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Guilherme Ravache

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Globoplay cresce 68%, bate recorde e pode faturar R$ 1 bilhão no ano

Juliana Paes no Casa Kalimann, atração do Globoplay - Reprodução / Internet
Juliana Paes no Casa Kalimann, atração do Globoplay Imagem: Reprodução / Internet
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Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

17/10/2021 06h00

Resumo da notícia

  • Globoplay tem recorde de faturamento no segundo trimestre e aumento de 42% de assinantes
  • Usuários do Globoplay assistiram a mais de 193 milhões de horas de conteúdo nos meses de abril, maio e junho
  • As recentes parcerias do Globoplay com concorrentes como Deezer, Apple TV+ e Amazon Prime ajudaram a melhorar o faturamento
  • Números de audiência da TV aberta e a cabo pioraram, principalmente na faixa noturna da emissora
  • Crescer no digital controlando as despesas é um desafio; os custos de vendas, publicidade e serviços aumentaram 83% no Grupo Globo
  • O futebol e a aquisição de séries e filmes para o catálogo do Globoplay foram os maiores responsáveis pelo aumento

Segundo relatório financeiro da Globo divulgado a investidores, o faturamento do Globoplay cresceu 68% no segundo trimestre de 2021. O número é uma boa notícia para a Globo, que no primeiro semestre teve um prejuízo de R$ 144 milhões. Mas os números também mostram que as despesas do crescimento da plataforma de streaming têm aumentado rapidamente.

A Globo afirma que os usuários do Globoplay assistiram a mais de 193 milhões de horas de conteúdo nos meses de abril, maio e junho. No período, a plataforma trouxe uma receita adicional de R$ 113 milhões em comparação ao mesmo período do ano passado. Já a base de assinantes aumentou 42% em relação ao segundo semestre de 2020. O Big Brother foi a principal razão para o crescimento do número de assinantes.

Com relação ao faturamento ter crescido mais que o aumento do número de assinantes, a Globo explica que as recentes parcerias do Globoplay com concorrentes como Deezer, Apple TV+ e Amazon Prime ajudaram a melhorar o faturamento. Segundo a direção da Globo, parcerias e novos planos têm sido "efetivos para o aumento do preço médio dos valores de venda do Globoplay". Acordos como o realizado com Deezer, Apple TV+ e Amazon também trazem novas receitas desses parceiros para a Globo.

Em junho, por exemplo, a Globo anunciou um surpreendente acordo do seu canal Premiere com o Amazon Prime, um concorrente direto do Globoplay. Com a parceria, o Premiere deixou de ser vendido exclusivamente no on-line pelo Globoplay e no Premiere Play, também passando a ficar disponível na plataforma de streaming da Amazon.

TV aberta e cabo em queda

Enquanto cresce no streaming, os resultados no cabo e na TV aberta decepcionam. No primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, o share da TV Globo das 7 da manhã à meia-noite caiu de 34% para 33%; mas no horário das 18h até meia-noite, a queda foi de 39% para 33%, justamente a faixa com os maiores valores de publicidade, com atrações como o Jornal Nacional e novelas. Em junho, o colunista Ricardo Feltrin revelou que a audiência da Globo caiu 15% sem o BBB.

A Globo afirma que o aumento do faturamento do Globoplay e os novos pacotes ajudaram a compensar a queda da base de assinantes na TV a cabo e em canais dedicados como o Premiere e o Combate.

Rumo ao primeiro bilhão

Se levarmos em conta o crescimento de receita de 68% em relação ao mesmo período de 2020 (e que isso representa R$ 113 milhões adicionais de faturamento), a estimativa é que a receita do Globoplay no segundo trimestre de 2020 estivesse em torno de 167 milhões. Ou seja, entre abril e junho deste ano, o Globoplay deve ter faturado cerca de R$ 280 milhões (R$ 113 milhões mais R$ 167 milhões). A Globo não divulga o número de assinantes nem a receita do Globoplay.

Mantido o ritmo de crescimento e receita próxima a R$ 280 milhões por trimestre, o Globoplay pode faturar pela primeira vez R$ 1 bilhão em um único ano. O problema é que no segundo semestre houve um aumento da concorrência com a estreia de outras plataformas de streaming e a emissora deixou de contar com o Big Brother para impulsionar suas vendas, o que deve reduzir o crescimento de assinantes e aumentar os cancelamentos.

Questionada sobre os dados de receita anual do Globoplay e o valor recebido dos parceiros, a Globo informou por meio de sua área de comunicação que "as informações públicas estão disponíveis no relatório. Quaisquer outras que envolvam acordos comerciais são internas e estratégicas para o negócio".

Faturamento cresce, mas custos também

À medida que o faturamento do Globoplay aumenta, a conta também sobe. Os custos de vendas, publicidade e serviços aumentaram 83% (R$ 1,175 bilhões) no segundo trimestre de 2021 em comparação a 2020. Desse valor, R$ 975 milhões são de aumentos de custos de transmissão e direitos de exibição. O futebol e a aquisição de séries e filmes para o catálogo do Globoplay foram os principais responsáveis pelo aumento de 83% dos custos em relação ao ano anterior. A necessidade de aumentar o catálogo e os crescentes custos do conteúdo ajudam a explicar a ida do Telecine para dentro do Globoplay.

Vale notar que o pacote de futebol, apesar do alto custo para a Globo, teria trazido R$ 2,1 bilhões para a emissora com a venda de sete cotas de R$ 300 milhões na temporada de 2021.

O relatório aponta ainda uma despesa adicional de tecnologia da ordem de R$ 148 milhões na empresa, mas não informa se o investimento está relacionado ao Globoplay. O custo possivelmente esteja ligado à melhoria do sistema de meios de pagamentos usado nas plataformas digitais da Globo, um investimento de valor semelhante estava programado para 2021, apurou a coluna.

Um executivo que já trabalhou na emissora afirma que a empresa tem um grande desafio pela frente. "A Globo apostou tudo no digital, agora não pode voltar atrás. O problema é que o streaming é um negócio cada vez mais competitivo e de margem cada vez pior. A Globo é muito boa de conteúdo, o Big Brother prova isso. Mas será difícil seguir investindo no streaming, que é muito caro, sem descuidar das demais áreas. Será mais difícil ainda fazer o streaming dar o mesmo lucro que a TV dava".

Em agosto, Jorge Nóbrega declarou ao jornal Valor Econômico que a primeira fase de reorganização do grupo Globo havia sido concluída. Disse ainda que "a tarefa de virar uma 'mediatech' exige tornar mais eficientes as operações tradicionais para manter uma boa gestão de caixa e apoiar novos produtos digitais, como o Globoplay, que têm alto crescimento, mas ainda requerem investimento pesado". Nóbrega deixará a Globo em fevereiro de 2022, e Paulo Marinho, neto de Roberto Marinho, assumirá o comando.

Segundo Manuel Belmar, diretor-geral de Finanças da Globo, o segundo trimestre de 2021 apontou uma recuperação de receitas, mesmo em meio à pandemia, o que demonstra a capacidade de superar desafios e implementar com sucesso o processo de transformação, para que a empresa se torne cada vez mais forte e apta a retomar o ritmo de negócios e aproveitar as oportunidades que vão surgindo. "Temos uma estratégia de negócios clara, sólida situação econômico-financeira, competência, qualidade, comprometimento e dedicação de todos os colaboradores. Mesmo diante de bons resultados, sabemos que a pandemia deve nos acompanhar por mais um tempo, o que deve demandar ainda paciência e cuidados especiais para a retomada do ritmo normal de produções. Enquanto isso, continuaremos mantendo o foco na saúde e segurança dos colaboradores com total prioridade", disse o executivo.

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