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Viagens aéreas crescem pouco em junho; ritmo pré-covid é realidade distante

Viagens aéreas ainda estão muito abaixo dos índices pré-pandemia - Getty Images
Viagens aéreas ainda estão muito abaixo dos índices pré-pandemia Imagem: Getty Images

De Nossa

02/08/2021 10h32Atualizada em 02/08/2021 16h46

O mercado de viagens aéreas teve uma pequena recuperação em junho, mas o fluxo de passageiros ainda está muito abaixo do ritmo anterior à covid-19.

Ao comparar os meses de junho de 2021 e junho de 2019, anterior à pandemia do coronavírus, a demanda total por viagens caiu 60,1% este ano. O resultado representa uma pequena melhora em relação a maio de 2021, quando o número de passageiros pagantes por quilômetro havia caído ainda mais — 62,9% em comparação com maio de 2019.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), as restrições de entrada de viajantes impostas pelos países para o controle da pandemia — que ganhou novo fôlego em diversos países nesta temporada de verão do hemisfério norte graças à variante delta — ainda são as principais responsáveis pela compra de passagens abaixo da média.

Viagens nacionais x internacionais

A demanda por viagens internacionais de junho de 2021 ficou 80,9% abaixo do índice de junho de 2019. Em maio, a queda havia sido maior, de 85,4% em relação ao mesmo mês de 2019. Apenas a região da Ásia-Pacífico não contribuiu para o crescimento.

Já os níveis de viagens domésticas ou nacionais estão 22,4% abaixo dos números de junho de 2019. No mês anterior, a demanda havia sido 23,7% inferior a 2019, o que sinaliza, novamente, uma pequena recuperação do mercado. O desempenho de cada país foi bastante diferente, segundo a análise da IATA: enquanto os passageiros viajaram significativamente mais na Rússia, a China teve queda na circulação dos seus viajantes.

"Vemos um movimento na direção certa, principalmente em alguns mercados domésticos importantes. Mas a situação das viagens internacionais está longe de onde deveria estar. Junho é o início da alta temporada, mas as companhias aéreas transportaram apenas 20% dos níveis de 2019. Isso não é uma recuperação, é uma crise contínua causada pela falta de ação dos governos", acredita Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Novos surtos na China e queda de viagens na Ásia

Enquanto as regiões da Europa, Oriente Médio, América do Norte, África e América Latina experimentaram uma pequena recuperação entre maio e junho de 2021, as companhias aéreas da região da Ásia-Pacífico continuam em queda de vendas. O tráfego internacional, que em maio de 2021 era 94,5% menor do que em maio de 2019, ficou em junho 94,6% abaixo dos níveis de dois anos atrás.

O tráfego doméstico da China voltou a cair em junho de 2021, com números cerca de 10,8% menores do que em junho de 2019. Em maio deste ano, o país havia registrado crescimento de 6,3% em comparação com o mesmo mês de 2019. O motivo? Novas medidas de restrição da circulação foram introduzidas após novos surtos de covid-19 em cidades chinesas.

"Os viajantes vacinados devem ter sua liberdade de movimento restaurada. Um regime de teste eficiente pode gerenciar bem os riscos para aqueles que não puderem ser vacinados. Alguns governos estão agindo nessa direção. Reino Unido, Cingapura e o Canadá indicaram prazos para abrir suas fronteiras sem quarentena para viajantes vacinados. A Comissão Europeia recomendou que seus Estados adotem protocolos de viagem seguindo as orientações da OMS, incluindo testes para viajantes não-vacinados. Ações semelhantes adotadas por países como os EUA, líderes na vacinação de sua população, mostrariam que podemos viver e viajar enquanto gerenciamos os riscos da covid-19", opinou Walsh em comunicado da organização.