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Edu Guedes, sobre estreia na Band: 'Tem horas que o desafio é importante'

Edu Guedes, no The Chef, da Band (Divulgação/Band) - Reprodução / Internet
Edu Guedes, no The Chef, da Band (Divulgação/Band) Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

20/09/2020 13h17

Resumo da notícia

  • Em entrevista, apresentador afirma que pensou eu deixar a televisão por alguns anos após acidente
  • Edu tem feito fisioterapia três vezes ao dia e terá a companhia da filha de 11 anos na atração
  • Programa irá ao ar diariamente, das 9h às 11, na Band; chef acredita que não deixou mágoas na RedeTV!

Depois de cinco anos na RedeTV!, Edu Guedes inicia nesta segunda-feira um novo capítulo de sua profissional. Ele estreia, nesta segunda-feira (21), na Band, o "The Chef", programa que vai ao ar das 9H às 11h e seguirá investindo em gastronomia. Na atração, ele terá a companhia de sua parceria, Cidinha Santiago, e também de dois novos reforços: o repórter Lucas Salles e a filha, de 11 anos, Maria Eduarda. "Foi ela quem deu o nome do programa", conta o apresentador.

Ao contrário do que muita gente possa imaginar, a mudança para a Band foi pensada apenas recentemente. Os planos de Edu eram outros. Ele pensou em parar por algum tempo ou assumir um programa semana na TV por assinatura. A decisão vinha sendo pensada depois que o apresentador sofreu um grave acidente, em junho, quando caiu de um veículo motorizado em sua fazenda e sofreu fratura exposta. Hoje, para recuperar os movimentos do braço esquerdo, Edu precisa de fisioterapia três vezes ao dia. O chef conversou com a coluna. Leia a seguir.

Como se deu a ideia de mudar para a Band?
Há anos eu tinha uma produtora e sempre fazia muitas coisas para mim, mas para trabalhos externos na TV. Com a história do acidente que eu tive, fiquei bastante tempo sem mexer nada. Desligou tudo no braço - tendão, músculo. Tive uma lesão nos nervos. Isso mexeu demais com a minha cabeça. Considerei parar por alguns anos por não saber quando tudo vai voltar ao normal. A previsão de melhora era de um milímetro por dia. Mas a minha filha não deixou. Ela vê pessoas falando comigo nas ruas e nas redes sociais, vê o carinho que recebo. Um dia, ela chegou e disse: "Pai, você não pode deixar as pessoas sem as suas receitas e sem você". Isso pegou no meu coração e me fez repensar. Em casa, recebi algumas propostas, fiquei pensando realmente e bati o martelo praticamente agora. Apalavrei as coisas, claro, mas tomei a decisão há pouco tempo. Não assinei nada antes, esperei o fim do meu contrato. Faz cerca de dez dias que tomei essa decisão na minha cabeça. Para se ter uma ideia, vou gravar piloto neste domingo (20) para estrear no dia seguinte.

Deu tempo de preparar um novo programa em tão pouco tempo?
Eu imaginei, inicialmente, que voltaria no meio do ano. Mas os diretores da Band confiaram em mim e quiseram estrear logo. A gente vai tentar fazer receita do começo ao fim, para as pessoas entenderem e fazerem. Já projetei uns 15 quadros diferentes. Vou investir muito em pautas de coisas que as pessoas possam fazer e vender para ajudar nesse período de pandemia. Além disso, teremos o Lucas Salles, que é um cara muito legal. Uma vez, eu estava no corredor e vi ele dando uma atenção para as faxineiras, para todo mundo ao redor, sem saber que estava sendo visto. Fiquei com aquilo na cabeça. Outra vez, ele pediu um vídeo meu para a avó dele. Ele está indo em alguns lugares para mostrar como estão as pessoas, o que mudou na vida delas. O Lucas é um cara extremamente do bem. Teremos ainda um quadro com a Maria, minha filha, que foi a grande motivação de tudo, ela que criou o nome do programa.

E a parceria com Cidinha Santiago?
Vou preparar uma surpresa para ela, porque ela está há seis meses praticamente sem fazer programa. Vamos tomar todos os cuidados para que ela volte. A Cidinha passou oito anos trabalhando com a Ofélia (1924-1998) e está há 16 comigo. Quero prestigiar essas pessoas que muitas vezes passam desapercebidas. Quero poder ajudar outras pessoas também. Mas ajudar de uma outra forma. Tem tanta que batalha e não tem oportunidade, está na hora de pensar nisso.

Passava pela sua cabeça mudar de emissora?
O acidente em si me fez repensar muitas coisas. E eu pensei em parar e voltar só no ano que vem. Recebi convite de um canal fechado, para fazer um programa semana, mas meus amigos na Band me desencorajaram. Disseram que eu poderia ser um motivador, que mostraria que estou me recuperando, mas não me entregando. Isso foi amadurecendo em minha cabeça. Também descobri que tenho tantos amigos. Ana Maria Braga, Datena, Joel Datena, Claudete Troiano, Cátia Fonseca, Reinaldo Gottino... Todos me mandando mensagem, perguntando como eu estava. Talvez o acidente tenha sido o momento mais difícil da minha vida. Não foi fácil.

E como está seu braço?
Ele está voltando muito antes do que a gente imaginava, foram três meses duros fazendo terapia e fisioterapia. Não posso me entregar nenhum dia. Se você se entregar, você para. Ter algo que não funciona como antes e estranho, mas pode levar para um lado positivo. Quando a gente passa por algo maior assim, vê que isso que é problema de verdade. Hoje, tenho que fazer fisioterapia três vezes por dia. Do cotovelo pra baixo, há nervos maiores responsáveis por fazer mexer os dedos por exemplo. Eu tive problema com eles. Não estou sentindo ainda do braço pra baixo e tenho dificuldade de movimentação. Eu olho o movimento acontecendo, mas tem algumas coisas que não sinto.

Acha que a RedeTV! ficou magoada com sua saída?
De forma alguma! Cumpri meu contrato, gravei tudo o que me pediram, sou muito grato a eles. Me mandaram mensagem de agradecimento e deixei meu agradecimento. Fiquei cinco anos lá e na Record também foi do mesmo jeito. Fazendo tudo direito você sempre vai deixar sua porta aberta. Mesmo com a dificuldade do braço, eu cumpri o meu contrato. Espero ter deixado boas lembranças do trabalho que a gente fez. Tem horas na nossa vida que o desafio é importante, ele pode te motivar.

Está ansioso pela estreia?
Dá para ficar nervoso. É muita responsabilidade. Graças a Deus, construí algo nesses 26 anos. Tenho anunciantes e empresas importantes que vão estar comigo. Sempre vou trabalhar junto com a emissora.

Há espaço para mais programa de gastronomia na TV? Você assiste "MasterChef"?
A Band é muito forte. Para tudo que eu for chamado a participar, vou fazer com o maior carinho. O "Masterchef" é um grande sucesso e assisto sempre que posso. A Band tem uma programação muito interessante e sempre tem espaço. Eu acho que sempre tem espaço para produtos de qualidade e um programa é muito diferente do outro. O que importa é fazer um programa com qualidade.

Você assumirá uma faixa que antes era destinada a Mariana Godoy. Chegou a falar com ela sobre o assunto?
Eu recebi convite para participar do programa dela. Adoro ela e, assim que puder, irei com prazer. E, nas primeiras semanas, ela virá ao meu programa. Eu respeito e admiro muito a Mariana. Com sinceridade, neste sábado (19) foi o primeiro dia que fui na Band. Não acompanhei o noticiário sobre as mudanças, foi tudo muito rápido. Mas a Mariana estreia programa no mesmo dia que eu, à noite, e tenho certeza que ela está feliz. Ela é uma profissional excelente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL