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Roberto Sadovski

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Harry Potter' é pouco: Prepare-se para um ano de celebração pop em 2022

"Harry Potter: De Volta a Hogwarts" - HBO Max
'Harry Potter: De Volta a Hogwarts' Imagem: HBO Max
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Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

04/01/2022 06h42

"Harry Potter e a Pedra Filosofal" fez aniversário e ganhou como presente um especial no HBO Max. Em pouco menos de duas horas, elenco e diretores deram uma geral em uma década de adaptações dos livros de J.K. Rowling para o cinema - mesmo que a autora fosse sutilmente deixada de lado.

Nada para se alarmar, claro. Convidada, ela declinou da oportunidade de lembrar-se do sucesso cinematográfico de sua criação, até para não manchar a festa com o ressurgimento das acusações de transfobia que a perseguem. Por outro lado, sua relação com o estúdio que banca os filmes continua tranquila, já que J.K. é co autora do roteiro do terceiro "Animais Fantásticos", que já já chega a um cinema perto de você.

O especial da HBO Max foi uma mistura de festa da firma com sessão de terapia, com muitas lágrimas emoldurando depoimentos apaixonados de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, trio de protagonistas que interage com seus companheiros de cena.

Não há muita história que já não tivesse sido revelada, e eu assino qualquer petição para que Helena Bonham Carter participe de todos os revivals que o cinema possa oferecer, mesmo de filmes que ela não tenha a menor participação.

harryp helena - HBO Max - HBO Max
Helena Bonhan Carter e Daniel Radcliffe voltam a Hogwarts
Imagem: HBO Max

A palavra-chave desse "Harry Potter: De Volta a Hogwarts" - assim como a festa que reuniu o elenco de "Friends" e, vá lá, o mais-bacana-do-que-tinha-direito "And Just Like That", que retomou "Sex and the City" - é mesmo nostalgia. Uma olhada no calendário de aniversariantes de 2022 aponta que oportunidades para celebrar não faltarão.

Para ajudar a turma que investe nessa programação (streamers, de nada), separei cinco filmes que atingem uma data emblemática em 2022 (ok, não foram só cinco) e que merecem ganhar o mesmo tratamento nostálgico, emocionante e midiático que a turma da Escola de Magia. Se puderem incluir Helena Bonham Carter em todos, melhor ainda!

OS 50 ANOS DE "O PODEROSO CHEFÃO"

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'O Poderoso Chefão'
Imagem: Paramount

Em março o melhor filme da história do cinema celebra seu Jubileu de Ouro (é isso, produção?), e sem dúvida a data não passará em branco. A obra prima de Francis Ford Coppola é o tipo de produção inexistente no cinema atual: um filme para adultos, bancado por um estúdio, executado por um verdadeiro visionário, e que se tornou sucesso nas bilheterias, com os críticos e entre seus pares.

O tempo fez de "O Poderoso Chefão" um pedaço valioso da cultura pop, uma propriedade intelectual que rendeu duas continuações e, recentemente, desdobrou-se nas traquitanas que a turma com arcada dentária definitiva gosta de gastar seus trocados, como bonecos colecionáveis e videogames. Coppola passou a pandemia dando um tapa em "Apocalypse Now". Podia tirar alguma surpresa da gaveta com a saga dos Corleone.

OS 40 ANOS DE "E.T. - O EXTRATERRESTRE"

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'E.T. - O Extraterrestre'
Imagem: Universal

Quem se espanta com os fenômenos pop que vez por outra tomam o planeta de assalto, não imagina que quatro décadas atrás o diretor Steven Spielberg, revigorado com o sucesso de "Os Caçadores da Arca Perdida", seria o responsável por um dos filmes mais emblemáticos da história, uma aventura gravada no zeitgeist que até hoje reverbera na indústria como um triunfo artístico e comercial.

O mais espantoso é que, 40 anos depois, "E.T." permanece uma pérola intocada. Seu sucesso, na visão moderna de Hollywood, alavancaria outros filmes para o cinema, talvez uma série em animação para a TV, além de desdobramentos em outras mídias. Mas não foi assim. Tirando um jogo micado para o Atari, um fracasso tão monumental que cartuchos terminaram enterrados no deserto (!), e os indefectíveis bonequinhos para a petizada, o filme de 1982 segue como artigo único.

O motivo é que "E.T.", com sua ambientação suburbana e sua história intimista, é um filme muito querido e pessoal para Spielberg. Ele preferiu nunca se arriscar em uma continuação para não quebrar a magia do original, e também não deixou que a Universal seguisse com um projeto assim sem ele. Algo impensável no mundo de propriedades intelectuais moderno. Merece, portanto, um belo revival lacrimoso. Ah, e sem a "repaginada" digital que ele experimentou em 2002.Para de dar ideia, George Lucas!

OS 30 ANOS DE "OS IMPERDOÁVEIS"

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'Os Imperdoáveis'
Imagem: Warner

Há quem abrace "O Exterminador do Futuro 2" com força. Há quem jamais saia do lado de "O Silèncio dos Inocentes" ou "Thelma & Louise". Há quem reze no altar de "Matrix". Para este que vos escreve, porém, o filme que definiu a década de 1990, e o auge criativo de uma verdadeira lenda, é "Os Imperdoáveis".

Clint Eastwood definiu sua carreira como o rosto indelével do western. Fez por onde. Ao longe de décadas, e em parcerias com gênios do cinema como Sergio Leone, ele criou alguns dos faroestes mais magistrais da história, como "Três Homens em Conflito", "O Estranho Sem Nome" e "O Cavaleiro Solitário". Consolidado como diretor, Clint encarou uma última jornada no gênero. E criou uma verdadeira obra-prima.

Ao desconstruir todas as convenções do gênero, abandonando seu machismo inerente e sua romantização da violência e da figura impoluta do caubói, "Os Imperdoáveis" humaniza seus protagonistas, de todos os lados da lei, em uma história sobre a linha extremamente tênue entre vingança e justiça. Tudo conduzido com elegância por Clint, aqui também em seu melhor papel. Seria uma celebração que resgataria ícones para festejar, de maneira sublime, o verdadeiro cinema.

OS 25 ANOS DE "TITANIC"

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'Titanic'
Imagem: 20th Century Studios

Se a maré não experimentar nenhuma oscilação violenta ao longo deste ano, James Cameron volta triunfante em dezembro com seu "Avatar 2". É um retorno a ser celebrado, já que o diretor dificilmente sairia de casa para entregar algo menor que outra uma revolução absoluta para o cinema. "Ah, mas ninguém lembra mais de 'Avatar'", dizem os incautos, repetindo o erro cometido 25 anos atrás. Foi quando "Titanic" provou que sempre se deve confiar em James Cameron.

"Titanic" navegou em um oceano de incertezas até finalmente chegar aos cinemas em 19 de dezembro de 1997. Era uma estreia com atraso, já que o filme, agendado para aportar seis meses antes, experimentou todo tipo de complicação que impediram que Cameron cumprisse o cronograma.

Ninguém apostava em seu sucesso. Com a conta batendo em então inéditos US$ 200 milhões, seus detratores apontavam um fracasso absoluto, já que o investimento era em uma história de amor ambientada em uma história que todo mundo sabia como terminava. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet à frente, "Titanic" finalmente ganhou o mundo. O resto é história. Um relançamento remasterizado seria perfeito, não? Bom, eu aprendi a nunca duvidar de James Cameron.

OS 20 ANOS DE "HOMEM-ARANHA"

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'Homem-Aranha'
Imagem: Sony

Esse aqui certamente faz meus ossos sentirem o peso da idade. Quando "Homem-Aranha" chegou aos cinemas em 3 de maio de 2002, eu estava em Los Angeles para cobrir o lançamento. Em uma época em que a histeria em torno dos super-heróis no cinema ainda engatinhava, foi bacana ser o único brasileiro (se você está lendo e também estava lá, aponte nos comentários!) a testemunhar um fenômeno de perto.

Um fenômeno que levou uma década para se desvencilhar de um atoleiro legal envolvendo os direitos autorais do herói da Marvel para o cinema. Quando Sam Raimi finalmente foi anunciado como diretor, o estúdio tratou de lapidar o filme por comitê: sem podar sua visão criativa, Raimi teve de tatear um campo minado para entregar um filme com o "ok" de todos os envolvidos.

Foi um arraso. Primeiro filme a faturar mais de US$ 100 milhões em fim de semana de estreia, "Homem-Aranha" eclipsou a concorrência (que era, vale lembrar, "Star Wars: Ataque dos Clones") e posicionou-se como a aventura a ser vista e batida em 2002. Com "Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa" repetindo o fenômeno com o herói, uma reunião com Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst e cia., apresentada por Tom Holland e Zendaya (deixa o povo sonhar!), seria a cereja no topo do bolo!

OS 10 ANOS DE "A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER PARTE 2"

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'A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 2'
Imagem: Paris Filmes

Esse não precisa de revival, de especial, de reunião de elenco. Nada. A celebração já aconteceu, e foi há dez anos mesmo, quando finalmente uma das piores sagas da história do cinema finalmente chegou ao fim. Podemos comemorar, sei lá, uma década em que ninguém sequer cogitou em retomar a "saga" dos vampiros teen? Então tá.