagem: Arte UOL

Vale a pena ver para comparar, pois o filme dá mais impacto a esse momento conturbado da família real do que a série, que apela para fantasmas "de verdade", tanto da princesa quanto de seu amigo Dodi Al-Fayed, a segunda vítima (bem menos lembrada) do acidente.

E por que amamos reviver a morte de Diana? Porque o conto de fadas da mulher "do povo" que cai nas graças do príncipe real realiza o sonho de pessoas comuns de qualquer regime ou nacionalidade — nem preciso falar do Brasil, onde somos criados à base de novelas.

A trajetória de Diana Spencer foi a "O Príncipe e a Plebeia", uma versão invertida de "A Princesa e o Plebeu". OK, não dá para ignorar o tal do carisma, um valor misterioso dado a alguns pouco abençoados — sem ele, Diana talvez não tivesse ido muito longe.

E há, claro, o drama na monarquia, algo que "The Crown" explora tão bem: a princesa e sua sogra rainha que não a suporta e a despreza mesmo na hora da morte; um príncipe que talvez nunca a tenha amado de verdade, preferindo uma mulher com menos encantos videntes; e um futuro rei, o primeiro de pais divorciados, órfão de mãe tão jovem. Drama, drama e mais drama.

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Também não é difícil entender por que amamos "The Crown", uma série que faz uma hábil costura entre fato e fake, realidade e situações imaginadas para preencher as lacunas do que não se pode verificar. O site americano Indiewire, um dos meus preferidos no mundo do cinema e das séries, fez uma checagem dos eventos que rolam nesses novos episódios.

É pouco provável, por exemplo, que Dodi tenha proposto casamento a Diana. Paul Burrell, mordomo e confidente de Diana, sempre disse que ela via o playboy árabe como uma distração. Seu verdadeiro amor pós-Charles teria sido mesmo o cirurgião Hasnat Khan, que apareceu na temporada 5.

Segundo a biógrafa Tina Brown, Khan teria sido o motivo de Diana contratar um fotógrafo para "flagrar" ela e Dodi se beijando num iate, numa tentativa torta de causar ciúmes ao médico — e nesse caso, Mohammed Al Fayed, pai de Dodi, não teria nada a ver com isso, como sugere a série.

E por fim, nada cheira mais a fake news do que o fantasma de Diana ter aparecido para Charles e a Rainha Elizabeth. Certamente ela teria pessoas bem mais queridas para quem aparecer, a começar por seus filhos e seus pais...

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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